ParaNorman

Crítica


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Sinopse

Em ParaNorman, o menino Norman possui a incrível habilidade de ver e falar com os mortos. Só que de uma hora para outra, os moradores da pacata cidade onde ele vive passarão a ter a mesma condição e juntos enfrentarão uma terrível invasão de bruxas, zumbis e fantasmas. O que acontecerá com eles? Animação.

Crítica

Ainda que o nome possa sugerir, Norman, o filho mais novo da família Babcock, não é um garoto normal. O protagonista da animação infanto-juvenil ParaNorman tem o poder paranormal de enxergar e conversar com os mortos. Convenhamos que este não está entre os dons mais desejados pelas crianças. Visto frequentemente falando sozinho, Norton é tomado por louco pelos colegas do colégio e até mesmo pela própria família.

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Como costuma acontecer com os que são diferentes, as amizades se tornam cada vez mais escassas. Na medida em que as pessoas se afastam, o garoto se apega e procura companhia nos espíritos que o rodeiam. Incompreendido e solitário, Norman conta apenas com o colega nerd, Neil, que acha tudo muito divertido.

Escrita e dirigida por Chris Butler em co-direção com Sam Fell, a aventura começa quando o tio de Norman repassa ao garoto a missão de desfazer a maldição da bruxa. A habilidade que tanto lhe incomoda passa a poder servir para reaver uma injustiça cometida há muito tempo, quando uma jovem foi equivocadamente condenada à morte. O erro transformou as sete pessoas do júri em zumbis que, presos à culpa, não conseguem descansar. Somente Norton, com sua habilidade, poderá mediar essa situação e liberá-los da maldição.

Butler (Coraline e o mundo secreto e A noiva cadáver) e Fell (O corajoso ratinho despereaux e Por água abaixo) fizeram valer suas experiências no mundo da animação. A estrutura de ParaNorman é um acerto pela simplicidade e eficiência. A construção da história demonstra que é possível apresentar personagens com pouca densidade psicológica e ainda assim interessantes. Os dramas de Norton são comuns a qualquer garoto. Estão presentes, por exemplo, a dificuldade de relacionamento com o pai; a proteção da mãe; o desdenho da irmã mais velha típica; a troça dos demais estudantes do colégio e o melhor amigo esquisito. Nada é novidade, mas são introduzidos de forma a evoluírem conjuntamente à trama. Os estereótipos exibidos auxiliam no fácil reconhecimento do público, detalhe crucial para aproximar os mais novos, mesmo que os adultos possam igualmente se divertir. Sem jamais ser excessivamente sofisticado ou primitivo, o humor consegue comunicar e entreter, suprindo, por vezes, o ritmo que a narrativa falha em impor.

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Os diretores perceberam e aproveitaram a oportunidade que o filme lhes deu para trabalhar a história com a contribuição mútua de dois gêneros clássicos. Especialmente no ato final, vemos que a animação recebe os recursos tradicionais do terror a fim de alimentar o suspense da narrativa, enquanto que encoberto pelas características da animação, o terror assume uma forma leve e bem-humorada. O equilíbrio e a simplicidade fazem com que ParaNorman seja uma boa diversão.

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é crítico de cinema, membro da ACCIRS - Associação dos Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul, e da ABRACCINE - Associação Brasileira de Críticos de Cinema. Tem formação em Filosofia e em Letras, estudou cinema na Escola Técnica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Acumulou experiências ao trabalhar como produtor, roteirista e assistente de direção de curtas-metragens.
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