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Sinopse
O Som da Morte acompanha um grupo de estudantes disfuncionais que encontra um Apito da Morte asteca amaldiçoado. Ao utilizarem o objeto, eles passam a ouvir um som aterrorizante que revela visões de suas próprias mortes, desencadeando uma corrida desesperada para escapar do destino. Horror.
Crítica
Talvez o mais intrigante a respeito de O Som da Morte não seja sua trama ou o desempenho dos seus atores em frente às câmeras, mas como algo tão básico e genérico, evidentemente derivado de tantas outras produções similares (O Chamado, 2002, e Corrente do Mal, 2014, são alguns dos mais evidentes), sequer chegou a ganhar sinal verde para sua realização. E, mais do que isso, o que teria sido prometido a nomes como Dafne Keen e Nick Frost para aceitarem participar de tamanha pataquada. Ambos já estiveram envolvido em produções de muito maior alcance – ele recentemente na versão live action de Como treinar o seu Dragão (2025), enquanto que ela será para sempre lembrada como o contraponto selvagem (e infantil, e feminino) de um herói em seus últimos momentos como visto em Logan (2017), papel que reprisou em Deadpool & Wolverine (2024). Mesmo assim, surgem aqui defendendo personagens rasos, munidos de motivações nada complexas e servindo a um roteiro pouco elaborado, pensado obviamente para arrancar reações imediatas da audiência, que se dissipam quase que imediatamente.

A estrutura é a velha conhecida: um grupo de amigos no colegial se vê vítima de uma maldição. Sem se darem conta, acabam todos jurados de morte, e agora precisam descobrir como salvarem a si mesmos e aos amigos. Cada um da turma representa um estereótipo diferente. Há a inadequada social, o nerd, o atleta, a gostosona e a bondosa. Eles acabam reunidos após um deles se deparar com um estranho artefato, provavelmente de uma civilização já extinta, que curiosamente estava abandonado em um armário da escola (como o aluno que teria sido a primeira vítima a teria encontrado, isso não vem ao caso). Bom, o fato é que não demora para ligarem a morte do antigo amigo ao que está lhes acontecendo agora. Basta soprarem no bocal da escultura para um estranho som se manifestar. O que descobrem é que esse seria o “chamado da morte”, ou seja, cada um afetado pelo ruído irá morrer nos próximos dias.
Não se pode afirmar que tudo é desperdício no filme de Corin Hardy, o mesmo diretor do malfadado sucesso A Freira (2018). A partir do roteiro de Owen Egerton – que entre outros títulos do gênero, escreveu também a animação Bons de Bico (2013) – algumas ideias pertinentes lutam pra sobreviver até o fim de um festival de desperdícios e apropriações. Para começar, a morte a qual cada um dos personagens se vê sujeita não é, necessariamente, aleatória. Como a única certeza da vida é que um dia todo ser humano irá morrer, o que o tal assobio provoca é uma “antecipação” desse fato: ou seja, cada amaldiçoado terá seu tempo de vida abreviado, e deverá morrer exatamente como previsto em sua linha de existência. Se num incêndio, morrerá carbonizado. Se de câncer nos pulmões, como se tivesse enfrentado o curso de uma doença em questão de minutos. Se de velhice, será por deficiência dos órgãos, mesmo que se trate de uma adolescente.
A maneira como encontra para driblar esse destino é tão absurda, quanto improvável. Talvez por isso, não mereça uma maior investigação a respeito. Mas vale apontar para o tanto de reviravoltas as quais o filme se sujeita até conseguir organizar seus elementos de acordo com o seu interesse, mesmo que tais disposições não façam sentido diante dos anseios destes mesmos personagens. Em determinado momento, por exemplo, um traficante está amarrado a uma cadeira, prestes a ser executado. Algo acaba tirando o interesse dos demais sobre ele, e uma vez que se vê solto, ao invés de escapar, o rapaz faz exatamente o contrário: parte atrás daqueles que o deixaram para trás, supostamente buscando uma vingança de quem nada havia feito contra ele – pelo contrário, foi a interferência destes que permitiu sua fuga. Enfim, são por despropósitos como esse que a narrativa não consegue minimamente se sustentar.

Essa figura do submundo, que vende uma imagem respeitável na comunidade ao mesmo tempo em que lida com drogas por baixo dos panos, poderia render uma boa discussão a respeito de fanatismo religioso e os perigos que a fé cega pode ocasionar. Um debate que talvez elevasse o conjunto de uma vala comum, mas que exigiria um esforço do qual os realizadores não estão dispostos. Por outro lado, também não fazem muito alarde a respeito de fazerem de um casal lésbico as verdadeiras heroínas da história. O envolvimento das duas é orgânico, e mesmo um eventual bullying escolar não apenas é evitado, como nem mesmo cogitado. Uma naturalidade saudável, mesmo em meio a um ambiente tão insalubre como o que aqui se apresenta. O Som da Morte exagera no barulho, mas chama atenção mesmo por aquilo que faz em silêncio. Pode ser pouco, mas ainda assim, digno de nota.
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Grade crítica
| Crítico | Nota |
|---|---|
| Robledo Milani | 3 |
| Ticiano Osorio | 1 |
| Alysson Oliveira | 1 |
| MÉDIA | 1.7 |

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