El Ser Querido

Crítica


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Sinopse

Em El Ser Querido, o cineasta Esteban Martínez, conhecido tanto por sua carreira consagrada quanto por um passado marcado por violência e excessos, inicia um novo projeto. Ele oferece à filha Emilia um papel no filme, sob a justificativa de impulsionar sua carreira como atriz. Drama.

Crítica

As comparações entre El Ser Querido, de Rodrigo Sorogoyen, e Valor Sentimental (2025), de Joachim Trier, vencedor do Grande Prêmio do Júri em Cannes, fazem sentido: ambos tratam de diretores de cinema consagrados que resolvem convidar a filha atriz para protagonizar sua próxima produção. O convite é uma tentativa de reaproximação por parte de pais distantes e relapsos.

No caso do longa espanhol, o histórico de Esteban Martínez (Javier Bardem) é pior ainda: Emilia (Victoria Luengo) nasceu de uma breve relação com a atriz de um de seus primeiros trabalhos, e ele nunca a assumiu publicamente. Além disso, Emília não é uma intérprete de destaque nem no cinema, nem no teatro, como a personagem de Renate Reinsve na obra norueguesa citada acima. Por isso a surpresa, por parte dela, quando ele marca um encontro para fazer o convite.

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É a cena (primorosa, por sinal) que abre El Ser Querido. Sorogoyen filma o longo diálogo de quase 15 minutos alternando closes e estimulando a curiosidade do espectador. Este demora a descobrir que se trata de pai e filha. A dúvida permanece até que uma lembrança por parte dela se manifesta. Trata-se de um episódio traumático sobre uma ida ao cinema dos dois para assistirem a Kill Bill: Vol. 2 (2004), quando era ainda adolescente. Nesse momento há uma quebra no clima amistoso do encontro.

Mesmo assim, Emilia resolve aproveitar a oportunidade e aceita o trabalho. Quase todo o restante do filme se passa no deserto do Norte da África, durante as gravações de um épico ambientado no período em que parte do Saara era ocupado pelos espanhóis. O comportamento de Esteban no set é o de um diretor controlador e obsessivo com os detalhes, que impressiona a equipe com seu conhecimento e talento, mas parece incapaz de perceber que certos comportamentos de assédio moral que eram aceitos como “método” no passado já não são mais tolerados pelos subordinados.

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A gravação de uma cena, na qual os atores não conseguem recitar suas falas sem terem um ataque de riso, diverte o espectador até o momento em que Esteban tem um rompante de fúria e submete sua filha a uma terrível humilhação em frente aos demais. Sua explosão confere ao lugar a uma atmosfera de tensão constante que remete ao ótimo As Bestas (2022), projeto anterior do diretor que fora exibido fora de competição em Cannes em 2022. Entre um filme e outro, o realizador de 44 anos dirigiu para a MUBI a série de TV Os Anos Novos (2024), e mostra agora que segue evoluindo como um especialista em relações humanas conturbadas.

Filme visto durante o 79º Festival de Cannes, em maio de 2026

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é crítico de cinema do jornal O Globo desde 2006, editor do website Criticos.com.br, professor de cursos livres de cinema, diretor e roteirista da série "Na Trilha do Som", disponível no Curta On/Prime Video. É autor do livro “Revisão Crítica” (Autografia). Foi presidente, entre 2003 e 2006, da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro. Como membro da FIPRESCI, presidiu o júri da crítica no Festival de Cannes de 2024 e foi jurado em diversos outros festivais internacionais, como Veneza, Berlim, Rotterdam, etc. Na TV, apresenta o Cineclube Futura (Canal Futura), trabalhou como crítico e comentarista do canal Telecine Cult e foi colunista do programa Revista do Cinema Brasileiro, na TV Brasil.
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