Crítica


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Sinopse

Após os humanos entrarem em guerra com os Autobots, a salvação da Terra recai sobre a aliança improvável do quarteto formado por Cade, Bumblebee, Sir Edmund e Vivian.  Eles terão que unir forças para encarar uma batalha na qual somente um mundo sobreviverá: o dos Transformers ou o dos homens.

Crítica

E pensar que tudo começou como um brinquedo de criança! Transformers, afinal, é uma marca da Hasbro, uma gigante do mercado de entretenimento infantil, a mesma dona dos G.I. Joe (no Brasil, quando lançados, se chamavam Comandos em Ação). Só que, ainda que a primeira incursão pela tela grande, com a animação Transformers: O Filme (1986), seja hoje em dia unanimemente esquecida, os longas comandados por Michael Bay a partir de Transformers (2007) arrecadaram, com os quatro episódios produzidos na última década, quase US$ 4 bilhões nas bilheterias de todo o mundo (além de sete indicações ao Oscar). É por isso que o lançamento do quinto capítulo – Transformers: O Último Cavaleiro – vem repleto de expectativas, principalmente por parte do público. É curioso perceber, no entanto, que na ânsia de realizar um filme plenamente inovador, o resultado tenha sido algo tão à frente do seu tempo que talvez nem os seus habituais admiradores consigam apreciá-lo por completo de imediato.

Se o original e suas duas sequências formavam uma trilogia fechada, sobre a história de um garoto (Shia LaBeouf) lidando com seus amigos robóticos extraterrestres, a partir de Transformers: A Era da Extinção (2014) o espectro da ação ampliou-se dramaticamente. É neste cenário em que O Último Cavaleiro tem início, primeiro dando um passo atrás – revelando o primeiro contato dos alienígenas com os humanos, em tempos remotos das lendas arturianas, em uma Inglaterra medieval – para seguir adiante em uma realidade em que Autobots e Decepticons são vistos, de forma conjunta, como uma ameaça. Eles estão sendo caçados pelos homens, e somente alguns ousam ficar ao lado deles. Entre estes estão Cade Yeager (Mark Wahlberg), que se tornou um fugitivo da justiça – o que explica a ausência de sua filha na trama, por exemplo. Ao seu lado acabam se juntando a jovem Izabella (a novata Isabela Moner), uma órfã, e Sir Edmund Burton (Anthony Hopkins), um aristocrata que conhece as verdadeiras origens dos robôs.

Michael Bay dirigiu os três primeiros filmes da franquia em sequência, só descansando a partir do terceiro (Transformers: O Lado Oculto da Lua, 2011). Foi quando se envolveu com o discreto, porém bem-sucedido, Sem Dor Sem Ganho (2013). Ali conheceu Wahlberg, e a parceria dos dois começou. Entre A Era da Extinção e O Último Cavaleiro conduziu o drama de guerra inspirado em fatos verídicos 13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi (2016), o que colocou ainda mais em evidência uma vontade de diversificar seus trabalhos. É por isso que tem declarado ser esse o seu último filme da saga Transformers, e caso mais um seja realizado, seu papel será apenas de produtor. No entanto, se é para ser um ‘adeus’, este é um no qual sua marca está impregnada do início ao fim. Filmado inteiramente com câmeras Imax 3D – segundo ele, o primeiro a ser desenvolvido neste formato – o resultado é incrivelmente impressionante. É uma experiência singular para todos os sentidos – dificilmente um espectador passará ileso a uma sessão do filme. E tanto para o bem quanto para o mal.

Isso porque O Último Cavaleiro é um longa que não oferece descanso à plateia. Mesmo com quase 2h30min de duração, é raro encontrar um plano que se estenda por mais de 20 segundos. Extremamente editado, é pontuado por efeitos digitais e de áudio do início ao fim, colocando a audiência literalmente no meio da ação. A questão é que esta é composta, quase que por completo, por ataques e defesas, bombas e explosões, destruição e violência. É um estouro atrás do outro, do início ao fim. Cade precisa reunir os poucos Autobots que estão sob seus cuidados, Izabella tem o pequeno Sqweeks consigo e Sir Burton, com o auxílio da pesquisadora Vivian Wembley (Laura Haddock), irá desvendar segredos do passado de todos os envolvidos, colocando cada um deles no centro de um conflito intergaláctico muito maior do que as meras ambições terráqueas, levando até o herói Optimus Prime a se ver indeciso sobre qual lado tomar nessa guerra.

Entre as novidades do elenco, destaque para a presença de Santiago Cabrera (de séries como Big Little Lies, 2017, e Heroes, 2006), que apesar de ter nascido na Venezuela e ter sido criado no Chile, segundo o material de divulgação defende um personagem brasileiro. Ele faz parte da força militar liderada pelo coronel Lennox (Josh Duhamel, de volta após ter participado da trilogia inicial), e de caçadores de Transformers logo se verão obrigados a repensar suas convicções. Quem também retorna é Stanley Tucci (que havia aparecido em A Era da Extinção), mas agora num novo personagem: ninguém menos do que o mago Merlin, oferecendo uma luz sobre a origem de seus poderes mágicos e como sua aliança com estes seres capazes de se transformar em outros foi decisiva para a consagração do Rei Arthur). Estes – assim como uma rápida citação visual de Shia LaBeouf – são mimos para os fãs, que demonstram respeito e apreço do cineasta pela mitologia criada até aqui e uma vontade de se fechar um ciclo. Tenha sido ele bem aproveitado por todos ou não.

Épico sob os mais diversos aspectos, Transformers: O Último Cavaleiro não é apenas um filme – até porque, no sentido mais literal da expressão, ele é deficiente em diferentes quesitos de avaliação, seja pelo enredo por demais linear, pelas atuações rasas (que apenas reagem ao que lhes é imposto) ou pelo formato videogame que assume com orgulho. Aproximando-se mais do conceito de espetáculo, é um produto como poucas vezes é possível encontrar, pois atende tanto ao entretenimento inebriante das matinês como ao deslumbre visual e sonoro que apenas as maiores telas podem proporcionar. Idealizado para ser consumido com pressa e urgência, atordoando sentidos e eliminando fronteiras, é uma obra à altura da megalomania do seu realizador e sob este prisma é que deve ser encarada. Um prato cheio para os fãs, e exatamente aquilo que qualquer um dos seus detratores já sabe de antemão que irá encontrar.

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é crítico de cinema, presidente da ACCIRS - Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (gestão 2016-2018), e membro fundador da ABRACCINE - Associação Brasileira de Críticos de Cinema. Já atuou na televisão, jornal, rádio, revista e internet. Participou como autor dos livros Contos da Oficina 34 (2005) e 100 Melhores Filmes Brasileiros (2016). Criador e editor-chefe do portal Papo de Cinema.

Grade crítica

CríticoNota
Yuri Correa
2
Matheus Bonez
3
MÉDIA
3.7

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