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Robin Hood está de volta aos cinemas, mas não exatamente como o público está acostumado a vê-lo. A Morte de Robin Hood, estrelado por Hugh Jackman, chega às salas brasileiras nesta quinta, 13, apresentando uma versão mais sombria, brutal e introspectiva do herói mítico britânico. Antes de conferir a nova interpretação, porém, vale lembrar que a lenda nunca foi uma história única: ao longo de mais de um século, o cinema transformou o personagem em herói de animação, blockbuster, paródia e até anti-herói. Afinal, o que esperar da nova produção e quais foram as principais versões da história nas telonas? Siga o fio e fique por dentro!

ROBIN HOOD NOS CINEMAS

A MORTE DE ROBIN HOOD

Dirigido e roteirizado por Michael Sarnoski, de Pig (2021) e Um Lugar Silencioso: Dia Um (2024), a obra chega ao Brasil distribuído pela Imagem Filmes. Hugh Jackman interpreta o personagem-título, enquanto Jodie Comer e Bill Skarsgård completam o elenco principal. O longa estreou nos Estados Unidos em 19 de junho e chega ao mercado brasileiro quase dois meses depois. A nova produção, porém, está muito distante da imagem tradicional do personagem. Em vez do jovem e habilidoso arqueiro que enfrenta o xerife de Nottingham e rouba dos ricos para ajudar os pobres, o Robin Hood de Sarnoski é um homem envelhecido e atormentado.

A Morte de Robin Hood
A Morte de Robin Hood

A trama começa quando Robin sobrevive por pouco àquilo que acreditava ser sua última batalha. Gravemente ferido, ele é encontrado por uma mulher misteriosa, que passa a cuidar dele e oferece uma possibilidade de redenção. Enquanto permanece incapacitado, o protagonista precisa confrontar as consequências de uma existência marcada pelo crime e pela violência.

Em entrevista Seen on the Screen, podcast de Jacqueline Coley, editora de premiações do Rotten Tomatoes, Sarnoski descreveu seu Robin Hood como “um ser humano falho” e explicou que o filme “reúne elementos de diferentes versões da lenda”.

Jodie interpreta Sister Brigid, personagem que substitui a tradicional Maid Marian como principal contraponto feminino ao protagonista. Já Skarsgård vive Edward. O elenco ainda conta com Murray Bartlett, Noah Jupe e Faith Delaney.

ADAPTAÇÕES CELEBRES 

Uma das primeiras grandes versões cinematográficas foi Robin Hood (1922) – também distribuído sob o título Robin dos Bosques – estrelada por Douglas Fairbanks e dirigida por Allan Dwan. O longa ajudou a estabelecer o personagem como uma figura ideal para o cinema de aventura. Foi um grande sucesso para os padrões da época, chegando a quebrar recordes de bilheteria nos EUA. Embora não haja um valor de bilheteria confiável, seu desempenho comercial ajudou a consolidar Robin como personagem de aventura nas telas.

Robin Hood (1922)
Robin Hood (1922)

Mas se existe uma versão que merece ser tratada como indispensável na história cinematográfica do personagem, é As Aventuras de Robin Hood (1938). Errol Flynn interpreta Robin, enquanto Olivia de Havilland vive Maid Marian. O filme tornou-se uma das grandes referências do cinema de aventura clássico e ajudou a definir a imagem de Hood como herói atlético, romântico e carismático. O British Film Institute o inclui entre os grandes swashbucklers (termo do século XV que descreve um herói de capa e espada, famoso por sua agilidade, charme, uso ousado de armas brancas e forte senso de justiça) da história do cinema.

As Aventuras de Robin Hood (1938)
As Aventuras de Robin Hood (1938)

Já em 1973, a Disney apresentou uma das versões mais populares para o público infantil. Em Robin Hood, os personagens da lenda foram transformados em animais antropomórficos: Robin virou uma raposa, João Pequeno tornou-se um urso e Lady Marian também ganhou a forma de uma raposa. Dirigida por Wolfgang Reitherman, a animação acompanha Robin e seus companheiros tentando enfrentar o ganancioso Príncipe João e levar felicidade aos moradores da Floresta de Sherwood. O longa ainda recebeu uma indicação ao Oscar pela canção “Love”. 

