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Sinopse
Em Paixão de Escritório, a CEO Jackie comanda a Air Cruz com disciplina e mantém uma política rígida contra relacionamentos entre funcionários. A chegada de um novo advogado à empresa, porém, começa a abalar suas convicções e coloca suas próprias regras à prova. Comédia romântica.
Crítica
Há tantas coisas erradas em Paixão de Escritório que é até difícil decidir por onde começar a elencá-las. Talvez mais simples seja apontar a falta de noção – e num sentido amplo, não apenas enquanto proposta – dos realizadores, que oferecem a nítida impressão de não saberem ao certo o que estavam almejando com este projeto – e a quem se dirigir. O (des)uso desse entendimento se espalha por toda a produção, desde sua gênese, até corromper de modo irremediável o resultado apresentado em cena. Afinal, este é um filme sobre uma mulher latina em busca de um relacionamento saudável ao mesmo tempo em que se esforça para conquistar o reconhecimento profissional que acredita lhe ser justo, porém concebido por um homem branco britânico que desconhece tais particularidades, sejam essas étnicas, geracionais ou sexuais. Assim, o que se tem é um amontoado de soluções esquemáticas, tiradas desconexas e um argumento pífio que, se não fazia sentido uma ou duas décadas atrás, pode-se bem imaginar o quão deslocado se apresenta nos dias de hoje.

Brett Goldstein ganhou dois Emmys como coadjuvante de uma série cômica de ampla repercussão crítica, porém distribuída por uma plataforma de streaming de mínima entrada entre o público em geral – a AppleTV+, que no Brasil ocupa a quinta posição no mercado, com apenas 9% de participação. Mesmo assim, isso deve ter lhe parecido suficiente para se arriscar como galã romântico – por mais que seu personagem em Ted Lasso (2020-2026) seja o do brutamontes valentão – de bom coração, sim, mas de modos não muito polidos, por assim dizer. O máximo de mainstream que experimentou até o momento foi uma participação mínima, e sem falas, durante a cena extra exibida em meio aos créditos de encerramento de Thor: Amor e Trovão (2022), da Marvel, quando deu as caras como o herói Hércules (novamente reprisando o estereótipo do musculoso grosseiro). Pois o rapaz é também roteirista (criador da série Falando a Real, 2023-2026, por exemplo) e adepto à prática do stand up comedy. Essa exposição lhe deu coragem de se arriscar por outros gêneros – como o romance. Primeiro, no drama Por Inteiro (2024). Agora, assumindo um tom mais leve nesse Paixão de Escritório.
Ele afirma ter escrito esse texto com Jennifer Lopez em mente, e que não faria o filme sem a presença dela. É compreensível, uma vez que Jackie Cruz é absurdamente similar a dezenas de outras personagens por ela interpretadas ao longo de sua carreira, como em Casamento Armado (2022), Case Comigo (2022), Uma Nova Chance (2018) ou Plano B (2010), apenas para citar algumas. Eis mais uma mulher decidida, que valoriza suas origens, é excelente em sua profissão, mas que em certo momento se deixa levar por uma paixão inesperada. A fórmula é sempre a mesma. Portanto, o fato dela aceitar esse convite não é apenas preguiça ao transitar por uma zona segura, mas também anseio por não se arriscar, jogando com os elementos que já conhece – e domina. A mudança está na presença de Goldstein. Uma novidade que não chega a dar liga durante as quase suas horas de trama, não no começo, menos no meio e irremediavelmente equivocado em seu desfecho.
Talvez para equilibrar as coisas, nenhum dos protagonistas renega de onde veio. Goldstein aparece como um advogado britânico que há pouco se mudou para os Estados Unidos. Ele trabalha na companhia aérea comandada por Cruz, descrita por seus funcionários como uma versão curvilínea da Miranda Priestly de O Diabo Veste Prada (2006). No entanto, basta que os dois se encontrem para que esse quadro de horrores pintado por antecipação não se confirme: JLo abre o sorriso de milhões que vem conquistando audiências há algumas décadas e ele estará rapidamente entregue – ou em estado de alerta, como seu personagem deixa transparecer em meio a um aperto de mãos que se converte em uma ereção tão artificial quanto se estivesse em uma cena da saga American Pie. Sim, pois o ator/roteirista e seu diretor, o também inglês Ol Parker (Ingresso para o Paraíso, 2022) se comportam como se estivessem realizando um projeto pensado para o final do século passado – e mesmo assim, naquela época já seria de mau gosto muito do que aqui é exibido. Por mais que o casal principal seja formado por duas pessoas na faixa dos 50 anos, aqui eles se mostram como adolescentes dominados por hormônios efervescentes.

Entre diferentes piadas com mais de uma conotação sexual, uma sequência no mínimo esdrúxula na qual um parto é exibido de modo explícito, com a visão na íntegra do bebê sendo expelido pela vagina da mãe (Betty Gilpin, você não merecia passar por isso) e abundantes demonstrações de um combinado de misoginia com xenofobia – Jackie é insegura e desconfiada, tem reações extremas, e só demonstra algum tipo de satisfação pessoal ao ser validada por seus pares masculinos – o enredo ainda briga entre si para combinar três linhas narrativas distintas (o processo contra a companhia, o romance entre patroa e empregado e a irmã presidiária dele) que, obviamente, não recebem o mesmo tratamento, fazendo de duas delas mais uma distração do que algo digno de alguma seriedade. E assim Paixão de Escritório afunda também participações que mereciam terem melhor desenvolvimento, como as de Edward James Olmos e de Bradley Whitford, desperdiçando a presença sempre luminosa de JLo e confirmando que Goldstein deveria se ater ao tipo que faz melhor, poupando sua audiência de outros constrangimentos como esses que aqui se testemunham.
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Grade crítica
| Crítico | Nota |
|---|---|
| Robledo Milani | 2 |
| Lucas Salgado | 4 |
| MÉDIA | 3 |

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