Enquanto a Chuva Cai é o título do mais novo curta-metragem dirigido por JP Ramos. A produção independente paulista, que estreia nesta quarta-feira, 01, às 19h, no Espaço Petrobras de Cinema (R. Augusta, 1475 – Cerqueira César, São Paulo), foi realizada por meio do edital Curta de Quebrada, iniciativa da Associação Paulista dos Amigos da Arte (APAA), vinculada ao Governo do Estado de São Paulo. Já a produção é assinada por Ster Cristina, JP Ramos, Lucas Pereira e Pedro Lugarini.
Com 25 minutos de duração, o projeto acompanha o encontro entre Dona Lúcia, uma senhora que vive sozinha e tenta aprender a usar o computador para conversar com o filho, que mora na Austrália, e Léo, um jovem técnico de informática chamado para resolver um problema aparentemente simples. No entanto, uma forte chuva impede o rapaz de ir embora, transformando uma visita de rotina em uma tarde de conversas, trocas de experiências e reflexões sobre solidão, saudade, perdas e recomeços. Interpretados por Jouá Schmidt e Cainã Malê, os personagens representam gerações distintas que, apesar das diferenças, compartilham sentimentos universais.

E para falar mais sobre a aposta, o Papo de Cinema conversou, remotamente, com JP Ramos. A seguir, fique com um trecho em texto e, em seguida, com o bate-papo, na íntegra, em vídeo:
ENTREVISTA :: JP RAMOS, DIRETOR DE ENQUANTO A CHUVA CAI
Ao comentar a origem de Enquanto a Chuva Cai, JP explicou que o filme nasceu de um desejo de desacelerar e de refletir sobre a maneira como as relações humanas vêm sendo atravessadas pela tecnologia. “Hoje estamos completamente conectados, então começamos a nos perguntar: e se fizéssemos justamente o contrário do que estamos vivendo? O que une aqueles dois personagens é a tecnologia, mas ela logo é deixada de lado e o que passa a importar é a conversa entre eles. Queríamos levar essa ideia de desacelerar para dentro do filme e da narrativa”.
Ele também revelou que o processo de criação foi construído de maneira pouco convencional, priorizando as experiências cotidianas em vez de uma pesquisa baseada em outras obras audiovisuais. “Em vez de sentarmos para assistir a vários filmes e procurar referências, fizemos o oposto. Desligamos o computador e fomos ver as pessoas vivendo, conversar com elas, ouvir suas histórias. Foi daí que nasceu o filme. A vida, de certa forma, mostrou essa história para nós”.

Na sequência, JP explicou que a relação entre Dona Lúcia e Léo também nasceu de uma experiência pessoal. “Quantas vezes não fui à casa da minha avó para comer um bolo? Só que, quando você cresce, começa a se interessar pela vida dela. Antes ela é apenas sua avó e parece que sempre esteve ali. Mas, quando você pergunta sobre o passado, descobre uma vida inteira que existiu antes de você. Descobre histórias que jamais imaginaria”.
Para o diretor, esse processo de descoberta é justamente o que move os protagonistas do curta. “Se pararmos para conversar de verdade com qualquer pessoa, vamos descobrir coisas que nunca esperaríamos. E a provocação do filme é justamente essa: na próxima vez que você estiver com sua mãe, sua avó ou alguém próximo, converse de igual para igual, pergunte sobre o que ela gosta ou gostava. Acho que essa é a principal mensagem do filme”.

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