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Sinopse
Em Pânico 7, um novo Ghostface surge na pacífica cidade onde Sidney Prescott reconstruiu sua vida, trazendo à tona os traumas que ela acreditava ter deixado para trás. O terror se intensifica quando sua filha se torna alvo do assassino, forçando-a a enfrentar novamente os horrores do passado para proteger sua família e tentar encerrar, de uma vez por todas, a sequência de massacres. Suspense.
Crítica
A volta de Neve Campbell não é a única novidade digna de atenção em Pânico 7. Aliás, o sétimo capítulo da saga iniciada num longínquo 1996 – sim, no século passado – celebra ainda o retorno do roteirista Kevin Williamson – função essa que não exercia desde Pânico 4 (2011). Porém, mais do que o texto, o autor responsável por tramas tão icônicas do terror recente, como Eu sei o que vocês fizeram no verão passado (1997) e Diários de um Vampiro (2009-2017), agora também está presente no comando da obra, assinando a direção. Essa, no entanto, era uma atividade que ele havia exercido apenas uma vez ao longo de uma carreira que vem atravessando décadas – sua estreia fora com o já esquecido Tentação Fatal (1999), um fracasso de público e de crítica que aparentemente havia encerrado as aspirações do cineasta nessa área. Pois bem, bastou uma crise nos bastidores de sua franquia mais famosa para não apenas resgatá-lo, como também para lhe conceder o posto de diretor. Algo que realiza com o empenho de quem sabe do que está falando, pregando para convertidos ao mesmo tempo em que fecha as portas para qualquer recém-chegado.

Dito isso, que fique claro: Pânico 7 não é recomendado para quem está chegando apenas agora nesse universo. Diferente dos dois longas mais recentes – Pânico (2022) e Pânico VI (2023) – que tentavam, por meio da inserção de novos personagens ou pela mudança de cenários, injetar ânimo a uma fórmula que há tempos vinha girando em torno de si mesma (quem lembra de Pânico: A Série de TV, 2015-2019?), este sétimo episódio propõe uma radical volta às origens, colocando mais uma vez a scream queen Sidney Evans de Campbell no centro da ação e fazendo uso de recursos que, por tanto serem reaproveitados, acabaram por se tornar características próprias facilmente identificadas pelos fãs. Mas além de “jogar para a torcida”, há também vontade de resgatar elementos que haviam sido não apenas esquecidos, mas menosprezados nas abordagens investigadas por outros realizadores. Este é, portanto, tanto uma sequência, como também um recomeço.
Deixando de lado a grande metrópole mal explorada do filme anterior, dessa vez a ação volta a se concentrar em na pequena cidade do interior, onde agora Sidney mora com o marido e filhos. O ambiente costumeiro é reforçado por uma estrutura familiar: a mãe e a filha adolescente (Isabel May, de Volta Pra Mim, 2022) que vivem às turras, uma impondo limites cada vez mais rígidos, enquanto a outra busca dar vazão a uma rebeldia crescente. Entre elas poderia se dizer que há um homem leniente – Joel McHale, de Community (2009-2015) – mas algo urgente se impõe. Se a presença paterna é quase uma distração, o verdadeiro antagonista às duas é, como esperando, o vilão Ghostface. Mas quem está por detrás da máscara? Seria mesmo Stu (Matthew Lillard, o Salsicha do live action de Scooby-Doo, 2002), que supostamente morrera em Pânico (1996)? Teria ele, de alguma forma, sobrevivido? Ou alguém estaria fazendo uso de sua identidade para atormentar a heroína e sua filha – aquela que, pelo jeito, deverá assumir a sina da mãe na lida com assassinos psicopatas mascarados?
É interessante observar como Ghostface, sendo uma ou mais pessoas por trás da máscara que parece estar derretendo, nunca tem um propósito claro em sua obsessão por matar. Ele existe apenas como ferramenta de eliminação, precisa destruir, acabar, extinguir, sem que isso lhe traga recompensa imediata ou mesmo duradoura. Há, supõe-se, uma satisfação momentânea, não no ato de promover a morte, mas como uma peça de videogame, com uma missão sendo cumprida um passo após o outro. Sidney, portanto, é o empecilho que surge em seu caminho atrasando-o nesse objetivo. E parece ser por isso que reside nela essa ânsia por persegui-la. Assim como outros personagens ao qual se alinha – Michael Myers, Jason Voorhees – o que busca é a obliteração dos sentidos. Seus atos não se justificam – apenas acontecem. A satisfação do público em acompanhá-lo vem mais de uma busca pela alienação e escapismo do que por uma real torcida pela sobrevivência, a despeito de todas as probabilidades, da mocinha em perigo. Afinal, a dinâmica se repete à exaustão: muitos devem morrer até que a mesma de sempre permaneça em pé, ao menos até o próximo episódio.

O humor segue como marca presente, e nisso a presença de Kevin Williamson faz, de fato, diferença. Por outro lado, agrupa muito em mãos, sem demonstrar a segurança necessária que indique o que fazer com cada um destes elementos. Assim, Pânico 7 tanto confirma a sobrevivência e manutenção da saga, como também torna visível uma fadiga inevitável que aponta para o passado num desespero por identificar caminhos a serem percorridos no amanhã. Neve Campbell não faz muito além do que já demonstrara em ocasiões anteriores, e Courteney Cox segue sendo pouco aproveitada – teremos algum dia uma história centrada na sua personagem? Com ambas meio que “passando o bastão” – uma para a filha, a segunda para a repórter mais jovem – prepara-se um cenário que possa até mesmo tirá-las de cena, menos o mais substituível de todos: o vilão misterioso. Afinal, pouco importa quem ali se esconde. E assim, há a garantia de que a máquina continuará em movimento, a despeito do que os fãs possam ou não imaginar.
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