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Sinopse

George W. Bush é uma das figuras mais controversas no cenário político mundial. Uns o odeiam, outros o admiram. De todo modo, o 43º Presidente dos Estados Unidos é retratado desde sua ascensão política até a Casa Branca.

Crítica

Para um cineasta como Oliver Stone, que já foi tão relevante dentro da cultura cinematográfica hollywoodiana, um filme como W. representa um passo em falso dentro de uma carreira tão polêmica quanto pertinente. Se o objetivo era colocar um ponto final numa trajetória política marcada pela ignorância e obtusidade, oferecendo um epitáfio triste e patético que levantasse uma última bandeira contra alguém que tanto mal causou ao redor do mundo, seus efeitos podem ser por demais questionados. Afinal, praticamente ninguém viu este trabalho – ou pior, pouco se deu importância a ele. E passando em brancas nuvens, a única dúvida que remanesce é sobre quem pagou o maior mico aqui, se foi o ex-presidente George W. Bush ou o próprio Stone.

Esta cinebiografia encerra uma trilogia acidentalmente idealizada pelo diretor sobre três destacados presidentes norte-americanos – cada um, a se perceber, ressaltado por um motivo diferente do seguinte. Se JFK enfocava um dos maiores mistérios políticos da América e também um dos seus mais reconhecidos mártires, Nixon oferecia luz a um homem que teve todo o poder do mundo – e, por más decisões, acabou colocando tudo a perder. Porém, em comum ambos tinham a inteligência e um magnetismo inegável, e o que o realizador buscava era compreender como foi possível a duas pessoas tão significativas terem tais fins. Dessa vez, no entanto, sua busca é outra. W. é, do início até o acender das luzes, uma exaltação do improvável, revelando como o mais despreparado de todos conseguiu ascender ao cargo mais importante do planeta. Um questionamento válido, só que dentro do atual contexto se revela vazio em seus efeitos, pois todos os demais meios de comunicação já haviam se incumbido de fazer estas mesmas revelações, com impactos ainda mais retumbantes – a eleição de Barack Obama é apenas um destes reflexos.

O mais estranho, no entanto, foi a opção de Stone em evitar o momento mais crítico da administração Bush – os atentados de 11 de setembro de 2001! Acompanhamos a juventude de George W., sua conturbada relação com o pai – o também presidente George Bush – e sua total incapacidade de levar à sério qualquer tipo de trabalho. Na sequência, no entanto, somos colocados já no meio de um governo paranóico e liderado por alguém sem a menor condição, que era guiado por conselheiros ainda mais incompetentes e inaptos. Decisões que marcaram sua passagem pela Casa Branca, como invadir o Iraque em busca de armas de destruição em massa nunca encontradas, eram tomadas entre sanduíches e informações desencontradas, sem que houvesse um consenso dentro do próprio time. Ou seja, um bando de trapalhões brincando de mandar no mundo. E com resultados catastróficos por todos os lados.

W. custou US$ 25 milhões, e arrecadou mais ou menos a mesma coisa. A crítica internacional apontou um ou outro ponto positivo, mas sem grandes entusiasmos. E a conclusão é de que este é um filme, no máximo, curioso. O melhor mesmo é perceber a perfeita adequação do elenco, todos muito bem caracterizados e em ótima forma. Josh Brolin, após uma série de performances marcantes – Onde os Fracos Não Têm VezMilk – apresenta aqui sua interpretação mais completa, numa total imersão no personagem. Pena que isso acabou obscurecido pela total falta de relevância do projeto como um todo, que frustra por ser manso demais e não explorar nada além do que todos já sabiam.

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é crítico de cinema, presidente da ACCIRS - Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (gestão 2016-2018), e membro fundador da ABRACCINE - Associação Brasileira de Críticos de Cinema. Já atuou na televisão, jornal, rádio, revista e internet. Participou como autor dos livros Contos da Oficina 34 (2005) e 100 Melhores Filmes Brasileiros (2016). Criador e editor-chefe do portal Papo de Cinema.
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