Mensagens para Isabelle

Crítica


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Sinopse

Em Mensagens para Isabelle, Jill grava mensagens de voz destinadas à irmã falecida, compartilhando os altos e baixos de sua conturbada vida em San Francisco. O que ela não sabe é que essas gravações estão sendo recebidas por Wes, um corretor de imóveis que mora em outra cidade e não faz ideia de quem ela seja. Mesmo assim, essa inesperada conexão irá transformar a vida de ambos. Comédia romântica

Crítica

São curiosos os filmes que usam o nome de um dos seus personagens no título, isso nos casos em que esse está longe de ocupar a posição de protagonista. Não que a menina citada em Mensagens para Isabelle não seja importante, pelo contrário. Afinal, nada do que aqui acontece teria como ocorrer não fosse por ela. Mas a questão é que o que se passa em cena se dá não por sua presença, mas por sua ausência. Sim, pois é somente após a morte da irmã – tal informação não pode ser considerada spoiler, pois se encontra na premissa do enredo – que Jill passará a enviar os tais recados de áudio para o número de telefone que acreditava estar desativado – mais como uma forma de expiar sua perda, não que esperasse ser respondida – mas que, na verdade, acabara de ser entregue à Wes, um rapaz que ela não tem a menor ideia de quem seja. Como na grande maioria das comédias românticas, o que menos importa é como começa ou seu desfecho, mas o processo como os eventos a serem descritos irão ligar um ponto a outro. E será nesse desenrolar que a proposta revelará seus maiores acertos.

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Sim, pois tem-se aqui um dos gêneros mais maltratados pelo cinema hollywoodiano. Há dezenas – ou melhor, centenas – de obras praticamente iguais, com pouquíssimas variações entre si. A diretora e roteirista Leah McKendrick tem ciência disso, e não se preocupa em reinventar a roda. Apenas está ocupada em fazer o básico, guardando um ou outro momento de virada para atrair – e justificar – a atenção de sua audiência. Conhecida por seu trabalho como atriz (fez uma ponta em Perfeita é a Mãe!, 2016), começou a chamar atenção com o roteiro do remake Eu sei o que vocês fizeram no verão passado (2025). Até então, sua maior aposta havia sido o independente Mexido (2023), no qual assumiu as três frentes – como protagonista, no comando e no texto – e conseguiu ser selecionada para o SXSW Film Festival. Tal desempenho parece ter sido suficiente para que a Netflix depositasse nela essa aposta, tarefa que executa sem superar as expectativas, ainda que também não tenha desapontado.

Quase que uma colcha de retalhos de alguns dos títulos mais emblemáticos da dupla Tom Hanks & Meg Ryan, como Mensagem para Você (1998) e Sintonia de Amor (1993), Mensagens para Isabelle adiciona a essa mistura o fator “doença em jovens”, tão em alta há pouco tempo por causa de sucessos como A Culpa é das Estrelas (2014). Jill e Isabelle eram inseparáveis. Foram incontáveis os sacrifícios que a mais velha fez durante sua adolescência e primeiros anos de vida adulta para passar mais tempo com a irmã, sempre acamada devido à saúde frágil. Mas o foco não está na caçula. Ou seja, não na sua inevitável partida, mas no que acontece com aquela que ficou. Jill está em outra cidade, tentando se firmar na profissão que escolheu – chef de cozinha – e a última coisa que passa por sua cabeça é arrumar um namorado. A mudança do perfil da “mocinha”, por assim dizer, é mais do que bem-vinda.

Mas há também o rapaz – sim, pois fala-se aqui de um romance heterossexual. E ele é, mais uma vez, desenhado como o eterno conquistador, o adolescente que se recusa a crescer e troca de paixão assim como das próprias cuecas. Não quer se comprometer com ninguém, mas isso muda a partir do instante em que passa a receber as tais mensagens de uma estranha. É engraçado porque não há preocupação em explicar por qual razão, toda vez que ela liga, ele simplesmente não atende. Pois somente assim a que chama será direcionada aos recados em áudio. Enfim, detalhes. Um pormenor que conta com a suspensão da descrença da audiência para que os acontecimentos sigam em frente. Assim como se sabe que, uma vez que ele descobrir quem é essa garota de fato, não o fará com sinceridade, apresentando-se e explicando o que está acontecendo. O percurso é sempre o mais longo – e arriscado. Os dois se conhecem, se apaixonam, a mentira seguirá ali, entre eles, esperando a pior situação possível para se apresentar. E os desdobramentos disso são tão previsíveis, quanto todo o resto.

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Dito isso, importante relembrar: não é o início, e nem como acaba, que farão diferença. É o durante que conta. E este estará sobre os ombros de duas figuras carismáticas e envolventes. Zoey Deutch (filha do diretor Howard Deutch e da atriz Lea Thompson) tem alternado projetos ambiciosos (como o recente Nouvelle Vague, 2025, que lhe valeu uma indicação ao Film Independent Spirit Award) com produtos comerciais como esse aqui, e em ambos sua presença leve e repleta de charme se mostra suficiente para valer o investimento. Nick Robinson, por sua vez, começou sua carreira no gigantesco Jurassic World (2015) e com o queer Com Amor, Simon (2018), transitando entre extremos para explorar versatilidade e jogo de cintura. Os dois se mostram, nos papeis de Jill e de Wes, respectivamente, dignos de um interesse que, por mais que se saiba para onde leva, faz dessa jornada um passeio a ser percorrido com um sorriso no rosto. E é por isso que Mensagens para Isabelle consegue se manter firme, mesmo diante de tantos contras. Pois são os prós que, enfim, irão perdurar.

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é crítico de cinema, presidente da ACCIRS - Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (gestão 2016-2018), e membro fundador da ABRACCINE - Associação Brasileira de Críticos de Cinema. Já atuou na televisão, jornal, rádio, revista e internet. Participou como autor dos livros Contos da Oficina 34 (2005) e 100 Melhores Filmes Brasileiros (2016). Criador e editor-chefe do portal Papo de Cinema.

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CríticoNota
Robledo Milani
6
Miguel Barbieri
5
MÉDIA
5.5

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