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A noite de abertura do 54º Festival de Cinema de Gramado foi daquelas em que parece que tudo conspira a favor de um artista: João Vitor Silva. Isso porque o ator tem bons motivos para aproveitar o momento. Estrela de Antártida (2026), filme de Bruno Safadi, que abriu oficialmente a edição, o ator chegou à Serra Gaúcha depois de um 2025 especialmente movimentado: esteve em Cinco Tipos de Medo (2025), vencedor da edição anterior do festival, integrou o elenco de O Agente Secreto (2025), destaque brasileiro no Oscar 2026, e agora também está no ar na TV aberta com a badalada novela Quem Ama Cuida. 

Aos 30 anos e celebrando 25 de carreira, ele ainda ganhou o carinho dos fãs no tapete vermelho, onde apareceu acompanhado da namorada, Iza. Em meio a essa fase em que parece difícil escolher qual conquista comemorar primeiro, João bateu um Papo de Cinema conosco na manhã deste sábado, 15, para uma conversa sobre Antártida, sua trajetória, o momento especial que vive e, claro, sobre o que pode vir depois de tudo isso. 

FESTIVAL DE GRAMADO 2026

JOÃO VITOR SILVA EM ANTÁRTIDA

Produzido pelo Núcleo de Filmes dos Estúdios Globo, em coprodução com a TV Globo e distribuição da Paris Filmes, Antártida acompanha cientistas e militares que se preparam para enfrentar o rigoroso inverno em uma base brasileira de pesquisa. A rotina do local muda completamente depois que Inês (Marina Ruy Barbosa) sofre uma violência, fazendo com que todos os homens da estação se tornem suspeitos. A subcomandante Elisabeth (Andréa Beltrão) lidera a investigação, enquanto o clima de tensão cresce entre os integrantes da equipe.

João interpreta Josué, personagem que ocupa espaço importante na construção dessa atmosfera de desconfiança. Ao explicar o que o atraiu para o projeto, o ator destacou principalmente a relação de confiança com o diretor e a possibilidade de trabalhar ao lado de nomes que admira.

Festival de Gramado 2026 :: Elenco de Antártida
Festival de Gramado 2026 :: Elenco de Antártida

Sou muito fã do trabalho do Bruno. Trabalhei com ele em Verdades Secretas e depois no filme do Júlio Bressane (Leme do Destino, 2023). A gente ficou amigo e, assim como a Leandra (Leal) falou, tudo que ele me convidar eu vou topar de olhos fechados. Em segundo lugar, veio esse elenco. Quando soube que estariam Andréa Beltrão, Lázaro, Leandra, Gero e Adélio, nomes de pessoas que admiro muito, pensar na possibilidade de estar numa sala de ensaio construindo com esse timaço foi um atrativo enorme para o filme.”

A preparação para Josué também envolveu a criação de elementos que não aparecem necessariamente de maneira explícita na narrativa. Segundo ele, o personagem carrega um trauma de infância que ajudou a construir suas características e sua relação com o mundo:o Josué tinha várias camadas. Uma delas era uma cicatriz muito grande, que ia do pescoço até o braço. Nos nossos estudos, construímos que ele havia sido queimado pela mãe, que jogou uma panela de água fervendo nele quando tinha aproximadamente oito ou nove anos. Então, ele cresce carregando esse trauma e essa dor”.

A construção de personagens atravessados por diferentes conflitos é justamente um dos aspectos que mais interessam ao ator atualmente. Para ele, esse tipo de trabalho também evidencia uma das possibilidades do cinema enquanto ferramenta de reflexão: gosto de personagens que não são uma coisa só, que têm várias camadas. E essa ideia da desconstrução, de trazer personagens masculinos que estão nesse processo, é importante porque o cinema, como ferramenta de educação e empatia, precisa colocar mais essas histórias na tela para conscientizar e levar informação ao público”.

