Crítica


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Sinopse

O jovem Mestre-Construtor Lloyd, também conhecido como Ninja Verde, está sempre ao lado de seus amigos, que são todos guerreiros ninja secretos. Guiados pelo Mestre Wu, que é tão rabugento quanto sábio, eles precisam derrotar o vil senhor de guerra, Lorde Garmadon, “O Pior Cara de Todos”, que também é pai de Lloyd. Com duelos de habilidades e poderes, de pai e filho, o confronto épico vai colocar em jogo o futuro deste corajoso, mas também indisciplinado grupo de ninjas modernos, que terão que aprender a deixar de lado seus egos e se unir para encontrar e libertar seus reais poderes de Spinjitzu.

Crítica

Brinquedos e cinema são parceiros de longa data. E se alguns casos dão muito certo – basta lembrar da franquia Transformers, que já arrecadou mais de US$ 4,3 bilhões no mundo todo – há tantas outras apostas que acabam se revelando grandes fracassos (de Mestres do Universo, 1987, até Max Steel, 2016, a lista é longa). As peças de montar LEGO, no entanto, pareciam ter encontrado a fórmula perfeita: bom humor, muita ironia, roteiros engenhosos, diálogos afiados e uma animação que não só deixava clara suas origens, como brincava com criatividade com a imaginação dos seus fãs e admiradores. Uma Aventura LEGO (2014) deu tão certo que chegou a ser indicado ao Oscar (Melhor Canção Original) e ganhou o Bafta, na Inglaterra, como Melhor Longa de Animação, além de ter arrecadado quase US$ 500 milhões nas bilheterias mundiais. O seguinte LEGO Batman: O Filme (2017) serviu para mostrar que a fórmula se repetia, mas ainda com alguns bons momentos – e o embalo garantiu mais US$ 312 milhões no caixa. Já esse LEGO Ninjago: O Filme é a repetição da repetição, sem absolutamente nada de original a acrescentar. E o fracasso de público e de crítica que registrou em seu lançamento nos Estados Unidos é não apenas justo, mas também um alerta para as futuras iniciativas da saga.

Para quem viu os primeiros filmes, por exemplo, LEGO Ninjago é ainda mais frustrante, pois se trata de uma refilmagem quase fiel de LEGO Batman, produção lançada no início deste mesmo ano – ou seja, ainda está bem recente na memória dos espectadores. Se no anterior tínhamos Batman e o vilão Coringa, um enfrentando o outro até se descobrirem ligados de uma forma mais íntima, agora temos o herói Lloyd – um jovem fraco e sem amigos que assume a identidade secreta do Ninja Verde, o herói da cidade – e Garmadon, o grande vilão que a todo custo quer destruir a vila de Ninjago – e que, por acaso, vem a ser o pai legítimo do protagonista. Ou seja, a estrutura dramática é exatamente a mesma – mudam-se apenas os nomes dos peões.

Tem-se em cena esse grupo misterioso de ninjas, cada um representando uma entidade – Terra, Fogo, Água, Raios e Fogo – mais o líder, o especial, o Verde (que, curiosamente, não sabe muito bem para que serve). Assim como o Coringa só existe por causa do Batman, e vice-versa, em Ninjago o mesmo se repete: os ninjas apenas são necessários por causa da ameaça constante de Garmadon, o vilão de quatro braços e todo vestido de preto (por que será?) que quer a todo custo dominar a cidade, ainda que não saiba muito bem o que fará com ela se for bem sucedido (outra ‘coincidência’: tanto Gothan City quanto Ninjago possuem prefeitas no comando do poder municipal). Estamos no dia do aniversário de Lloyd, um garoto que não quer ir à escola para não sofrer bullying dos colegas – todo mundo sabe que ele é filho do bandido que causa dor de cabeça a todos, menos o próprio, que se recusa em reconhecer a paternidade. Um garoto em busca de um pai, como poderia ser mais óbvio?

LEGO Ninjago, como se percebe, portanto, só existe por um propósito: atender às demandas cada vez maiores do público oriental. Em sua estreia nos Estados Unidos, arrecadou pouco mais de US$ 20 milhões – menos do que a metade dos US$ 53 milhões alcançados por LEGO Batman e menos do que um terço dos US$ 69 milhões atingidos por Uma Aventura LEGO. O fracasso só não foi declarado porque ainda não foi lançado em nenhum país do oriente até o momento – na Coréia do Sul chegará no dia 28, e no Japão em 30 de setembro. Após atingirem seus públicos alvos, certamente os resultados tenderão para outros lados, talvez justificando a empreitada. Afinal, qual a razão de se fazer dois filmes praticamente iguais, se não para atender audiências completamente distintas?

Uma das grandes sacadas de Uma Aventura LEGO eram seus minutos finais, quando o ator Will Ferrell entrava em cena, deixando claro que tudo não passava de uma grande brincadeira. LEGO Ninjago estraga até mesmo essa surpresa, pois já começa com Jackie Chan, e quando parte para o momento fantasia, este logo é interrompido pelo gato da loja de quinquilharias, que surge como a “grande ameaça peluda” (ou algo que o valha). Não há mais a mesma magia, como se percebe, pois essa não surge inesperada, sendo, muito pelo contrário, anunciada desde o princípio. Não há mais razões para se investir no mistério, em jogar para um espectador que precisa ser conquistado. Tem-se tanta certeza de que o jogo está ganho, que se esquecem do principal: da torcida. E ao pregar apenas para os já convertidos, suas possibilidades são drasticamente reduzidas. Afinal, você já viu isso aqui antes. E foi muito melhor.

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é crítico de cinema, presidente da ACCIRS - Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (gestão 2016-2018), e membro fundador da ABRACCINE - Associação Brasileira de Críticos de Cinema. Já atuou na televisão, jornal, rádio, revista e internet. Participou como autor dos livros Contos da Oficina 34 (2005) e 100 Melhores Filmes Brasileiros (2016). Criador e editor-chefe do portal Papo de Cinema.
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Grade crítica

CríticoNota
Yuri Correa
5
MÉDIA
4.5

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