Robin Hood (1973)
Robin Hood (1973)

E tem também Sean Connery em Robin e Marian (1976), no qual o vencedor do Oscar encarna um personagem já distante do jovem aventureiro tradicional, que retorna das Cruzadas e reencontra Marian, interpretada por Audrey Hepburn. O The Numbers registra orçamento estimado de US$ 5 milhões e bilheteria doméstica de aproximadamente US$ 8 milhões. A base considera esse valor como a receita mundial disponível, mas o Box Office Mojo atualmente não apresenta números de bilheteria para o filme.

Mas para muitos espectadores brasileiros, a versão mais marcante é Robin Hood: O Príncipe dos Ladrões (1991). Kevin Costner assumiu o papel principal, acompanhado por Morgan Freeman, Mary Elizabeth Mastrantonio, Christian Slater e Alan Rickman. Trata-se de um estrondo de bilheteria: orçamento de US$ 48 milhões e receita internacional de US$ 390,4 milhões. Mas, vale lembrar, parte importante do imaginário criado pelo filme por aqui também passa pela música “(Everything I Do) I Do It for You”, de Bryan Adams. A canção tornou-se um enorme sucesso mundial e foi indicada ao Oscar em 1992. 

Mas dois anos depois, Mel Brooks decidiu seguir por um caminho completamente diferente. A Louca! Louca História de Robin Hood (1993), estrelado por Cary Elwes, transforma a lenda em uma paródia dos próprios clichês que haviam se consolidado nas adaptações anteriores. A produção demonstra como Robin Hood já havia adquirido tamanho espaço na cultura pop que podia funcionar não apenas como aventura ou drama, mas também como objeto de sátira. Com orçamento de US$ 20 milhões, rendeu US$ 35 milhões aos cofres dos investidores. 

Já em 2010, Ridley Scott tentou reconstruir a lenda sob uma perspectiva mais histórica e militarizada. Russell Crowe assumiu o papel principal em uma história que começa antes de Robin se transformar no famoso fora-da-lei. A intenção era fugir da representação tradicional e apresentar uma espécie de origem para o personagem. Com investimento de US$ 200 milhões, faturou mundialmente US$ 321 milhões. 

Robin Hood (2010)
Robin Hood (2010)

E a versão mais recente antes de Jackman foi Robin Hood: A Origem (2018), com Taron Egerton, Jamie Foxx e Ben Mendelsohn. A proposta foi transformar Robin em um herói de ação contemporâneo, com estética próxima às grandes franquias modernas. O resultado, porém, foi fracasso comercial: realizado com orçamento estimado em US$ 100 milhões, o longa arrecadou apenas US$ 86,5 milhões mundialmente.

E NO BRASIL?

E não podemos terminar essa matéria sem mencionar as versões brasileiras de grande alcance. Robin Hood, o Trapalhão da Floresta (1973), estrelado por Renato Aragão e Dedé Santana, levou aproximadamente 2,98 milhões de espectadores aos cinemas. Já O Mistério de Robin Hood (1990), com Aragão, Xuxa e Dedé Santana, alcançou cerca de 1,27 milhão de espectadores no país.

MAIS DE UM SÉCULO DE CINEMA

Uma coisa é certa: a aura de Robin Hood teve força suficiente para atravessar diferentes eras do cinema. O personagem chegou às telas em uma época em que os métodos de medição de bilheteria ainda eram muito diferentes dos atuais e passou pelo cinema clássico, pela animação, pelos grandes épicos e pelas paródias, até chegar ao modelo contemporâneo de blockbusters. Mais do que acompanhar a evolução da lenda, portanto, observar Robin no cinema também é testemunhar mais de um século de transformações na própria indústria cinematográfica. 

E você? Qual dessas versões marcou a sua relação com o personagem? Deixe sua opinião nos comentários! 

Robin Hood: A Origem (2018)
Robin Hood: A Origem (2018)

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