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Sinopse
Em Toy Story 5, Buzz, Woody, Jessie e os demais brinquedos enfrentam um novo desafio com a mudança nos hábitos das crianças, cada vez mais atraídas por dispositivos eletrônicos. Diante dessa nova realidade, eles buscam manter seu espaço e relevância no cotidiano dos donos. Animação/Aventura.
Crítica
Após um intervalo de sete anos em relação ao capítulo interior – o segundo menor de toda a franquia, perdendo apenas para o período de 4 anos entre o original e a primeira sequência – Toy Story 5 chega aos cinemas se mostrando ainda mais desnecessário e redundante do que se poderia esperar. Se Toy Story (1995) conquistou audiências dos mais diversos espectros tanto pela revolução tecnológica que trazia consigo, como pela abordagem sensível dos temas percorridos pela trama, esse instinto foi num crescente até Toy Story 3 (2010), comumente reconhecido como o ápice da fórmula. Mas como abandonar um projeto que, em suas três incursões iniciais, somadas, havia arrecadado mais de US$ 2 bilhões apenas nas bilheterias? E assim veio Toy Story 4 (2019), que seguia na ideia de explorar outros aspectos dos mesmos – e ainda carismáticos – personagens, porém sem acrescentar algo particularmente novo. Dessa vez, porém, o investimento na narrativa é mais escasso, trilhando por caminhos já percorridos e confirmando uma falta de coragem ao não apostar em uma eventual mudança crítica, que até chega a ser anunciada, mas não perseguida.

Desde os primeiros trailers e imagens divulgadas sobre essa produção, um novo “vilão” parecia estar sendo anunciado: chega de confusões e embates entre os mesmos brinquedos de sempre para descobrir quais seriam os preferidos das crianças. O mundo mudou radicalmente nestas mais de três décadas, e com isso até o modo de se entreter foi alterado. A fantasia e a criatividade tem se esvaído do alcance infantil, recaindo ao ato passivo de olhar, sem interagir: as telas estão agora no domínio. Assim, Bonnie, a pequena proprietária dos ‘protagonistas’, direciona sua atenção não mais às bonecas e seus companheiros, mas a um recém adquirido tablet. Lilypad é a novata que chegou para alterar as percepções de todos: com ela não é preciso um “faz-de-conta”, pois tudo é possível por meio das imagens que nela podem ser reproduzidas. Jessie, Buzz e amigos são relegados ao esquecimento. E, pelo jeito, não há nada que eles, e nem mesmo o caubói Woody (distante, mas não abandonado), possa fazer a respeito.
À primeira vista, o embate tenta se apresentar como sendo entre os brinquedos analógicos e a inovação proporcionada pela tecnologia, algo simplista do tipo “o que é velho não tem mais espaço, abram caminho para o novo”. Além do evidente discurso etarista – como se aquilo com mais experiência não tivesse serventia – há de se observar também o apelo ao individualismo proporcionado pelo mundo digital, com suas relações líquidas e contatos apenas anunciados, porém não concretos. Bonnie tem uma aspiração apenas: fazer novos amigos. Os diretores e roteiristas Andrew Stanton (vencedor do Oscar por Procurando Nemo, 2004, e por Wall-E, 2009) e McKenna Harris (que esteve na equipe de animadores de títulos como WiFi Ralph: Quebrando a Internet, 2018, e Raya e o Último Dragão, 2021) colocam a culpa dessa incapacidade apenas nos bonecos, quando há algo mais urgente a ser estudado: a extrema timidez da menina, incapaz de se relacionar com crianças da mesma idade, mesmo estando essas do outro lado da rua ou mesmo paradas em frente dela, apenas esperando por uma reação simpática da sua parte.
O filme, portanto, poderia se dedicar a uma reflexão familiar, analisar a relação da menina com os pais e como tem sido sua criação. Mas talvez isso fosse demais para uma animação com menos de duas horas e destinada a consumo rápido. Então, nem chega a ser um problema grave, e sim um lamento. Ruim, no entanto, é a mudança de tom que a narrativa assume, desviando do discurso que apontava para um enaltecimento da dinâmica entre crianças e brinquedos que estimulem o livre criar, e colocando a causadora do drama enfrentado não mais como ameaça, mas como uma ferramenta apenas não compreendida que, se empregada no direcionamento correto, teria mais a agregar do que a perder. E uma vez que Toy Story 4 já meio que havia tirado o eterno protagonista Woody do centro das atenções, eis um outro ruído enfrentado: como trazer o boneco dublado por Tom Hanks novamente para o centro das atenções? Os esforços nesse sentido permeiam grande parte dos eventos, mas invariavelmente gerando mais ruído do que resultados práticos. Em resumo, o que se tem é uma história estendida ao máximo da boa vontade do espectador que poderia ter sido facilmente resolvida na duração de um curta-metragem.

Uma vez tendo claro o quão rasas são as motivações envolvendo os personagens principais, que se mostram redundantes até mesmo em seus desdobramentos, repetindo cenários vistos nos filmes anteriores – como o “cemitério” de brinquedos descartados ou perseguições de automóveis pelas ruas da cidade – resta à audiência direcionar seu olhar a um desvio paralelo que por pouco não se confirma mais interessante do que a trama principal. Sim, pois Toy Story 5 começa com uma cena pós-acidente no qual dezenas de bonecos do astronauta Buzz Lightyear se encontram perdidos na beira de uma praia. Soa tão estranho ao resto do conjunto que é capaz de provocar dúvidas, como se fosse um rascunho não aproveitado do já esquecido Lightyear (2022). Mas aos poucos estes elementos começam a fazer sentido, levantando uma curiosidade ainda mais pertinente – e, pelo jeito, gratificante – do que a original. Como eles foram parar lá, para onde iriam, quais os propósitos de suas atualizações e como se encaixariam com suas versões, digamos, vintage? Enfim, um indício de que talvez houvesse, aqui, um filme interessante de fato. Pena ter sido deixado num segundo plano. E eclipsado por algo genérico e passageiro, que em nenhum momento chega a se aproximar da dimensão percebida em seus antecessores.
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Grade crítica
| Crítico | Nota |
|---|---|
| Robledo Milani | 5 |
| Daniela Pedroso | 8 |
| Ticiano Osorio | 6 |
| Marília Barbosa | 7 |
| Ailton Monteiro | 8 |
| MÉDIA | 6.8 |

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