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Sinopse
Em Um Tio Quase Perfeito 3, Tony se sente cada vez mais distante dos sobrinhos, que cresceram e conquistaram a própria independência, até encontrar um bebê abandonado à sua porta. Sem saber como lidar com a situação, ele recorre aos jovens e, juntos, eles elaboram planos para localizar os pais da criança, enquanto a convivência com o pequeno transforma a rotina da família e desperta em Tony um novo sentimento de afeto. Comédia.
Crítica
Marcus Majella já parece estar em território confortável no cinema brasileiro. Depois de personagens marcantes TV e no streaming, e de uma sequência de comédias nas telonas, o ator chega agora a Um Tio Quase Perfeito 3, enquanto Pedro Antônio também consolida trajetória bastante ligada ao gênero. Desde a primeira aventura de Tony, o diretor passou por diferentes projetos de comédia e retorna agora para fechar a trilogia iniciada com os filmes de 2017 e 2021. Só que completar uma saga, ou franquia (como preferirem), não significa apenas acrescentar mais um número ao título, certo? Existe também a expectativa de acompanhar personagens que encararam um problema, mudaram e chegaram a algum lugar. E aí surge a pergunta incômoda: qual foi, afinal, o arco de Tony ao longo dessa história?

A resposta do roteiro parece estar em colocar outra criança no caminho do protagonista. Tony agora recebe na porta de casa a bebê Alice (Maria Eduarda Rodrigues), cuja origem é desconhecida. Patrícia (Júlia Svacinna), João (João Kalume) e Valentina (Soffia Monteiro), que antes ocupavam o centro das preocupações do tio, passam a ajudá-lo na tentativa de descobrir quem deixou a menina ali. É uma mudança curiosa de dinâmica, especialmente porque os jovens estão mais independentes e começam a construir planos próprios, enquanto Tony continua preso àquela versão de si mesmo que se recusa a crescer completamente. A fórmula, portanto, permanece reconhecível: confusões, crianças e o anti-herói tentando improvisar diante de circunstâncias que claramente estão além de suas capacidades.
E é preciso reconhecer que Majella tem um jeito muito particular de fazer comédia. Seu humor não nasce de uma piada isolada, e sim da personalidade de figuras exageradas e quase sempre convencidas de que são mais espertas do que realmente são. A graça está justamente no choque entre a imagem que esses sujeitos têm de si mesmos e aquilo que o mundo devolve. É uma ferramenta que funciona muito bem em esquetes do Porta dos Fundos e, principalmente, na sitcom Vai Que Cola, onde poucos minutos são suficientes para ele arrancar risadas. O problema aparece quando esse mecanismo precisa sustentar uma narrativa inteira.
O que é divertido durante alguns instantes pode se desgastar quando esticado por uma hora e meia. E, nesse caso, a questão não está exatamente no ator, mas no que o roteiro oferece a ele. Para além da caricatura, Tony precisaria de desejos mais claros, conflitos capazes de transformá-lo e, sobretudo, alguma trajetória que justificasse sua permanência no centro da história. Foi assim em Os Salafrários (2021) e Agentes Muito Especiais (2025), e volta a acontecer aqui: Majella chega com um repertório cômico bastante reconhecível, mas nem sempre encontra material à altura para fazê-lo avançar. Enquanto a situação muda, o personagem parece permanecer praticamente no mesmo lugar.

E as tentativas de ampliar a história para além das confusões encontram pouca força. Ana Lúcia Torre conecta o mistério envolvendo a chegada de Alice a uma discussão sobre partidas e recomeços. São ideias que poderiam acrescentar alguma maturidade, mas acabam frequentemente acompanhadas por trilha sonora e soluções melodramáticas que deixam claras demais as intenções de emocionar. E há ainda Clarissa Pinheiro, cuja presença acaba subaproveitada diante do potencial que a personagem poderia oferecer. Portanto, a pergunta que abre esta crítica também ajuda a explicar a principal limitação de Um Tio Quase Perfeito 3: Tony e os sobrinhos chegaram ao terceiro filme, mas ainda parecem presos ao mesmo ponto de partida.
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