Você Só Precisa Matar
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Ken'ichirô Akimoto, Yukinori Nakamura
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Ôru Yû Nîdo Izu Kiru
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2025
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Japão
Crítica
Leitores
Onde Assistir
Sinopse
Você Só Precisa Matar acompanha uma mulher presa em um loop temporal durante uma invasão alienígena, condenada a morrer e reiniciar repetidamente. A situação se transforma quando ela encontra um homem tímido preso no mesmo ciclo, e os dois passam a agir juntos para tentar se libertar. Anime.
Crítica
A sensação de déjà vu nos primeiros minutos de Você Só Precisa Matar é imediata. Afinal, quantas histórias sobre um protagonista revivendo o mesmo dia uma vez após a outra até que uma importante lição seja aprendida já foram contadas nos últimos tempos? Neste caso, no entanto, nem se faz necessária a referência óbvia a Feitiço do Tempo (1993), o filme mais lembrado dentro deste subtema. Pois a exata mesma trama – sem adaptações, novos contextos ou ilustrações extras – já havia sido levada às telas, e nem faz tanto assim. Pois se trata de mais uma versão cinematográfica baseada no livro do escritor japonês Hiroshi Sakurazaka. A primeira foi um fenômeno mundial, há pouco mais de uma década: No Limite do Amanhã (2014), estrelada por ninguém menos do que Tom Cruise e que arrecadou quase US$ 400 milhões nas bilheterias ao redor do mundo. Pois bem, também para fugir dessa comparação, os diretores Ken’ichirô Akimoto e Yokinori Nakamura optaram por uma releitura do romance All You Need is Kill por meio da técnica da animação. Uma mudança que se confirma bem-vinda, tanto na exploração dos espaços e nas relações destes com os personagens, mas também em aproveitar a profundidade dramática da trama que se impõe. Algo que parecia ser simples, mas acaba por explorar cenários até então não percorridos – e muito bem resgatados.

A Terra foi palco de uma invasão alienígena que está agora completando uma década. E o maior registro desse evento histórico está instalado no centro da cidade, uma estrutura sobre a qual pouco se sabe, e que durante todo esse tempo permaneceu imóvel, em perfeito equilíbrio com o seu entorno, como se ali mesmo não estivesse. Instalações humanas foram levantadas ao redor, e todas as tentativas possível de se estudar aquela torre, sua origem, feitura e propósito foram desenvolvidas, sem grande sucesso até o momento, no entanto. Rita é apenas mais uma das operárias que se criou ao seu redor, trabalhando, existindo e praticamente orbitando dentro daqueles limites agora impostos, tendo sua própria realidade definida por aquilo que hoje é visto quase como uma instituição. Parte do cenário. Partir para coletas de campo, vestir uniformes com fortes isolamentos e estudar o pouco que se consegue identificar faz parte do cotidiano, e muito do que já se questionou a respeito não mais parece ter importância. Quer dizer, isso tudo até o dia de ontem. Pois hoje tudo se tornou diferente.
Rita acordou em cima da hora, com o alarme do relógio e a batida na porta de seu alojamento de uma colega que estava estranhando seu atraso. Na cafeteria, ao invés de uma alimentação balanceada, opta – como parece ser seu padrão – por uma barra energética ou algo do tipo, apenas para ser zoada por qualquer um que a observasse mais de perto. Sentada sozinha, com seus fones de ouvidos e afastada dos demais, contemplava o horizonte interrompido por aquele elemento do qual pouco sabia, e menos ainda parecia lhe interessar. Na sequência, saiu para trabalhar, trajada adequadamente e cometendo os mesmos tropeços de sempre – de forma lenta, enrolada, deixada para trás pelos outros. É nesse instante que um tipo de terremoto altera a rotina. E de dentro daquilo que parecia morto, saem seres selvagens e decididos a eliminar qualquer sinal de vida que identificado em seus caminhos. Em questão de segundos, todos vão sendo assassinados. Seus parceiros, os (poucos) amigos, qualquer um que algum dia tenha tido para ela significado. Até que a própria Rita, por mais que tenha tentado fugir, é alcançada. E morta. Apenas para, no instante seguinte, acordar novamente em sua cama. Com o despertador em alerta e as mesmas batidas insistentes no lado de fora do corredor. Tal qual um videogame, uma vida se foi, e outra acabou de começar.
Assim como em tantos projetos similares, Rita terá que descobrir por si só como foi cair nesse looping temporal. Se seu comportamento parece não fazer diferença, de que adianta buscar alguma forma de sair dessa viva? Ou lhe resta apenas esperar pela hora da morte e, depois, voltar ao início mais uma vez? As coisas se complicam ainda mais quando percebe não estar sozinha nesse emaranhado. Com uma junção de forças inesperada, outra perspectiva irá se somar ao plano que vinha desenhando, da mesma forma como diferentes questionamentos passarão a ocupar seus pensamentos. Entender as motivações que direcionam os acontecimentos é uma tarefa das mais intrigantes, tanto no que diz respeito aos personagens, quanto ao desenvolvimento de suas ações, sejam enquanto iniciativas, mas também como meras reações ao que lhes é provocado.

Você Só Precisa Matar é visualmente encantador, rico em detalhes e nas minúcias de uma realidade feita para a extinção. Importante observar que, mesmo sendo essa uma estrutura já passível de desgaste, muito do que se conhece sobre a lógica aqui apresentada foi originada a partir dessa obra, e não sendo ela fruto de tudo que vem sendo desenrolado até esse momento. Apresenta-se, portanto, uma das peças fundamentais da criação deste conceito, e não o contrário. Um detalhe que pode não fazer diferença durante a fruição, mas que merece ser adicionado como ponto pacífico em sua importância e permanência. E por isso, se não fosse todo o resto, tal visita já se justificaria. Felizmente, porém, há mais em jogo. Seja essa a primeira, ou última, das incursões por essa proposta.
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Grade crítica
| Crítico | Nota |
|---|---|
| Robledo Milani | 7 |
| Chico Fireman | 5 |
| MÉDIA | 6 |

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