O produtor, fotógrafo e cineasta Luiz Carlos Barreto faleceu nesta quarta-feira, 22, aos 98 anos, no Rio de Janeiro. Conhecido como Barretão, ele estava internado desde o dia 20 no Hospital Copa Star, em Copacabana, tratando uma infecção pulmonar decorrente de uma pneumonia. Um dos nomes mais importantes da história do cinema brasileiro, dedicou mais de seis décadas ao audiovisual, ajudando a transformar a forma como os filmes eram produzidos, financiados e distribuídos no país. A seguir, relembre sua trajetória.
LUIZ CARLOS BARRETO
DO FOTOJORNALISMO AO CINEMA
Nascido em 20 de maio de 1928, em Sobral, no Ceará, Luiz Carlos Barreto mudou-se para o Rio de Janeiro em 1947. Antes de ingressar no cinema, construiu uma sólida carreira como fotógrafo e repórter da revista O Cruzeiro. Como correspondente na Europa entre 1953 e 1954, registrou personalidades como Frank Sinatra, Marilyn Monroe e Fidel Castro, desenvolvendo um olhar que mais tarde marcaria sua produção cinematográfica. O primeiro contato com o universo do cinema aconteceu ainda na infância, quando acompanhou as filmagens de um documentário de Orson Welles no litoral cearense. Décadas depois, já como fotógrafo, conheceu Glauber Rocha durante as gravações de Barravento (1962), encontro que mudaria definitivamente sua trajetória.

CINEMA NOVO E A REVOLUÇÃO DO AUDIOVISUAL
Barretão ingressou no cinema em 1961 como corroteirista e coprodutor de Assalto ao Trem Pagador (1962), dirigido por Roberto Farias. Pouco depois, tornou-se uma das figuras centrais do Cinema Novo, movimento que revolucionou o audiovisual brasileiro ao defender um cinema autoral, crítico e profundamente conectado à realidade social do país. Como diretor de fotografia, assinou duas das imagens mais emblemáticas da cinematografia nacional: Vidas Secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos, e Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha. Em ambos, ajudou a construir uma linguagem visual inovadora, que transformou a luz, a paisagem e o sertão em elementos dramáticos fundamentais das narrativas.
PRODUTOR QUE LEVOU O BRASIL AO OSCAR
Ao lado de Lucy Barreto, fundou a L.C. Barreto Produções, responsável por mais de uma centena de filmes que marcaram a história do cinema brasileiro. Entre eles estão sucessos como Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), durante muitos anos a maior bilheteria da história do cinema nacional, Bye Bye Brasil (1980), Memórias do Cárcere (1984), Menino do Rio (1982) e Amor Bandido (1979). Também produziu dois dos filmes brasileiros indicados ao Oscar de Melhor Filme Internacional: O Quatrilho (1995) e O Que É Isso, Companheiro? (1997), dirigidos, respectivamente, por seus dois filhos, Fábio (falecido em 2019) e Bruno Barreto.

GESTÃO CULTURAL E DEFESA DO CINEMA NACIONAL
Além da produção cinematográfica, Barretão teve participação decisiva na formulação de políticas públicas para o audiovisual. Foi um dos sócios do Canal Brasil e tornou-se uma das principais vozes na defesa da indústria cinematográfica brasileira. Seu trabalho também influenciou gerações de realizadores ao mostrar que era possível conciliar cinema de autor e diálogo com o grande público. Como costumava afirmar: “o cinema é uma coisa útil, e não uma coisa fútil”. Casado por 71 anos com Lucy, deixa os filhos Bruno e Paula Barreto, além de netos e bisnetos.
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