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Sinopse
Em Minions & Monstros, os minions se veem na Hollywood dos anos 1920 e, em meio às maiores confusões, acabam se tornando astros do cinema! Só que com a chegada dos filmes falados, eles são despedidos - pois não conseguem verbalizar de forma compreensível o que dizem! Mas tudo pode mudar quando um deles tem uma ideia que poderá resgatar a fama deles: um filme no qual irão enfrentar monstros de verdade! Animação/Comédia.
Crítica
Para uma franquia tão desprovida de ideias, chegar ao sétimo longa-metragem com um faturamento nas bilheterias mundiais de mais de US$ 5 bilhões é, de fato, impressionante. Porém, todo mundo sabe que esse é um negócio de gente grande, e portanto, são os números que terminam por falar mais alto. Principalmente os que dizem respeito a essas figurinhas diminutas e amarelas, das quais não se entende uma palavra do que dizem e que, mesmo assim, se tornaram um fenômeno global. Porém, ao contrário dos seus dois capítulos anteriores, Minions & Monstros – o terceiro segmento da saga Minions, que por si só já é um spin-off da (até o momento) tetralogia Meu Malvado Favorito – se esforça, ainda que de forma tímida, no intuito de alcançar uma identidade própria, deixando de lado seu personagem mais conhecido (o vilão Gru) e buscando se firmar por conta própria por meio de algo que Hollywood adora fazer: rir de – e enaltecer a – si mesma. Parece pouco, mas em meio a um cenário tão deserto de boas ideias e abordagens, esse pequeno desvio se mostra suficiente para justificar um olhar atento.

Se Minions (2015) mostrava, afinal, que essas criaturas possuem como objetivo de vida serem ajudantes de grandes bandidos – ou seja, eternos coadjuvantes, nunca os protagonistas de suas próprias ações – o seguinte Minions 2: A Origem de Gru (2022) antecipava, no próprio batismo, que o foco estava no chefe, e não nos auxiliares. Pois bem, em Minions & Monstros os amarelados, finalmente, se colocaram no centro dos acontecimentos. O que não quer dizer que não tenham tentado seguir à sombra de outros bad boys. A busca pelo malvado favorito segue presente, ao menos até que uma outra atividade, mais recompensadora e gratificante, se mostrasse possível. Desastrados e inconsequentes, eles vão eliminando, ainda que não de propósito, qualquer agressor que permita a presença deles por perto. Assim, sozinhos, seguirão nessa trilha até se depararem com algo que lhes parece, ao menos num primeiro momento, fantástico e alucinante: um assalto a um trem em movimento. Sim, estamos há um século, mais ou menos, em meio aos anos 1920.
O que eles demoram a perceber é que tudo não passava de… mentira. Sim, o trem, o roubo, o assaltante, até mesmo o dinheiro… tudo encenação. Afinal, haviam se metido em meio a uma filmagem! Naquele momento, o cinema estava começando a se tornar um atividade de fato popular, e é compreensível que não tenham se dado conta de imediato do que estava se passando diante deles. Porém, ao invés de terem estragado a proposta com tamanha interrupção, o que fica registrado na película vai além do que qualquer roteiro poderia ter previsto. Assim, os Minions se tornam, eles mesmos, astros de um dos principais estúdios da época. Mordomias, estrelato, uma mansão e muito mais de uma hora para outra se materializa ao alcance deles. Mas até a Sétima Arte estava para se transformar. E o que acontece com os que não sabem se expressar vocalmente quando os filmes falados se tornam uma realidade? O inesquecível Cantando na Chuva (1952) é justamente sobre o destino desses.
A lembrança do musical estrelado por Gene Kelly não é ao acaso – ainda que o público seja poupado de uma reprodução animada (e amarelada) da dança ao lado do poste de luz sob forte chuva. É que ambos os filmes falam, em última instância, da mesma coisa: a necessidade de se reinventar. E é somente nesse ponto, já quase na metade da trama, que finalmente a segunda parte do título, enfim, se manifesta: três dos pequeninos decidem invocar, por meio de um livro mágico que resgataram após terem acabado com um mestre bruxo, um monstro assustador, algo que possa servir de ameaça tamanha que justifique… um novo filme com eles! E assim, por meio desse consigam recuperar o status perdido com a chegada dos talkies, ou seja, dos filmes falados. Obviamente, as coisas não sairão como esperado, pois um monstro levará a outro, e antes que percebam a cidade inteira estará correndo o risco de sucumbir diante do perigo que os até então heróis liberaram.

Com um roteiro que parece não saber direito para qual lado se dirigir – os monstros demoram a aparecer, não se entende ao certo por qual razão o monstrinho verde surge apenas como distração e por quê demora tanto a revelar seu verdadeiro plano, e como um alienígena robótico foi parar no meio dessa confusão? – Minions & Monstros se confirma, de fato, como um deleite ao público adulto e cinéfilo, que se verá diante de um caça-palavras em movimento à procura de referências que fizeram parte da Era de Ouro do Cinema, desde as mais óbvias, como Charles Chaplin e Buster Keaton, até mesmo clássicos como Cidadão Kane (1941) e O Dia em que a Terra Parou (1951). Isso é enriquecedor, ainda mais em um momento de crise destes grandes espetáculos e da própria prática de se ir ao cinema. Por outro lado, é certo que 90% destes apontamentos passarão em branco junto aos espectadores aos quais o filme, enfim, se dirige: crianças e adolescentes que nem imaginam (ou se importam com) tal aspecto nostálgico. Resta esperar que a provocação sirva para despertar o interesse por essa prática – e expressão artística, afinal – da qual até mesmo os adoráveis (ou insuportáveis, dependendo do ponto de vista) Minions fazem parte.
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Grade crítica
| Crítico | Nota |
|---|---|
| Robledo Milani | 6 |
| Carlos Helí de Almeida | 6 |
| Ticiano Osorio | 8 |
| MÉDIA | 6.7 |

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