Resident Evil

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Sinopse

Em Resident Evil, Bryan é um entregador de medicamentos que se vê envolvido em uma noite caótica e aterrorizante quando uma situação inesperada coloca sua vida em risco. Sem compreender completamente o que está acontecendo, ele precisa atravessar uma sucessão de acontecimentos violentos e imprevisíveis enquanto luta para sobreviver em meio ao colapso ao seu redor. Horror.

Crítica

Funambulismo, segundo o Dicionário Aurélio, é a arte ou técnica circense de caminhar sobre corda ou cabo esticado em posição elevada. Em sentido metafórico, é mais ou menos isso que Zach Cregger se propõe a fazer com Resident Evil, novo capítulo cinematográfico da bilionária saga baseada nos games da Capcom. Depois de Noites Brutais (2022) e A Hora do Mal (2025), o diretor, que se tornou um dos nomes mais comentados do horror contemporâneo, encara uma propriedade cercada por expectativas. Afinal, é preciso ser fiel aos jogos? Conversar com os filmes estrelados por Milla Jovovich? Recuperar personagens conhecidos? Ou simplesmente usar esse universo para contar história própria? Cregger escolhe a última opção. E, ao colocar Austin Abrams como protagonista, encontra justamente no azarão Bryan uma maneira bastante simpática de caminhar sobre essa corda bamba. 

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Bryan é um entregador de medicamentos que recebe a missão de levar encomenda até Raccoon City. É noite fria, há neve pelo caminho e ele nunca esteve naquela cidade. No trajeto, encontra mulher aparentemente desnorteada, que logo revela estar muito longe de precisar apenas de ajuda para voltar para casa. A partir daí, começa uma descida ao inferno que envolve criaturas com sede de sangue, a Umbrella Corporation e uma cidade tomada pelo caos. É como se Cregger e Shay Hatten – roteirista que também trabalhou na saga John Wick e em investidas malfadadas de Zack Snyder: Rebel Moon e Army of the Dead: Invasão em Las Vegas (2021) – dissessem ao público algo bastante simples: vocês sabem o que esperar. Bryan não faz a menor ideia. E acompanhá-lo se torna uma diversão. 

A grande questão, naturalmente, é quanto de Resident Evil existe aqui. E talvez seja necessário voltar à pergunta mais básica: o que um filme precisa ter para ser, de fato, Resident Evil? Chris, Jill e Leon não estão por aqui, o que certamente pode frustrar quem esperava adaptação mais diretamente ligada aos protagonistas dos games. Mas há itens de cura, munição que precisa ser administrada, zumbis, Raccoon City, a Umbrella e, principalmente, atmosfera que entende a lógica do jogo. O longa também brinca com perspectivas em primeira pessoa, quebra-cabeças e situações que parecem saídas diretamente de uma partida. Vale lembrar: Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City (2021) já havia mostrado que fidelidade literal aos personagens não garante boa experiência. Cregger, portanto, entendeu que não precisa reproduzir o jogo para criar a sensação de jogá-lo. 

É bem verdade que o diretor pesa a mão na comédia. E esse talvez seja um dos aspectos mais discutíveis da empreitada. A atmosfera de medo e sobrevivência divide espaço com o timing cômico de Abrams, que interpreta um sujeito completamente despreparado para aquele pesadelo. Bryan não sabe atirar, tem medo, se atrapalha e parece sempre estar alguns passos atrás do perigo. No entanto, não chega a ser Todo Mundo Quase Morto (2004), com a veia cômica desmontando a tensão. Existe nele uma fagulha de sobrevivência que insiste em não morrer. É isso que nos coloca ao lado do personagem. E há uma ironia na trajetória de Cregger. Ele começou como realizador de cinema com a comédia adolescente Miss Março: A Garota da Capa (2009) antes de encontrar no horror seu território autoral. 

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A proposta, então, parece ser imaginar que essa história acontece em algum canto paralelo aos acontecimentos que já conhecemos. Enquanto Jill e companhia poderiam estar enfrentando seus próprios problemas em outra parte da cidade, Bryan está lá, completamente perdido, tentando simplesmente chegar ao destino. É maneira inteligente de abrir espaço para um novo universo sem precisar apagar o anterior. Ainda assim, algumas escolhas incomodam. A Umbrella perde parte do peso que deveria carregar, e a decisão de transformar praticamente todo zumbi convencional em… “outra coisa” (para não dar maiores spoilers) pode afastar quem esperava justamente o horror mais básico. Entre disparos e mordidas, nosso funâmbulo Cregger escolhe onde pisar, com Resident Evil encontrando caminho próprio, mostrando que a franquia pode avançar sem ficar presa ao passado. Resta saber até onde esse equilíbrio aguenta. 

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Fanático por cinema e futebol, é formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Feevale. Atua como editor e crítico do Papo de Cinema. Já colaborou com rádios, TVs e revistas como colunista/comentarista de assuntos relacionados à sétima arte e integrou diversos júris em festivais de cinema. Também é membro da ACCIRS: Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul e idealizador do Podcast Papo de Cinema. CONTATO: [email protected]
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