Crítica


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Sinopse

Uma mulher é assassinada e fica presa em um ciclo vicioso entre vida e morte. Ela deve resolver o mistério de seu próprio assassinato, ressuscitando várias vezes até descobrir quem foi o responsável pelo crime. Só quando ela compreender o que causou sua morte, poderá escapar de seu destino trágico.

Crítica

A ideia central de Feitiço do Tempo (1993) já foi tão explorada que formou praticamente um subgênero, montando um espectro que vai dos bons Contra o Tempo (2011), Questão de Tempo (2013) e No Limite do Amanhã (2014) ao detestável Nu (2017). Em algum lugar no meio disso está A Morte te dá Parabéns que, embora não seja um exemplar especialmente criativo desse nicho, ainda assim, consegue converter a estrutura cíclica da narrativa em diversão. Isso porque, apesar de dirigido pelo mesmo Christopher Landon do decepcionante Como Sobreviver a um Ataque Zumbi (2015) e do horroroso Atividade Paranormal: Marcados pelo Mal (2014), o filme é marcado menos pela condução trôpega, e muito mais pelo carisma da atriz Jessica Rothe, que vive a protagonista com energia e delicadeza o suficientes para torcermos pela moça.

Prender personagens num mesmo dia de suas vidas, normalmente fadando-os a repeti-los, é para que eles aprendam alguma lição. E não é diferente do que acontece com Tree (Rothe), que passa a viver de novo e de novo o dia de seu aniversário, em que, todas as noites, é assassinada por um estranho mascarado. No meio disso está Carter (Israel Broussard) que, embora não seja uma pessoa próxima de Tree, se torna seu confidente sobre a situação e sugere que ela use suas infinitas vidas para tentar descobrir quem é o assassino. Afinal, não importa o que faça a estudante, o seu perseguidor sempre a encontra.

Feitiço do Tempo disseminou essa estrutura de repetição, usando-a para que criássemos empatia com uma gama de personagens além do vivido por Bill Murray, apenas porque já conhecíamos suas reações, o que os tornava familiares. A Morte te dá Parabéns acerta ao, de maneira semelhante, apostar que a personalidade rabugenta da protagonista despertará não a repulsa do espectador, mas a torcida para ela mudar de atitude. Não importa o quão detestável seja uma figura central, se os demais personagens forem irracionais (e aqui eles o são por desconhecer a repetição temporal experimentada por Tree), tenderemos a ficar do lado daquele que demonstra consciência.

Embora normalmente seja condenável o uso batido dos estouros nas caixas de som para assustar o espectador, é interessante notar que aqui Landon faz o recurso funcionar de maneira orgânica. Em meio a sua direção apenas correta, o realizador consegue extrair bons momentos de tensão e riso. Isso porque é especialmente interessante como ele usa os dutch angles (planos inclinados) junto com travellings sempre que quer ressaltar o desespero de Tree – e as perseguições no hospital são os pontos altos desses acertos.

Como comprova Feitiço do Tempo, esse tipo de filme é tão bom quanto seus personagens. Na galeria de figuras que habitam o universo de Tree, há algumas interessantes (como Carter), mas outras tão insípidas que qualquer uma delas poderia ser o assassino, sem diferença para o desfecho – e de fato não faz. Isso porque quando somos levados a conhecer o plano completo, a heroína é a única pessoa na trama com quem realmente nos importamos, e as catarses que poderiam surgir se perdem. Não há carisma no enredo, e nem mesmo as repetidas vezes que Tree vive seu dia o torna mais memorável. Todavia, há um humor funcional, principalmente nas comparações entre as várias versões de um mesmo evento, mas apenas. Isso porque A Morte te dá Parabéns consegue divertir pontualmente, mas não desperta a vontade de revê-lo de novo, de novo e de novo.

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é formado em Produção Audiovisual pela PUCRS, é crítico e comentarista de cinema - e eventualmente escritor, no blog “Classe de Cinema” (classedecinema.blogspot.com.br). Fascinado por História e consumidor voraz de literatura (incluindo HQ’s!), jornalismo, filmes, seriados e arte em geral.
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