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Dirigido por Matheus Marchetti, Labirinto dos Garotos Perdidos está em cartaz nos cinemas brasileiros. Distribuído pela Filmicca, o longa – que passou pela Mostra Internacional de Cinema em São Paulo 2025 – é estrelado por Giuliano Garutti, Lucas Bocalon e Henrique Natálio. Na trama, um garoto do interior se perde na madrugada da cidade grande, passando por uma série de encontros sexuais progressivamente bizarros, enquanto um assassino espreita pelas sombras da metrópole. E para falar mais sobre a aposta, o Papo de Cinema conversou, remotamente, com Marchetti. A seguir, fique com um trecho em texto e, em seguida, com o bate-papo, na íntegra, em vídeo:

ENTREVISTA :: MATHEUS MARCHETTI, DIRETOR DE LABIRINTO DOS GAROTOS PERDIDOS

Ao comentar sua relação com o cinema fantástico, Matheus afirmou que o gênero ocupa um lugar central em sua trajetória artística. “Fazer cinema de gênero é algo que me dá muito prazer. O Fantaspoa, por exemplo, acabou se tornando quase uma segunda casa para mim. Talvez por isso muita gente ache que eu sou gaúcho. O Verão Fantasma (2022) estreou lá e praticamente todos os filmes que fiz desde O Bosque dos Sonâmbulos (2017) passaram pelo festival. Além disso, é um evento que tem um cuidado muito especial com os realizadores e com as equipes dos filmes, algo que nem sempre acontece em outros festivais”.

Labirinto dos Garotos Perdidos, de Matheus Marchetti
Labirinto dos Garotos Perdidos, de Matheus Marchetti

Na sequência, ele refletiu sobre o espaço ocupado pelo cinema de gênero e pelas narrativas queer dentro do audiovisual brasileiro. “Estou batalhando por isso e tenho a sensação de que cada vez mais encontro pessoas fazendo esse tipo de cinema. Quando comecei, havia poucas referências. Foi justamente essa ausência que me impulsionou a seguir por esse caminho. Hoje vejo mais realizadores explorando essas possibilidades e isso é muito positivo”.

Marchetti também observou que parte das dificuldades enfrentadas por essas produções está ligada a preconceitos históricos que ainda cercam determinados gêneros cinematográficos no Brasil. “Existe muito preconceito não apenas com o cinema de horror, mas também com a pornochanchada e outras vertentes populares. Muitas vezes esses filmes são vistos como intelectualmente inferiores. E Labirinto dos Garotos Perdidos mistura um pouco de tudo isso, dialogando com diferentes tradições do cinema de gênero”.

O cineasta também defendeu uma ampliação do olhar sobre as narrativas LGBTQIA+ no audiovisual, argumentando que ainda existe uma tendência de privilegiar histórias mais realistas em detrimento de propostas fantásticas ou alegóricas. “Talvez por isso eu me sinta tão à vontade em um festival como o Fantaspoa. Às vezes percebo que alguns festivais voltados para filmes queer estão muito focados em obras realistas, em histórias do cotidiano e em representações mais diretas. Acho que existem muitas outras possibilidades. O cinema queer também pode ocupar territórios fantásticos, simbólicos e imaginativos”.

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Matheus Marchetti, Labirinto dos Garotos Perdidos

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é crítico de cinema, presidente da ACCIRS - Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (gestão 2016-2018), e membro fundador da ABRACCINE - Associação Brasileira de Críticos de Cinema. Já atuou na televisão, jornal, rádio, revista e internet. Participou como autor dos livros Contos da Oficina 34 (2005) e 100 Melhores Filmes Brasileiros (2016). Criador e editor-chefe do portal Papo de Cinema.

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