Destaque da mostra Expectativa do Festival do Rio 2026, Parasita do Coração nos leva para um futuro próximo, onde a realidade virtual tornou-se um refúgio para quem sofre. Nesse novo mundo, após a morte da filha, Avena tenta impedir que sua família desapareça por completo, enquanto o marido, Mark, se entrega cada vez mais à NeuraLife, um universo de inteligência artificial que promete conforto, continuidade e fuga. Para alcançá-lo, ela atravessa uma jornada desorientadora entre memória, tecnologia e desejo, na qual realidade e simulação se confundem.
A ficção científica é dirigida pelo casal Miriam Louise e Mitchell Arens, Amber Gray, Juan Riedinger, Ellie Reine, Derrick Baskin e Lillias White no elenco. Ambos também assinam o roteiro da aposta. E para falar mais sobre o longa, o Papo de Cinema conversou com Miriam Louise e Mitchell. A seguir, fique com um trecho em texto e, em seguida, com o bate-papo, na íntegra, em vídeo:
PARASITA DO CORAÇÃO :: ENTREVISTA COM OS DIRETORES MIRIAM LOUISE E MITCHELL ARENS
Filmado há cinco anos, o projeto nasceu de inquietações dos realizadores diante das mudanças provocadas pela tecnologia nas relações interpessoais. Na entrevista ao Papo de Cinema, os cineastas comentaram a origem do roteiro, o trabalho com a atriz Amber Gray, a parceria com a produtora brasileira Flávia Amon e as questões éticas e afetivas que atravessam o filme.

O título sintetiza uma das principais preocupações dos diretores: a maneira silenciosa e gradual como a tecnologia pode capturar a atenção e interferir na vida das pessoas. “É algo que cresce dentro de você e você não sabe que está acontecendo. Acontece lentamente e, então, tira algo de você. Para nós, é uma referência à tecnologia e à dor, que são os temas centrais do filme. Ambas podem nos capturar sem que percebamos como isso está acontecendo”. A metáfora ajuda a compreender a proposta de uma narrativa que aproxima uma experiência profundamente humana dos mecanismos digitais que, cada vez mais, ocupam espaço na intimidade.
A ideia surgiu da percepção de que a tecnologia estava modificando comportamentos e a capacidade de estabelecer conexões. Miriam e Mitchell desenvolveram o roteiro ao longo de anos, acompanhando transformações que tornavam a história progressivamente mais urgente.
“Começamos a perceber mudanças de comportamento, na maneira como nos socializamos, nos relacionamos e nos conectamos uns com os outros. Então pensamos: precisamos parar e olhar para isso. O que a tecnologia está usurpando? O que está tomando de nós? Estamos permitindo que coisas que pertencem ao domínio humano migrem muito rapidamente, e com muita facilidade, para o mundo tecnológico e digital”.
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