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Em Star Wars: O Mandaloriano e Grogu, após a queda do Império, remanescentes imperiais seguem ativos pela galáxia enquanto a Nova República tenta consolidar sua autoridade. Nesse cenário, o caçador de recompensas Din Djarin e seu aprendiz se envolvem em missões que cruzam os interesses desse novo equilíbrio de poder. Aventura.
Crítica
A longevidade de uma franquia como Star Wars é impressionante e com poucos paralelos na história do cinema. No entanto, nem tudo que foi lançado – seja nos cinemas, ou na televisão e em plataformas de streaming – se confirmou, com o passar dos anos, digno de tal origem e capaz de sobreviver a este teste do tempo. Star Wars: O Mandaloriano e Grogu se mostra, desde sua primeira exibição, um subproduto incapaz de resistir na memória mesmo dos fãs mais radicais. Após vinte e quatro episódios distribuídos ao longo de três temporadas da série O Mandaloriano (2019-2023), o guerreiro solitário e seu companheiro involuntário conquistaram fama e popularidade tamanha que justificaria, eventualmente, uma passagem pela tela grande. No entanto, o que se vê no longa dirigido por Jon Favreau – criador do programa – é não mais do que uma nova aventura, interessante na medida em que oferece outras oportunidades aos personagens, mas igualmente desperdiçado por não aprofundá-los, não investir no relacionamento de ambos e não oferecer contextos até então inexplorados por ambos. Mais do mesmo, portanto. Que entretém razoavelmente enquanto dura, e desaparece no ar tão logo as luzes se acendem ao término da sessão.

Os problemas começam por não conseguir subverter uma das escolhas mais ousadas do show televisivo, que aos poucos foi se confirmando um armadilha: o protagonista, esse bravo cavaleiro espacial, faz parte de uma ordem cuja uma das mais preciosas diretrizes consiste em “nunca revelar o próprio rosto”, ou seja, a figura precisa estar constantemente portando um capacete de metal capaz de cobrir por inteiro sua face. A questão é que na época o ator escalado para interpretá-lo era um então pouco conhecido Pedro Pascal, que tinha como maior destaque no currículo participações em séries como Game of Thrones (em 2014) e Narcos (2015-2017). Porém, logo ele se converteu em um dos astros mais midiáticos do momento, e tê-lo em cena sem revelar quem de fato era o homem por trás da máscara se mostrou um imenso desafio. Como não explorar tal chamariz? Em determinado momento a série desenvolveu um arco no qual ele, finalmente, perdia o capacete – e o decorrente esforço que empreendia para recuperá-lo. Pois bem, algo absurdamente similar se dá nesse filme, comprovando que a reciclagem de ideias é a ordem do dia.
A trama começa em uma grande sequência de ação que pouco diz respeito ao que irá acontecer depois. O filme tem início, de fato, após esse momento, quando o Mandaloriano, já de volta à base, recebe como missão ajudar ‘os Gêmeos’ – os irmãos de Jabba que, após a morte desse, assumiram a liderança dos Hutt, figuras assassinas e sedentas por violência e poder. O que precisam? Que o sobrinho, que fora supostamente sequestrado, seja resgatado e reconduzido ao seu planeta de origem. Há questões a serem resolvidas, no entanto. Primeiro, Rotta (voz quase irreconhecível de Jeremy Allen White) não quer voltar para casa. Segundo, por ser o legítimo herdeiro, suspeita que os tios desejam sua morte. Por fim, está metido em um esquema de lutas ilegais que tanto podem levar a sua morte, ou a uma eventual consagração – e ele está disposto a apostar todas as suas fichas na segunda hipótese. Um risco que o caçador de recompensas não pode se dar ao luxo. Só que ao se colocar em rota de colisão com os Hutt, ele próprio é que poderá se tornar a cabeça a prêmio da vez.
Todo esse desenvolvimento ocupa metade do filme. A partir do ponto em que o Mandaloriano é abatido e sua vida e se mostra por um fio, eis que chega a vez de Grogu – o filhote em formação que pertence à mesma espécie do icônico Yoda – ganhar seu merecido espaço. Pois terá que não apenas salvar o amigo, como também levar adiante os compromissos assumidos pela dupla de modo minimamente convincente para a plateia e por meio de uma lógica que faça sentido mesmo se inserida num universo tão distante – e por vezes aleatório – como esse no qual se encontra. Ou seja, se no início a responsabilidade de conduzir os acontecimentos está sobre os ombros de um, o desfecho ficará sob os cuidados do outro, dividindo de forma equilibrada o protagonismo. Tanto um, quanto outro se mostram importantes. Mas isso já não era conhecido? O que de novo se revela? Absolutamente nada. A partir de uma estrutura assumidamente episódica – destes dois momentos apontados aqui, ambos poderiam ser subdivididos em outros até se ter uma sequência de até oito capítulos – o que se percebe é que, apesar de ser apresentado como um longa-metragem, o que se tem de fato é não mais do que uma temporada da série, com eventos pontuais conduzidos pelos personagens que divertem (pouco) e envolvem (menos ainda), mas em quase nada acrescentam ao cânone em relação ao que se sabia previamente sobre os dois.

O mais surpreendente em relação a esse Star Wars: O Mandaloriano e Grogu é a aparente indecisão dos realizadores sobre o que pretendem alcançar com esse projeto. Sem se posicionar como fechamento de uma trama maior (o sentimento de paternidade que permeia a ligação entre os dois citados no título) e nem mesmo como uma ponte para desdobramentos futuros – cronologicamente, se posiciona antes dos acontecimentos de Star Wars: O Despertar da Força (2015) – termina por se mostrar como uma tentativa inacurada de manter o nome da saga vivo nas telonas – afinal, a última incursão pelo formato com toda essa pompa e circunstância que lhe é devida foi em Star Wars: A Ascensão Skywalker (2019), sete anos atrás. E se o foco for nas aventuras isoladas, o certo é que o que se tem aqui está mais perto do malfadado Han Solo: Uma História Star Wars (2018) do que da excelência vista em Rogue One: Uma História Star Wars (2016). Uma constatação que não deve ter deixado ninguém feliz – e que se servir de alerta para projetos futuros, ao menos encontrará alguma valia.
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