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Sinopse
Em Maxita, o xamã yanomami Davi Kopenawa enfrenta as ameaças da expansão da mineração sobre seu território na Amazônia. Em uma jornada que o leva até Brumadinho, em Minas Gerais, ele testemunha as consequências do rompimento da barragem de 2019. Documentário.
Crítica
O cinema brasileiro vive um momento de atenção mais constante aos povos originários, e isso é algo que precisa ser celebrado. Nos últimos anos, obras como Martírio (2016), A Flor do Buriti (2023), Kopenawa: Sonhar a Terra-Floresta… para citar apenas alguns exemplos, mostraram que há espaço para olhar o país a partir de outras centralidades, menos convencionais e muito mais urgentes. Maxita, de Mariana Machado e Ana Maria Machado, chega a esse campo já bastante movimentado, herdando dele uma força temática que não se discute, mas também uma certa dificuldade de escapar da repetição. Há interesse, há assunto, há necessidade… o que não há tanto, infelizmente, é a sensação de novidade.

No enredo, Davi Kopenawa, xamã yanomami e uma das vozes indígenas mais importantes do Brasil, enfrenta a ameaça da chegada de grandes mineradoras ao seu território na Amazônia. A partir daí, a narrativa o acompanha em travessia até Brumadinho, em Minas Gerais, onde se depara com as marcas deixadas pelo rompimento da barragem de mineração em 2019. Entre a terra e o plano espiritual, sua jornada se cruza com a dos maxita watimapë – os “comedores de terra” – e com seu velho companheiro de luta, Ailton Krenak. A proposta é ambiciosa e carrega potência simbólica desde a origem, especialmente por conectar territórios, violências e memórias que o Brasil insiste em não resolver.
O problema é que o cinema indígena, quando se move por esse território de denúncia e resistência, corre às vezes o risco de se acomodar na força do tema. Maxita não foge totalmente dessa armadilha. Há momentos de grande relevância, sem dúvida, mas também sensação de que algumas ideias voltam demais, de que certos gestos já vêm acompanhados de um conhecimento prévio que o filme não precisa construir com tanta precisão. A repetição de imagens, intenções e discursos dá ao conjunto um ar de familiaridade que enfraquece seu impacto – vide a já costumeira participação de Krenak nesse tipo de projeto. O assunto continua sendo fundamental, claro, mas nem sempre a forma acompanha a altura dele. E, quando isso acontece, o longa passa mais pela consciência do espectador do que pela sua memória.

Ainda assim, Maxita é trabalho bem acabado, com respeito evidente ao que mostra e ao que quer defender. O mérito está na seriedade da abordagem e na escolha de não transformar a luta indígena em espetáculo. Só que, no frigir dos ovos, fica a sensação de uma obra menos inventiva do que poderia, menos potente do que seu tema exige. É aposta que pesa mais pelo que representa do que pelo que efetivamente deixa de marca. E, num cinema que já provou ser capaz de muito mais quando encontra a forma certa, isso acaba fazendo diferença.
Filme durante o 15º Olhar de Cinema: Festival Internacional de Curitiba (2026).
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