A noite desta segunda-feira, 17, teve um dos tapetes vermelhos mais movimentados do 54º Festival de Cinema de Gramado. A sessão de Chorão: Só os Loucos Sabem, cinebiografia dirigida por Hugo Prata e Felipe Novaes, transformou o Palácio dos Festivais em ponto de encontro para fãs do Charlie Brown Jr. e levou à Serra Gaúcha José Loreto, Nanda Marques e demais integrantes da equipe do longa. A presença do casal de atores, que também está no elenco da novela Quem Ama Cuida, rendeu uma verdadeira maratona de fotos e chamou atenção desde a chegada, com direito a Loreto deixando suas mãos na Calçada da Fama de Gramado e “Só os Loucos Sabem” embalando a festa. Siga o fio e saiba como foi!
FESTIVAL DE GRAMADO 2026
UMA NOITE PARA CHORÃO
Baseado no livro “Se Não Eu, Quem Vai Fazer Você Feliz?”, escrito por Graziela Gonçalves, Chorão: Só os Loucos Sabem acompanha a trajetória de Alexandre Magno Abrão, o Chorão, desde os primeiros passos em Santos até a consolidação como vocalista e líder do Charlie Brown Jr. O filme também se dedica à relação do músico com Graziela, romance que atravessou diferentes momentos de sua vida e inspirou parte importante de sua produção artística.

A escolha do longa para a competição de Gramado ajudou a transformar a sessão em um dos momentos de maior apelo popular da programação até agora. Afinal, estamos falando de um artista que morreu em 2013, mas cuja obra continua profundamente presente no imaginário de uma geração e de outras que vieram depois. Quando as primeiras notas de “Só os Loucos Sabem” começaram a tocar no tapete vermelho, antes mesmo da sessão, ficou evidente o tamanho da conexão entre Chorão e o público.
Mas, para além do cantor que se tornou símbolo de uma geração, Chorão: Só os Loucos Sabem também abre espaço para conhecermos melhor uma personagem fundamental em sua história. Graziela Gonçalves esteve ao lado do músico durante boa parte de sua trajetória, e sua perspectiva é justamente a base do livro que inspirou a cinebiografia.
É aí que entra Nanda Marques. Na manhã desta terça-feira, 18, a atriz conversou com o Papo de Cinema sobre a responsabilidade de interpretar Graziela, o mergulho na história do casal e a mulher que existia para além da imagem de “Grazon”, musa de algumas das canções de Chorão.

“MERGULHEI DE FATO NA VIDA DELA”
Para construir a personagem, Nanda encontrou no próprio relato de Graziela uma espécie de guia. O livro foi lido diversas vezes pela atriz durante o processo e permaneceu como uma referência ao longo das filmagens. “Foi um processo muito enriquecedor, muito bonito poder contar essa história. Mergulhei de fato na vida dela. Li o livro pelo menos cinco vezes e, durante as gravações, sempre consultava a obra para ser atravessada pelas palavras dela, porque o livro é lindo. Inclusive, recomendo muito para as pessoas, porque é de uma sensibilidade sem tamanho”.
A leitura também permitiu que Nanda se aproximasse de um Chorão menos conhecido do público. “Ela narra histórias e a visão dela de dentro, contando sobre esse ídolo nacional, sobre a relação dos dois, e tem muitas camadas interessantes. Era uma relação que, apesar de muito intensa e bonita, também tinha essa sombra. Era uma relação muito comum na época, um pouco mais abusiva, com traços que não eram tão saudáveis”.
LUZ E SOMBRA
Essa perspectiva também fez Nanda refletir sobre as diferenças entre a maneira como determinadas relações eram encaradas no período retratado pelo filme e o debate contemporâneo sobre machismo e saúde mental. “Naquela época, a gente não falava muito sobre machismo, não tinha todas essas discussões nas redes sociais sobre saúde mental. A gente era muito menos amparado e menos questionador, talvez. Então, isso se deu e aconteceu. Apesar de ser um amor lindo, muito bonito, também foi uma relação de muita dor, de muito apagamento”.

Ao mesmo tempo, a atriz faz questão de não reduzir Graziela ao sofrimento vivido ao lado de Chorão. Para ela, a personagem também precisa ser lembrada pela força e pela influência que exerceu sobre o artista. “Foi uma mulher muito forte, muito inspiradora, que levou para ele muita cultura, muitas referências musicais. Ela insistiu para que ele cantasse em português. Então, acho que ela também acabou se realizando na realização dele. Ela tinha muita fé nele”.
É justamente essa combinação que, para Nanda, torna a relação tão interessante de interpretar. “É luz e sombra. Uma relação muito complexa, muito bonita. Tanto é que virou filme e milhares de letras de músicas que ele compôs para ela”.
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