Onde Assistir
Sinopse
Em Pressão, nas 72 horas que antecedem o Dia D, o General Dwight D. Eisenhower e o Capitão James Stagg enfrentam uma decisão que pode mudar os rumos da Segunda Guerra Mundial. Diante de condições climáticas imprevisíveis, eles precisam decidir entre iniciar a maior invasão marítima da história ou adiar a operação e colocar em risco o futuro da guerra.
Crítica
Ganhar um Oscar não é fácil de se conseguir. Isso é meio que senso comum. Todo mundo sabe o quão difícil é chegar até o momento em que seu nome é anunciado após a abertura do envelope da Academia. O que poucos falam, no entanto, é sobre como é complicado também o que vem depois desse instante de reconhecimento e celebração. Afinal, cada escolha seguinte do artista passa a ser mais observada, cobrada e exigida. Tanto é que muitos se referem aos diversos casos de “Maldição do Oscar”, ou seja, atores e atrizes que nunca mais conseguiram alcançar o mesmo nível de sucesso após terem conquistado suas estatuetas. Dois dos exemplos recentes que parecem possuir as condições para se encaixar nessa sina são Rami Malek (melhor ator por Bohemian Rhapsody, 2018) e Brendan Fraser (premiado por A Baleia, 2022). Nenhum deles tinha retrospecto de “injustiçado” (que merecia ter ganho antes), ambos estavam em suas primeiras indicações, e nada do que fizeram depois parece ser digno de nota. Curiosamente, se envolveram recentemente em projetos que abordavam episódios históricos, porém sob pontos de vistas inesperados – e bastante singulares. Em Nuremberg (2025), Malek se viu em meio ao que sobrou da Alemanha pós-Segunda Guerra Mundial como um… psiquiatra. Agora, é chegada a vez de Fraser aparecer em Pressão como uma figura definidora de um dos momentos mais críticos desse mesmo conflito, mas tendo como observador um… meteorologista! E se isso soou por demais entediante, acredite no seu instinto, pois é exatamente o que este longa se propõe a entregar ao espectador.

Para começo de conversa, há o título. Sim, é claro que, dado o contexto temporal ao qual o enredo se insere, os personagens estão por demais envoltos em muita cobrança, pois cada decisão pode significar a diferença entre a vitória e a derrota. Mas a referência pode ser entendida, também, como mais direta. Afinal, o que o general Eisenhower (Fraser) deseja saber do ‘homem do tempo’ vivido por Andrew Scott é se a pressão atmosférica estará adequada para a data escolhida como o ‘Dia D’, ou seja, quando as tropas irão invadir o norte da França para dar fim ao avanço nazista de Hitler sobre o continente europeu. E assim vão quase duas horas de conversa, discussões, debates e incertezas sobre algo que, enfim, não se pode afirmar. Qualquer pessoa, seja nos anos 1940 ou nos dias de hoje, sabe que o nome disso é “previsão do tempo”, ou seja, algo que se estima, mas nunca se tem 100% de garantia. O ser humano do século XXI segue acordando todos os dias e se informando, pelo rádio, jornal, redes sociais ou mesmo pelo app do seu smartphone, a respeito das condições do dia prestes a começar, e quantas vezes não é surpreendido nas horas seguintes com mudanças inesperadas? Por qual razão, quase um século atrás, isso seria diferente?
Após o sucesso de sua participação em Fleabag (2019), Andrew Scott tem vivido um momento de redescoberta. O drama Todos Nós Desconhecidos (2023) e a minissérie Ripley (2024) elevaram seu status em Hollywood, a ponto de agora surgir como o protagonista de Pressão. O problema é que este é um filme tão genérico e esquecível quanto seu nome. Tudo é por demais previsível, e em menos de meia-hora de história se é possível antever cada desdobramento da trama, inclusive o seu desfecho. Afinal, todo mundo sabe que os Aliados foram bem-sucedidos em seu intento. Não há grandes surpresas. Seria de se preocupar, portanto, não com o que se está contando, mas em como essa narrativa se desenvolve. Os nomes por trás desse projeto, porém, estão longe de serem os mais ousados ou criativos. David Haig é mais conhecido por seu histórico como ator (Quatro Casamentos e um Funeral, 1994) do que como roteirista (sua única incursão nessa área havia sido duas décadas atrás, em My Boy Jack, 2007). Já o diretor Anthony Maras também não é dos mais experientes: sua estreia foi com o thriller Atentado ao Hotel Taj Mahal (2018), igualmente baseado em fatos.
Com uma estrutura apoiada no decorrer de poucos dias, toda a dinâmica se confirma por demais frágil e de fácil antecipação. James Stagg (Scott, alternando entre o arrogante, diante dos subalternos, e comedidamente obstinado, frente aos superiores) é convocado pelo alto comando do exército britânico. Reunidos em um mausoléu nos arredores de Londres que poderia bem ter servido de cenário para Downton Abbey (2010-2015), lá estão sob o comando dos norte-americanos. Eisenhower (Fraser, evitando o histerismo militar que caracteriza o resto do elenco) precisa tomar uma decisão, mas desembarcar no litoral francês pode ser tão simples, quanto arriscado. Basta o tempo mudar, as ondas se elevarem, as nuvens se fecharem e todos os planos de invasão serão frustrados. Por isso que precisam de uma certeza meteorológica. E o embate se dará entre dois clichês: o escocês cordato e inflexível (Scott), de um lado, não se cansará em levantar problemas e demonstrar resistência diante da agenda sugerida, enquanto que o seu colega da América (personagem de Chris Messina, que só não tem seu carisma melhor explorado por falta de oportunidade) se apresenta quase como um bon vivant, aquele que olha para os céus e espera o melhor, que confia que tudo dará certo e não permite suspeitar de problemas de última hora. Agora, adivinhem qual dos dois estará certo?

Existem filmes que em suas premissas já provocam indagações do tipo: “como que isso foi aprovado?”. Não pela técnica ou excelência dos talentos envolvidos, mas pela simples escolha de seus assuntos. Nem tudo é digno de nota apenas por ter ocorrido de verdade. Esse mesmo momento, por exemplo, rendeu um filme absolutamente eletrizante, que foi sucesso de bilheteria e ganhou diversos Oscar (Dunkirk, 2017) há menos de uma década. Pressão, por sua vez, se apresenta com todas as peças no lugar, mas simplesmente não consegue ir além de um ponto morno de fraca ebulição. Entre mortos e feridos, vale ainda apontar a presença de Kerry Condon, que tem se especializado em ser uma coadjuvante mais interessante do que seus colegas masculinos protagonistas (como visto em F1: O Filme, 2025, ou em Mergulho Noturno, 2024, por exemplo). Ela é um dos poucos elementos reunidos em cena capaz de ir além do esperado, entregando charme em suas interações, ainda que pouco consiga fazer quanto ao rumo dos eventos. Uma exceção em meio a um conjunto que mostra apenas como mera curiosidade pontual, mas de pouca permanência.
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Grade crítica
| Crítico | Nota |
|---|---|
| Robledo Milani | 4 |
| Francisco Carbone | 3 |
| Suzana Vidigal | 5 |
| MÉDIA | 4 |

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