20260721 a odisseia 2026 papo de cinema 800

Depois de muita expectativa, A Odisseia finalmente chegou aos cinemas e rapidamente se transformou em um dos assuntos mais comentados do ano. Cercado por uma campanha grandiosa e pela assinatura de Christopher Nolan, o épico inspirado na obra de Homero estreou sob uma pergunta inevitável: trata-se de mais um triunfo do diretor ou de uma rara decepção? Reunimos as principais respostas sobre a bilheteria, a recepção da crítica, as chances no Oscar e até a possibilidade de uma continuação. Confira a seguir!

A ODISSEIA

BIILHETERIA

Ainda é cedo para decretar o desempenho definitivo do longa, mas os primeiros números indicam positividade. Produzido com orçamento estimado em US$ 250 milhões, A Odisseia arrecadou US$ 263,7 milhões em sua primeira semana de exibição mundial, superando a abertura de Oppenheimer (2023) e registrando a maior estreia da carreira de Nolan fora da trilogia Cavaleiro das Trevas.

Especialistas da indústria lembram, porém, que produções desse porte costumam precisar arrecadar entre US$ 500 milhões e US$ 600 milhões para atingir o ponto de equilíbrio financeiro, levando em conta os investimentos em marketing e a divisão da receita com os exibidores. Em outras palavras, o início é excelente, mas o verdadeiro sucesso comercial dependerá do desempenho nas próximas semanas.

A Odisseia
A Odisseia

Mas, até aqui, a percepção predominante em Hollywood é de sucesso. Veículos especializados destacam que poucos cineastas conseguem transformar uma adaptação literária clássica em evento cinematográfico mundial. Mais do que vender uma nova versão da obra de Homero, Nolan consolidou um fenômeno raro: seu próprio nome passou a funcionar como uma marca capaz de atrair o público independentemente do gênero ou do material de origem.

Outro aspecto bastante celebrado é o desempenho nas salas IMAX. Uma parcela significativa da arrecadação inicial veio justamente desse formato, reforçando a relação construída pelo diretor com a tecnologia desde Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008), consolidada em títulos como Dunkirk (2017), Tenet (2020) e Oppenheimer (2023).

A CRÍTICA APROVOU?

A resposta é praticamente unânime: sim. A Odisseia figura entre os filmes mais bem avaliados da carreira de Christopher Nolan, tanto pela crítica especializada quanto pelo público. Até o fechamento desta matéria, os principais agregadores de avaliações refletem esse consenso: o longa registra 95% de aprovação no Rotten Tomatoes, 89 pontos no Metacritic, nota 8,4 no IMDb – baseada em mais de cem mil avaliações – e 4,3 de 5 no Letterboxd. Entre os elogios mais recorrentes aparecem a escala das sequências marítimas, o uso das câmeras IMAX, a fotografia, a trilha sonora e, sobretudo, a capacidade de adaptar um poema escrito há quase três mil anos sem perder sua dimensão emocional.

Aliás, alguns nomes reconhecidos da crítica estadunidense deram opiniões entusiasmadas. Peter Travers afirmou que “obra-prima é uma palavra pequena para descrever este épico“, destacando a escala da produção e o impacto emocional da adaptação. Na mesma linha, Erik Davis escreveu que o longa “parece a culminação de tudo o que Christopher Nolan vem desenvolvendo com as câmeras IMAX ao longo da carreira“. Já Anne Thompson elogiou a atuação de Matt Damon e definiu A Odisseia como “o filme a ser batido” (“the Best Picture contender to beat“) na corrida ao Oscar 2027. Tais citações podem ser conferidas neste material da Motion Picture Association. 

E AS CRÍTICAS NEGATIVAS?

Embora a recepção tenha sido amplamente positiva, algumas críticas apareceram entre especialistas em literatura clássica e parte da imprensa. Em artigo publicado no The Guardian, a historiadora e classicista Emily Hauser afirmou que a adaptação de Christopher Nolanempurra as mulheres e as nuances para o mar“, argumentando que o diretor simplifica personagens femininas importantes e transforma Odisseu em um herói moralmente mais moderno do que o concebido por Homero. Já o crítico Richard Brody, da The New Yorker, considerou que o filme adota uma abordagem “excessivamente naturalista, reduzindo o papel dos deuses e do fantástico presentes no poema original”.

A Odisseia
A Odisseia

Outro debate surgiu em torno dos diálogos. Parte do público e da crítica estranhou o uso de expressões contemporâneas e sotaques americanos, discussão que levou o próprio Nolan a explicar posteriormente que optou por uma linguagem moderna para aproximar a narrativa do espectador atual.

OSCAR 2027 JÁ ESTÁ NO HORIZONTE?

A corrida pelo Oscar 2027 ainda está em seus primeiros passos, mas A Odisseia já desponta como um dos principais candidatos da temporada. Praticamente todos os grandes veículos especializados colocam o novo trabalho de Christopher Nolan entre os favoritos. As primeiras projeções apontam boas chances em categorias como Melhor Filme, Direção e Ator (Matt Damon), além de Fotografia, Design de Produção, Figurino, Montagem, Som, Trilha Sonora e Efeitos Visuais. 

Em análise publicada pelo AwardsWatch, o crítico Mark Johnson afirma que o épico reúne características cada vez mais valorizadas pela Academia, como “ressonância emocional, realização técnica, escala, acessibilidade e amplo apelo dentro da indústria“. Segundo ele, o longa “é o filme que os demais concorrentes terão de perseguir”. O histórico recente de Nolan também reforça esse favoritismo: desde Batman: O Cavaleiro das Trevas, praticamente todos os seus grandes projetos marcaram presença na temporada de premiações.

VAI TER CONTINUAÇÃO?

Até o momento, a resposta é não. Nem Nolan nem a Universal anunciaram qualquer plano para transformar A Odisseia em franquia. Existe, entretanto, uma curiosidade literária. Após os acontecimentos narrados por Homero, havia na Antiguidade um poema chamado Telegonia, pertencente ao chamado Ciclo Épico. Nele, Odisseu viveria novas aventuras depois de retornar a Ítaca, incluindo o encontro com Telegono, filho que teria com Circe.

O problema é que essa obra praticamente desapareceu ao longo dos séculos. Restaram apenas pequenos resumos e citações preservados por autores antigos, o que inviabiliza uma adaptação equivalente à relação existente entre Ilíada e Odisseia.

Por isso, caso Nolan algum dia decida revisitar esse universo, muitos analistas consideram muito mais provável uma adaptação da própria Ilíada, que narra os acontecimentos da Guerra de Troia, do que uma continuação direta da história de Odisseu. Ainda assim, essa hipótese permanece apenas no campo das especulações.

A Odisseia
A Odisseia

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