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Sinopse
Em Eu e Você na Toscana, uma jovem que abandonou o sonho de ser chef vê sua vida desandar ao perder trabalho e moradia, decidindo viajar para a Itália após conhecer um homem ligado a uma propriedade próxima a Florença. Ao invadir o local, acaba confundida com a noiva dele, dando início a uma farsa que se complica. Comédia romântica.
Crítica
A regra é clara e quase automática nas comédias românticas: o acaso nunca é apenas acaso. Ele funciona como engrenagem dramática, uma força de destino cuidadosamente roteirizada. De Aconteceu Naquela Noite (1934), em que uma herdeira em fuga e um jornalista charmoso compartilham a mesma viagem por pura coincidência, até Uma Linda Mulher (1990), no qual um milionário perdido cruza o caminho de uma garota de programa no exato momento em que ambos parecem prontos para mudar de vida, o gênero constrói sua lógica a partir de encontros improváveis que precisam soar inevitáveis. A linha que separa os clássicos que resistem ao tempo – como os citados – dos subprodutos que desaparecem sem deixar rastro, como este Eu e Você na Toscana, está justamente na capacidade de sustentar essa ilusão sem que ela desmorone à vista. Quando a costura é frágil, sobra apenas a engrenagem exposta.

A trama tenta seguir a cartilha do escapismo geográfico que já funcionou em títulos como P.S. Eu Te Amo (2007) – quase um cartão-postal cinematográfico da Irlanda para uma geração inteira – mas agora desloca o cenário para a ensolarada Itália. Acompanhamos Anna (Halle Bailey), jovem em deriva após a morte da mãe, dividida entre as responsabilidades da vida adulta e um imaginário ainda infantilizado enquanto trabalha cuidando de casas de luxo. Após ser flagrada pela dona de um apartamento (Nia Vardalos) usando suas roupas caras, acaba se recolhendo no hotel onde a melhor amiga, Claire (Aziza Scott), trabalha.
Entre lanches e desabafos de quem largou a faculdade de gastronomia, conhece Matteo (Lorenzo de Moor), italiano ligado aos negócios da família, mas em fuga emocional. Quando ele retorna à Europa e deixa uma carta incentivando-a a ir até lá, Anna atravessa o oceano e se instala na vila do rapaz fingindo ser sua noiva. A farsa se sustenta, a família acredita, e o enrosco está armado. Mas nesse turbilhão, ela se apaixona de verdade por Michael (Regé-Jean Page), primo de Matteo.
O que se vê, porém, é um fiapo de roteiro que se apoia na própria fragilidade. A protagonista soa mais ingênua do que o gênero costuma permitir, e os conflitos se organizam de forma tão artificial que a impressão é de que o filme apenas posiciona Halle e Page diante de um cenário idílico e espera que a química faça o resto: “vocês são lindos, convenientemente negros em uma região predominantemente branca… agora deem um jeito de se apaixonar”. A fragilidade estrutural se torna ainda mais evidente quando se observa a assinatura do script. A história é de Kristin Engle, em parceria com Ryan Engle, roteirista cujos principais méritos anteriores envolvem o cinema de pancadaria e testosterona de Liam Neeson, como Sem Escalas (2014) e O Passageiro (2018). A transição do suspense de ação para a delicadeza do romance europeu claramente não funcionou.

Diante de material tão esvaziado, torna-se tarefa ingrata para o elenco tentar criar algum tipo de conexão legítima ou apelo emocional com o espectador. Tudo em Eu e Você na Toscana exala atmosfera plastificada, com forte aroma de “conteúdo instagramável” planejado por algoritmos de engajamento e estética voltada para o TikTok, onde cada frame se preocupa mais em parecer um filtro bonito do que em carregar verdade dramática. No final das contas, a produção comandada por Kat Coiro se revela passatempo descartável, perfeitamente moldado para os tempos atuais de atenção fragmentada: um projeto feito sob medida para se assistir com o celular na mão, checando notificações sem o menor medo de perder qualquer virada relevante na trama.
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