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Sinopse
Em Adulto/Homem, um grupo de atores aguarda por testes de elenco enquanto expõe, por meio de seus rostos, gestos e silêncios, expectativas, inseguranças e desejos. A obra utiliza esse momento de espera para refletir sobre identidade, ambição e a condição humana. Documentário.
Crítica
Pedro Diogenes já não é exatamente promessa do cinema brasileiro. Ao longo dos últimos anos, construiu trajetória marcada por um olhar sensível para traumas, afetos, desejos e corpos que raramente encontram espaço nos retratos mais convencionais. Obras como A Filha do Palhaço (2022) ajudaram a consolidar essa identidade. Nos trabalhos mais recentes, porém, percebe-se uma inquietação diferente. Centro Ilusão (2024) já apontava para um desejo de experimentar formas menos tradicionais de narrativa. Agora, com Adulto/Homem, o cineasta mergulha de vez nesse território. É proposta que dificilmente encontrará meio-termo: haverá quem se encante e haverá quem rejeite completamente. Ainda assim, mesmo distante dos dramas mais acessíveis de sua filmografia, a assinatura de Diogenes permanece evidente no respeito que dedica às pessoas diante da câmera.

A premissa é tão simples quanto radical. O que podem dizer vinte rostos de atores à espera de um teste de elenco? A resposta surge em espécie de carrossel humano. Um rosto aparece, depois outro, depois mais um. Enquanto observamos essas feições, escutamos memórias, expectativas, frustrações e inseguranças que habitam a vida de quem escolheu interpretar para viver. Não há reviravoltas, conflitos tradicionais ou grandes acontecimentos. Em muitos instantes, a experiência pode até parecer monótona para espectadores acostumados a montagens mais movimentadas. Mas existe certo charme nessa recusa em correr.
Naturalmente, não será jornada fácil para todos. Adulto/Homem exige disposição para embarcar em uma experiência que se constrói mais pela escuta do que pela ação. São relatos frequentemente tocantes, carregados de humanidade, mas que dependem bastante da participação do espectador. É um filme que pede imaginação. Quase como acontece diante de um livro, vemos pouco e completamos muito. Há ousadia nessa escolha. E embora nem sempre funcione com a mesma intensidade, existe algo admirável em um cinema que ainda se permite correr riscos em vez de repetir fórmulas já testadas. Para quem estiver disposto a percorrer caminhos menos convencionais, a recompensa pode surgir justamente desse estranhamento inicial.

E talvez a grande virtude dessa empreitada esteja no fato de que suas reflexões ultrapassam o universo dos atores. Afinal, a insegurança diante do futuro não pertence apenas a quem vive de testes de elenco. Prestadores de serviço, trabalhadores autônomos e profissionais de diferentes áreas provavelmente reconhecerão algo de si mesmos nesses depoimentos. E, convenhamos, num mundo cada vez mais atravessado instabilidade – inclusive diante do avanço da inteligência artificial sobre diversas funções – a pergunta sobre o que nos espera amanhã parece mais presente do que nunca. Diogenes percebe essa inquietação e a transforma em matéria-prima. Nem todas as escolhas encontram o mesmo equilíbrio. Em alguns momentos, o exercício exige mais do que entrega. Ainda assim, permanece a sensação de estar diante de uma obra que prefere ousar a se acomodar. E isso, por si só, já tem valor.
Filme durante o 15º Olhar de Cinema: Festival Internacional de Curitiba (2026).
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