Crítica
Leitores
Onde Assistir
Sinopse
Em Hardware: O Destruidor do Futuro, um ex-soldado recolhe partes de um androide para que sua namorada Jill, que é escultora, possa utilizar em sua arte. O robô é um protótipo de um dróide assassino que se remonta caso seja danificado. Ele se conserta usando as esculturas de Jill e volta a cumprir sua missão inicial: matar todos os seres humanos. Ficção científica.
Crítica
Um deserto vermelho. Não o simbólico de Michelangelo Antonioni, mas o literal. É com essa visão que Hardware: O Destruidor do Futuro (subtítulo dispensável, escolhido pelos distribuidores brasileiros) tem início, deixando claro que estamos diante de um futuro distópico, onde radiação e pobreza dominam. O diretor Richard Stanley, que afirmou em entrevistas ter tido um sonho com algo semelhante à cena de abertura do filme, prova com esta produção ter se tornado um ícone do cinema de horror dos anos 90, tendo talento de sobra para criar atmosfera e matanças. Já para conduzir elencos…o buraco é mais embaixo.

Hardware tem citações bíblicas e um falso protagonista de nome Moses. Mas as referências católicas não atrapalham o realmente importante, que é tocar o terror no futuro por meio de um robô, Mark 13 (mais um fruto das escrituras sagradas), que, após recarregar suas energias, realiza uma automontagem e segue seu destino: destruir tudo e todos que cruzarem seu caminho. O fato de Moses, interpretado pelo fraco, mas carismático Dylan McDermott, ser um falso protagonista se confirma quando a trama chega ao ápice e a verdadeira heroína da história se revela. Jill, vivida pela inexpressiva Stancey Travis. Ela engana o espectador nos primeiros minutos, dando a entender que é apenas a namorada artista plástica e pouco afetuosa de Moses. Mas é por suas mãos que o vilão ganha vida e, principalmente, as cores da bandeira americana em seu crânio. Uma crítica política que agradava nos anos 90 e ainda provoca sorrisos.
Não bastasse ter culpa no retorno de Mark 13 à ativa, Jill ainda está presente nas melhores cenas de embate com o robô assassino. É dentro de seu apartamento cheio de fios, computadores e sucata eletrônica, numa clara referência a Brazil: O Filme (1985), de Terry Gilliam, que Hardware mostra porque é um clássico. Até a péssima atuação de Travis cai para segundo plano diante de momentos como a briga dentro do chuveiro. Lembra Psicose (1960) apenas pela cor dos azulejos, já que a sutileza de Alfred Hitchcock dá lugar a muito sangue, cacos de vidro e pauladas. Moses até tem o seu momento auge, com direito a ópera na trilha sonora e muitos cortes para livrar-se do veneno fatal injetado por Mark 13. Uma cena com toques de giallo, uma das paixões confessas do diretor.

Hardware faz feliz o fã de cinema de horror, em especial os apreciadores de cenários apocalípticos. Só não é perfeito pela falta de talento do elenco. A única que se salva é a “voz” de Iggy Pop, roqueiro interpretando um locutor de rádio. Talvez com outros atores as coisas seriam diferentes, como a higiênica cena de sexo entre Moses e Jill, em contraste com o suado Link, o vizinho tarado, obcecado por ela. Mas o que fica mesmo na lembrança é a violência gráfica e a belíssima fotografia em tons de vermelho, que abrem e fecham o filme. Em tempos como os nossos, onde o branco domina os cenários futurísticos, um pouco de poeira e metal é sempre inspirador.
Últimos artigos deBianca Zasso (Ver Tudo)
- Henfil - 7 de outubro de 2018
- A Vida Extra-ordinária de Tarso de Castro - 14 de abril de 2018
- A Guerra das Crianças - 6 de abril de 2018
Grade crítica
| Crítico | Nota |
|---|---|
| Bianca Zasso | 7 |
| Ailton Monteiro | 6 |
| MÉDIA | 6.5 |

Deixe um comentário