Crítica
Leitores
Onde Assistir
Sinopse
Em Nada Entre Nós, Guillermo e Mechi são dois executivos casados que trabalham na mesma multinacional. Durante um evento corporativo em um resort no Caribe, uma madrugada de conversas à beira-mar desperta uma conexão inesperada entre os dois. Comédia romântica.
Crítica
Nada Entre Nós é daqueles filmes que já chegam embalados por assuntos muito em voga. O mais novo projeto de Juan Taratuto reúne bons temas que hoje orbitam conversas sobre bem-estar: qualidade de vida e a eterna busca por conexões genuínas em um mundo cada vez mais acelerado. Para dar vida a esse universo, a produção escala dois dos rostos mais carismáticos do audiovisual latino-americano: o astro mexicano Gael García Bernal e a premiada atriz uruguaia Natalia Oreiro. Os ingredientes parecem frescos, os cozinheiros conhecem bem a receita… mas, por algum motivo, o prato chega à mesa menos saboroso do que prometia.

A trama segue Guillermo (Gael), executivo de alto escalão que trabalha na empresa milionária do sogro e vive cercado por todos os símbolos de sucesso que o dinheiro pode comprar. O problema é que quase nenhum deles lhe oferece sentido. O filho admira mais o avô do que o próprio pai, o casamento parece reduzido a conversas sobre consumo e status, e a rotina se resume a decisões que pouco dizem sobre felicidade: qual será a próxima reforma da casa? O carro ainda combina conosco? Esse restaurante está na moda? Tudo ao redor é grandioso. Por dentro, entretanto, há um vazio.
Do outro lado está Mechi (Natalia), presa em situação quase inversa. Seu marido parece viver permanentemente apaixonado pela ideia da liberdade, dos prazeres imediatos e dos sonhos grandiosos, mas demonstra pouca disposição para construir qualquer estabilidade. Aos olhos dela, aquele homem já não inspira aventura, e sim cansaço. Quando ambos se encontram durante uma viagem de negócios ao México, o calor do país natal de Guillermo acaba funcionando como catalisador para duas pessoas que, embora vindas de mundos completamente distintos, compartilham a mesma inquietação silenciosa: a impressão de que a vida tomou um rumo diferente daquele que imaginaram.
É justamente aí que o longa encontra sua melhor ideia, com Taratuto se aproximando de títulos como Mônica e o Desejo (1953) e As Pontes de Madison (1995), que falam sobre romances passageiros sem necessariamente caminharem para o “felizes para sempre”. O interesse não está em saber se formarão casal, mas no que despertam um no outro. Porém, o roteiro parece desconfiar da força desse encontro. Em vez de permitir que Guillermo e Mechi ocupem plenamente o centro da narrativa, o enredo insiste em abrir espaço para trajetórias paralelas que pouco acrescentam ao conflito principal. E isso pesa bastante. Afinal, quando Gael e Natalia finalmente dividem a tela, existe química suficiente para sustentar um filme inteiro. Pena que a obra teime em separá-los justamente quando mais precisamos deles.

Vale ressaltar que Nada Entre Nós merece reconhecimento por não seguir cegamente a cartilha da comédia romântica tradicional. Há romance, humor e afeto, mas tudo aparece em doses mais discretas, sem a obrigação de conduzir seus personagens a soluções fáceis ou finais idealizados. É escolha interessante, talvez até a mais madura do projeto. Resta a sensação, porém, de que Taratuto e Matías Scartascini (co-roteirista) quiseram abraçar temas demais ao mesmo tempo. Sobra aquele gosto inevitável de “podia mais”. Principalmente porque, quando se tem dois intérpretes tão magnéticos quanto Gael e Natalia, basta deixá-los conversar um pouco mais para que boa parte do trabalho já esteja feita.
Últimos artigos deVictor Hugo Furtado (Ver Tudo)
- Festival de Gramado 2026 :: “O que mais me interessa nele é essa verve rebelde, essa inquietude”. Confira nossa entrevista com Susanna Lira, diretora de Gonzaguinha: Da Maior Liberdade - 22 de agosto de 2026
- Festival de Gramado 2026 :: “O mistério incomoda… incomoda muito”. Confira nossa entrevista com Grace Passô, diretora de Nosso Segredo - 21 de agosto de 2026
- Festival de Gramado 2026 :: Na Serra Gaúcha, Christian Malheiros fala sobre fé, redenção e a estreia de Justino, filme baseado em história real - 20 de agosto de 2026

Deixe um comentário