Depois de conquistar o Troféu Candango de Melhor Longa-Metragem no 58º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (2025), Futuro Futuro chega ao circuito comercial nesta quinta-feira, 23. O novo trabalho do cineasta gaúcho Davi Pretto – responsável por títulos como Castanha (2014), Rifle (2016) e Continente (2024) – mistura ficção científica, drama e reflexão social para imaginar um Brasil em que a inteligência artificial se tornou parte inseparável do cotidiano.
Ambientado em um futuro próximo, Futuro Futuro acompanha um mundo em que os avanços da inteligência artificial convivem com o surgimento de uma misteriosa síndrome neurológica. Nesse contexto, um homem de aproximadamente 40 anos sem qualquer lembrança do próprio passado, conhecido apenas como K, é acolhido por um clickworker solitário de 60 anos em uma região empobrecida de uma chuvosa cidade brasileira.

Quando entra em contato com um dispositivo de IA durante um curso voltado a pessoas afetadas pela estranha condição, ele inicia uma jornada marcada por descobertas, absurdos e pela tentativa de encontrar um lugar em um mundo cada vez mais difícil de compreender.
E para falar mais sobre a aposta, o Papo de Cinema conversou com o protagonista dessa história, o ator Zé Maria Pescador. A seguir, fique com um trecho em texto e, em seguida, com o bate-papo, na íntegra, em vídeo:
ENTREVISTA :: ZÉ MARIA PESCADOR, PROTAGONISTA DE FUTURO FUTURO
Ao apresentar K, personagem que interpreta em Futuro Futuro, o ator Zé Maria Pescador revelou que a construção do papel foi uma das experiências mais desafiadoras de sua carreira. “Para mim, o K continua sendo um personagem estranho. Ainda hoje não consigo dizer que entendi completamente quem ele é. Quando li o roteiro, percebi que existia apenas um nome e uma história sendo construída ao longo do filme. Não havia uma descrição clara daquele personagem, como normalmente acontece”.
Segundo o ator, essa falta de definições o obrigou a encontrar um caminho bastante particular. “Resolvi partir desse lugar de não ser ninguém. Durante os ensaios, ficava me perguntando quem era aquele cara e como poderia construí-lo. Então decidi simplesmente assumir esse vazio. Enquanto todo mundo ensaiava as cenas, eu observava mais do que fazia, tentando primeiro entender os outros personagens para, só depois, compreender o lugar do K dentro daquela história”.

E ao falar sobre o processo de criação ao lado do diretor e roteirista Davi Pretto, Zé Maria destacou que o fato de o cineasta também ter conduzido a preparação de elenco tornou a comunicação muito mais direta e facilitou a construção do personagem.
“Foi uma experiência muito especial porque o Davi também foi o preparador de elenco. Normalmente existe um intermediário entre o diretor e o ator, mas ali eu estava recebendo as orientações diretamente de quem escreveu a história e sabia exatamente o que queria. Para mim, isso foi um tiro certeiro. Ficou muito mais fácil entender o caminho que ele imaginava para o personagem e construir o K a partir desse diálogo.”
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