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Após passar pelo 27º Festival do Rio (2025) e a 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (2025), o drama brasileira Dolores, enfim, chega aos cinemas brasileiros. Distribuído pela California Filmes, o projeto é dirigido por Maria Clara Escobar e Marcelo Gomes. 

Na trama, às vésperas de completar 65 anos, uma mulher tem uma premonição: sua vida irá mudar. Será dona de um cassino de sucesso. Mas o passado de vício no jogo pode atrapalhar. Deborah, sua única filha, espera a saída do namorado da prisão para começar uma nova vida, enquanto Duda, a neta, recebe uma oferta para trabalhar nos Estados Unidos. As três mulheres tentam transformar seus sonhos de uma vida melhor em realidade, apostando no tudo ou nada. 

Dolores, Carla Ribas, Ariane Aparecida
Dolores

A obra é estrelada por Carla Ribas, Naruna Costa e Ariane Aparecida. Gilda Nomacce, Zezé Motta e Roney Villela também estão no elenco. E para falar mais sobre a aposta, o Papo de Cinema conversou, remotamente, com Carla e Ariane. A seguir, fique com um trecho em texto e, em seguida, com o bate-papo, na íntegra, em vídeo:

ENTREVISTA :: CARLA RIBAS E ARIANE APARECIDA, ESTRELAS DE DOLORES

Ao refletir sobre o que Dolores tem a dizer ao Brasil contemporâneo, Carla destacou a defesa da diversidade: “acho que a principal mensagem é que Dolores é um filme que mostra diversidade. Vamos parar com esse negócio de não respeitar que o outro é diferente. É um filme com mulheres que estão nesse movimento de dizer: parou com essa opressão, vamos respeitar as mulheres, vamos parar com o feminicídio. É um filme de mulheres negras, mulheres brancas, mulheres mais velhas, mulheres mais jovens”.

Na sequência, ela apontou que a narrativa também propõe um olhar mais amplo sobre identidade e convivência, celebrando diferentes trajetórias e perspectivas presentes na sociedade brasileira: “acho lindo o fato de Dolores, uma mulher branca, sonhar em ser Zezé Motta, uma mulher negra. Acho isso muito poético no filme. E também tem a Duda, uma menina com sexualidade fluida, bissexual. Então vamos parar de nos separar e abraçar essa diversidade de raças, de vivências e até de pensamentos. Vamos parar de brigar e enxergar a beleza de sermos diversos”.

Ariane destacou que o filme também dialoga com a necessidade de ação e protagonismo individual, especialmente entre os mais jovens: “esse é um filme que tem a rua como território principal, da gente colocar o nosso corpo na rua, da gente ter ação, da gente ter movimento. Acho que, às vezes, principalmente a minha geração, sente que tem pouco poder em relação à própria vida e ao próprio destino. E isso que a Duda tem, esse impulso que ela tem, que a Débora tem, que a Dolores tem, de ir para a rua, de fazer as coisas acontecerem e acreditar muito”.

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Dolores, Carla Ribas, Ariane Aparecida

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é crítico de cinema, presidente da ACCIRS - Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (gestão 2016-2018), e membro fundador da ABRACCINE - Associação Brasileira de Críticos de Cinema. Já atuou na televisão, jornal, rádio, revista e internet. Participou como autor dos livros Contos da Oficina 34 (2005) e 100 Melhores Filmes Brasileiros (2016). Criador e editor-chefe do portal Papo de Cinema.

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