A Tiro de Pedra

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Sinopse

Em A Tiro de Pedra, Jacinto Medina está cansado de sua vida de pastor no norte do México. Um dia ele encontra uma chave durante uma caminhada e acredita que ela seja o caminho para realizar seu sonhos. Longa mexicano exibido no 39° Festival de Cinema de Gramado. Aventura.

Crítica

O representante mexicano no 39° Festival de Cinema de Gramado, A Tiro de Pedra, é um filme que engana bem. Parece ser muito bom, mas não resiste a uma observação mais profunda. Exibido com um misto de expectativa e frustração, foi recebido mais com curiosidade do que sincera apreciação. Isso porque a cópia em película não chegou a tempo, obrigando a organização do evento a exibir uma cópia de serviço em dvd, com qualidade de imagem bastante inferior. Nada que tenha prejudicado a percepção desse interessante trabalho, que tem como maior destaque a atuação intensa de Gabino Rodriguez, o protagonista, que curiosamente ganhou o kikito de Melhor Ator aqui em Gramado no ano passado, por Perpetuum Mobile (2008).

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Esse novo trabalho prende a atenção do espectador mais dedicado, que conseguir abstrair a estranheza do que motiva um criador de cabras do interior do México a abandonar família e trabalho para entrar ilegalmente nos Estados Unidos e partir, obstinadamente, até Oregon, guiado apenas por uma imagem que encontra ao acaso em um chaveiro perdido no meio do mato. Não sabemos o que o move, o por quê de suas ações e o que espera obter com essa radical mudança de vida. O rapaz não fala inglês, obviamente não possui estudo nem cultura, e não sabe muito bem o que fazer da própria vida. Mora com um tio, mas não se tem informações sobre o resto da família. O que é dividido com o espectador é apenas uma insatisfação crescente com aquele trabalho de gerações e um inexplicável interesse por trens.

Jacinto Medina, o personagem principal, tem um quê de Forrest Gump (1994). Ele não tem muita noção do que está acontecendo ao seu redor, e mesmo assim segue em frente. No desenvolver da história se envolve com uma prostituta – e faz dela seu único contato com a humanidade. É assaltado não só uma, mas duas vezes, e pelos motivos mais tolos. Talvez o principal deslize do realizador seja transformar o protagonista de vítima em vilão, quando, para sobreviver, assalta um casal que caminhava despreocupado pela rua. Tudo bem, o garoto precisava comer e se aquecer. Mas o vemos apenas uma vez pedindo emprego. Afinal, trata-se de um coitado ou de um vagabundo? Estamos diante de alguém obstinado ou simplesmente desocupado?

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A conclusão da trama é um pouco frustrante, pois nada fica claro. Ou seja, compete ao espectador preencher as diversas lacunas que são deixadas abertas pelo caminho. Mas esse é um filme em que o meio é mais relevante do que o fim. O trajeto até lá é não só mais rico como também envolvente e repleto de leituras e possíveis análises. Um longa diferenciado e dono de inegáveis e evidentes méritos. Mas que também poderia ser muito melhor, caso a empatia do público com o que se passa na tela tivesse sido mais fortalecida e o interesse pelos acontecimentos fosse legítimo e justificado, e não motivado por uma mera e passageira curiosidade.

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é crítico de cinema, presidente da ACCIRS - Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (gestão 2016-2018), e membro fundador da ABRACCINE - Associação Brasileira de Críticos de Cinema. Já atuou na televisão, jornal, rádio, revista e internet. Participou como autor dos livros Contos da Oficina 34 (2005) e 100 Melhores Filmes Brasileiros (2016). Criador e editor-chefe do portal Papo de Cinema.

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