Onde Assistir
Sinopse
Em Moulin, Jean reúne combatentes da resistência francesa sob o comando de De Gaulle após ser enviado de paraquedas à França ocupada. Ao ser capturado e submetido à tortura pela Gestapo, ele mantém o silêncio, tornando-se peça importante na luta pela libertação do país. Suspense.
Crítica
De volta a Cannes com Moulin, o diretor húngaro László Nemes parece disposto a mostrar que é capaz de superar Filho de Saul (2015) no que diz respeito ao retrato cru dos horrores do Holocausto. O pesadelo nazista aqui assume a forma de Klaus Barbie, o oficial da SS e chefe da Gestapo conhecido pela alcunha de “Açougueiro de Lyon” no enfrentamento contra a Resistência Francesa. Tudo o que você já tenha lido ou ouvido falar sobre essa figura histórica é confirmado pela forma como o mesmo é retratado por meio dessa grande interpretação do ator Lars Eidinger.

O longa de estreia de Nemes, o citado Filho de Saul (2015), despontou no Festival de Cannes, onde venceu o Grande Prêmio do Júri, além de ter sido eleito como Melhor Filme pelo júri da Crítica (FIPRESCI). No ano seguinte, ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Poucas vezes até então o cinema de ficção havia mostrado os horrores de um campo de concentração nazista de forma tão atordoante e claustrofóbica.
Depois da consagração, foi mais comedido em Entardecer (2018), drama ambientado às vésperas da Primeira Guerra Mundial. Ano passado competiu em Veneza, com Árva (2025), que se passava em Budapeste em 1957, logo após o fracassado levante popular contra o regime comunista. O filme trazia um cenário extremamente hostil sob a ocupação soviética, mostrando a violência sofrida por um adolescente judeu. Havia boas doses de desgraça, mas o diretor até que “segurava a mão” na violência explícita tentando encontrar espaço para um pouco de poesia.
Agora, em Moulin, a personalidade monstruosa de Barbie está desenhada com riqueza de detalhes e sem esbarrar na caricatura em sua perseguição a Jean Moulin (Gilles Lellouche). Esse era um dos líderes da Resistência – por meio do codinome Max – e vai a Lyon para um encontro clandestino com outros revolucionários. Na ocasião, fingia ser um suposto Jacques Martel, decorador da alta sociedade. O evento em que se reúnem é invadido pela fiscalização nazista e muitos são levados para interrogatório, inclusive Moulin/Martel.

Lellouche, o grande destaque de Moulin, imprime charme e sofisticação à sua performance, traduzida no jogo de sedução que se estabelece no início do filme entre ele e uma condessa francesa (Louise Bourgoin) que parece interessada em algo mais do que os seus serviços de decorador. De fato, Jacques Martel se apresenta mais como um profissional da moda do que um líder político. No entanto, quando começa a ser confrontado por Barbie, ele alia essa sofisticação a uma segurança que deixa o nazista com uma pulga atrás da orelha.
É só quando consegue evidências de que Martel possa levar a informações sobre os líderes da Resistência, ainda sem saber que justamente ele é o líder, que Barbie começa a mostrar sua verdadeira face. E aí o espectador é obrigado a suportar doses cavalares de tortura e violência gráfica e psicológica. Alguns chamam isso de “exploitation” a níveis quase pornográficos. De fato, há maneiras mais sutis de representar isso. Mas quando se trata do Holocausto, um retrato ficcional do horror nunca parecerá suficiente.
Filme visto durante o 79o Festival de Cannes, em maio de 2026
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