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Sinopse

Mia Hall acreditava que a decisão mais difícil que enfrentaria em sua vida seria ter que escolher entre seguir seus sonhos na escola de música Juilliard ou trilhar um caminho diferente para estar com o amor de sua vida, Adam. Mas o que deveria ter sido um passeio despreocupado com sua família muda tudo repentinamente e agora sua própria vida está em jogo. Quando se vê entre a vida e a morte, Mia tem pela frente apenas uma decisão que irá determinar não somente seu futuro, mas também seu destino.

Crítica

Há algo de estranho em Se Eu Ficar, e isso não é necessariamente ruim. Longa-metragem de pegada adolescente, deve agradar em cheio um público mais jovem e feminino, porém possui elementos suficientes para despertar também a atenção de uma fatia mais ampla da plateia. Seu diferencial pode estar no ritmo, mais lento e contemplativo – porém não sonolento – ou no tom do discurso, assumidamente romântico e reflexivo. A direção abre espaço para respiros necessários em uma trama como essa, além do elenco possuir uma rara sintonia, todos em conexão com o que está por vir. Ainda que acabe com o elemento surpresa da história – algo eliminado já nas sinopses ou mesmo no trailer de divulgação – ao menos serve para preparar a audiência para o drama que irá se desenvolver até sua conclusão, respondendo com ênfase a questão proposta pela condicional do título.

Veículo elaborado para o estrelato de Chloë Grace Moretz, a garota que despontou como a violenta Hit-Girl de Kick-Ass (2010) e desde então tem trabalhado ao lado de diretores como Martin Scorsese e Tim Burton, Se Eu Ficar lhe oferece a oportunidade de ser a protagonista absoluta – afinal, é no destino dela que nos prendemos após o acidente de trânsito que levará sua família para o hospital, todos em condições desesperadoras. A partir deste ponto o filme assume-se numa posição irreversivelmente espírita – lembrando muito o oscarizado Ghost (1990) – e passamos a acompanhar a visão dela dos fatos, ao mesmo tempo em que se encontra imóvel, em coma. A batalha para seguir vivendo, ou não, está só começando.

R.J. Cutler, conhecido diretor de televisão e de documentários (é dele o interessante The September Issue, 2009), estreia na ficção cinematográfica adaptando o romance de Gayle Forman. O roteiro, no entanto, ficou sob responsabilidade de Shauna Cross, a mesma de O Que Esperar Quando Você Está Esperando (2012), retrospecto que indica com precisão sua visão bastante feminista dos fatos. Em Se Eu Ficar, no entanto, os dois não se concentram apenas no que irá acontecer a partir da tragédia, mas também no desenrolar dos acontecimentos que envolveram essa menina até aquele momento. O foco, como não poderia deixar de ser num caso como esse, está no namoro quase angelical com o galã Adam (Jamie Blackley), na relação sempre afetuosa com os pais (Mireille Enos e Joshua Leonard) e no conflito a respeito do seu futuro profissional: nascida de uma mãe hippie e de um pai baterista e apaixonada por um roqueiro, ela é, no entanto, uma exímia violoncelista, e sonha seguir carreira na música clássica.

Ainda que seja previsível na sucessão dos seus eventos, é impossível não se emocionar em uma passagem ou outra de Se Eu Ficar – principalmente na participação final do veterano Stacy Keach, como o avô em seu adeus final. No entanto, mesmo assumidamente triste e melodramático, o enredo reserva situações muito ternas, como a sequência da felicidade ao redor da fogueira ou as interações familiares – os pais são simplesmente inspirados. Moretz, por outro lado, compõe um tipo delicado, mas que fica longe de refletir com exatidão um dilema tão crucial como o que, supostamente, sua personagem está enfrentando – ela mais corre de um lado para o outro, como um fantasma perdido entre dois mundos, ao invés de se impor como uma alma em conflito. Porém, sem exigir demais da plateia, é um filme simpático em sua construção, que se desenrola sem grandes tropeços, cumprindo com eficiência as expectativas – por mais descartáveis que sejam suas promessas.

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é crítico de cinema, presidente da ACCIRS - Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (gestão 2016-2018), e membro fundador da ABRACCINE - Associação Brasileira de Críticos de Cinema. Já atuou na televisão, jornal, rádio, revista e internet. Participou como autor dos livros Contos da Oficina 34 (2005) e 100 Melhores Filmes Brasileiros (2016). Criador e editor-chefe do portal Papo de Cinema.
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