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Premiado como Melhor Direção no Festival do Rio 2026, Talismã é a mais nova aposta de Thais Fujinaga. Estrelado por Fernanda Chicolet, o filme segue Tereza, uma mãe solo que se divide entre dar aulas de dança e cuidar da filha, Pina, contando apenas com ajuda do pai idoso. Certo, dia, ela vê sua vida virar de cabeça para baixo quando a filha entra num reality de talentos mirins. Pina quer chegar à final, no Rio de Janeiro, desejando retornar para a sua cidade natal. Enquanto ensaiam, a menina reacende na mãe sonhos do passado.

E para falar mais sobre o longa, o Papo de Cinema conversou com Fernanda. A seguir, fique com um trecho em texto e, em seguida, com o bate-papo, na íntegra, em vídeo:

TALISMÃ :: ENTREVISTA COM A ATRIZ FERNANDA CHICOLET

Talismã foi desenvolvido ao longo de mais de uma década. O primeiro tratamento do roteiro, assinado por Fernanda, data de 2012. Anos depois, a atriz e roteirista uniu forças com a diretora Thais Fujinaga para contar a história de Tereza. Ela falou sobre as motivações pessoais por trás do projeto, a escolha da jovem Sofia Fugassi e as diferentes camadas de uma narrativa que vai além das críticas aos reality shows.

Talismã, Fernanda Chicolet
Talismã

“Essa é uma história que eu precisava contar. O Talismã virou uma obsessão, porque hoje eu tenho outros projetos e não sinto que nenhum deles tenha essa coisa de precisar ser o próximo a ser feito, sabe? Como eu tive com o Talismã. Eu acho que ele vem de muitos lugares meus”. Entre essas inspirações, está o uso da humilhação como instrumento de audiência nos reality shows, algo que a deixa abismada. A experiência com a publicidade também teve papel importante.

Há ainda uma identificação com a própria Tereza, uma mulher que luta para ser reconhecida em um ambiente profissional competitivo. “O fato de ser atriz e de estar num mercado que é muito menor do que o número de profissionais que estão nesse mercado também me inspirou. Eu tenho a sensação de que a Tereza se sente invisibilizada na produção dela, algo que eu também senti e sinto, assim como muitos outros colegas de profissão ao longo da minha trajetória”. 

E um dos grandes desafios da produção foi encontrar a intérprete de Pina, filha de Tereza e peça fundamental da narrativa. “A gente estava muito tenso com essa escolha, porque sabia o tamanho da importância dessa personagem no filme. Eu fiz até um pedido um dia antes do teste: que a gente conseguisse reconhecer a Pina, que a gente a encontrasse naquele teste”.

Sofia Fugassi foi a primeira criança a entrar na sala. Bastaram dois minutos para que Fernanda sentisse uma conexão imediata, embora a decisão final coubesse também à diretora. “Eu tinha certeza de que seria ela, porque bateu muito forte. Ela é uma criança que escuta muito, sabe jogar e tem uma curiosidade genuína. É muito bom trocar com ela, porque a gente percebe que ela está escutando mesmo, inclusive quando você muda o texto ou acontece alguma coisa diferente. Acho que isso é o que mais brilha no trabalho dela”. 

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Talismã, Fernanda Chicolet

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é crítico de cinema, presidente da ACCIRS - Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (gestão 2016-2018), e membro fundador da ABRACCINE - Associação Brasileira de Críticos de Cinema. Já atuou na televisão, jornal, rádio, revista e internet. Participou como autor dos livros Contos da Oficina 34 (2005) e 100 Melhores Filmes Brasileiros (2016). Criador e editor-chefe do portal Papo de Cinema.

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