“FIQUEI EXTREMAMENTE EMOCIONADO”

A sessão de abertura também permitiu que João assistisse ao resultado final de Antártida pela primeira vez na tela do festival. A experiência, segundo ele, confirmou a importância do projeto em sua trajetória recente: “sou muito fã do filme como um todo. Assisti ontem na tela e fiquei extremamente emocionado. Acho que o resultado está ali, está entregue”.

O envolvimento com o cinema representa uma etapa importante de uma trajetória que começou muito cedo na televisão. João estreou ainda criança e passou por produções como Kubanacan (2003) e Sítio do Picapau Amarelo (2005-2006), além de chegar ao cinema com Zuzu Angel (2006). Ao longo dos anos, nunca deixou de trabalhar em novelas, mas foi descobrindo outras possibilidades dentro do audiovisual.

Festival de Gramado 2026 :: João Vitor Silva
Festival de Gramado 2026 :: João Vitor Silva

Venho da teledramaturgia. Comecei com quatro anos de idade e cresci muito nesse meio da televisão. Quando fui ficando mais velho, comecei a estudar e a entender outras possibilidades. Foi quando o cinema me picou. Hoje, arrisco dizer que é uma das coisas que mais gosto de fazer dentro dos três campos do audiovisual. É um presente.”

25 ANOS DE CARREIRA E FASE ESPECIAL

A presença em Gramado acontece justamente em um momento de grande exposição para o ator. Depois de participar de Cinco Tipos de Medo, que conquistou importantes troféus na edição anterior do festival, Silva integrou o elenco de O Agente Secreto, produção que representou o Brasil no Oscar 2026. Agora, retorna a Gramado como uma das estrelas do filme de abertura.

É uma felicidade completar 25 anos de carreira vivendo esse momento. Estou fazendo produções marcantes, que estão levando o nosso cinema para fora. Tivemos O Agente Secreto, agora Cinco Tipos de Medo… está chegando 100 Dias… agora, com Antártida, temos mais esse movimento. Reconheço tudo isso como um presente do universo por 25 anos de carreira, me dedicando e sonhando em estar nos lugares que estou alcançando hoje.”

E, depois de alcançar espaços cada vez maiores, João já admite que a régua de suas próprias ambições também subiu: “vou ficar chato, porque agora vou querer mais. O que vem depois disso? O que vem depois do Oscar? Não sei.”

DE CINCO TIPOS DE MEDO A ANTÁRTIDA

A relação do ator com o Festival de Gramado começou, de certa forma, antes de sua chegada à Serra Gaúcha. No ano passado, Cinco Tipos de Medo foi um dos grandes vencedores, mas João não pôde acompanhar pessoalmente a passagem da produção pelo evento porque estava justamente filmando Antártida.

Eu nunca tinha vindo. No ano passado, apesar de Cinco Tipos ter vindo e ganhado, acho que foi o filme que mais levou as estatuetas, quatro ou cinco, se não me engano. Fiquei muito triste de não estar aqui vivendo aquela experiência. E não estava porque estava filmando Antártida. Até brinquei com o Bruno agora há pouco: ‘Você me tirou do festival ano passado, mas agora me trouxe, então está tudo zerado’.”

Se a ausência anterior deixou uma frustração, a estreia em Gramado não poderia ter acontecido de maneira mais especial. Em vez de chegar com um filme na disputa, Silva participou da abertura oficial, diante de um tapete vermelho lotado de fãs. Ao seu lado estava a namorada, a cantora Iza, que também acompanhou a noite de celebração. chegar aqui com o filme de abertura é muito leve, porque você não está competindo, vem para conhecer o festival. Acho que foi a melhor forma de pisar em Gramado pela primeira vez. Fui muito bem recebido e, apesar de ser a primeira vez, já estou me sentindo em casa. Espero voltar muitas vezes”.

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Fanático por cinema e futebol, é formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Feevale. Atua como editor e crítico do Papo de Cinema. Já colaborou com rádios, TVs e revistas como colunista/comentarista de assuntos relacionados à sétima arte e integrou diversos júris em festivais de cinema. Também é membro da ACCIRS: Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul e idealizador do Podcast Papo de Cinema. CONTATO: [email protected]

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