Insaciável

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Sinopse

Em Insaciável, Hana é uma estudante de medicina que convive há anos com uma intensa preocupação em relação ao próprio corpo. Influenciada pela rápida transformação de uma amiga, ela inicia um programa de emagrecimento baseado em pílulas de origem duvidosa. Determinada a alcançar o físico que considera ideal, ignora os riscos da decisão e passa a enfrentar as consequências de sua obsessão. Horror.

Crítica

Depois de vampiros, zumbis e multiversos, talvez a grande obsessão de Hollywood seja o corpo perfeito. A Substância (2024), Segredo Obscuro (2025), A Meia-Irmã Feia (2025), The Beauty: Lindos de Morrer (2026)… ufa! E por aí vai. Todos são exemplos recentes de projetos que transformam o culto à aparência em combustível para o horror. Não por acaso. Vivemos a era das canetas emagrecedoras, dos inibidores de fome, dos filtros de IA que transformam qualquer corpo/rosto na versão mais “postável” possível. É nesse território que Natalie Erika James também quer entrar com Insaciável. Acontece que, embora utilize esse universo como ponto de partida, seu interesse parece perdido em vários lugares.

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Aqui, seguimos Hana (Midori Francis), uma estudante de medicina, desesperada para encontrar aceitação, que decide ingerir uma estranha substância oferecida pela amiga Melissa (Annie Shapero), que conseguiu encontrar sua “melhor versão” a partir dessa pílula. A escolha rapidamente desencadeia uma série de acontecimentos sobrenaturais, com a jovem sendo perseguida por presença cada vez mais inquietante, enquanto sua relação com o próprio corpo, com a família e com seus desejos entra em processo acelerado de deterioração. A premissa desperta curiosidade justamente por aproximar o horror de questões bastante contemporâneas, sugerindo que o verdadeiro monstro talvez não seja aquilo que a acompanha, mas a forma como aprendemos a enxergar a nós mesmos.

O título original já dá uma pista interessante. Saccharine faz referência à sacarina, um dos adoçantes artificiais mais antigos do mundo. Seu significado parece bastante simbólico: a promessa de continuar desfrutando do doce sem lidar com suas consequências. A metáfora sugere caminho fértil para discutir atalhos e a eterna ilusão de que existe resposta imediata para questões profundas. Durante boa parte da projeção, parece que a diretora seguirá exatamente por essa direção. Mas, assim como havia feito em Apartamento 7A (2024), ela parte de gatilho reconhecível para conduzir o espectador a outro lugar. O problema é que essa mudança de percurso, mais uma vez, fica dispersa.

Talvez o maior tropeço de Insaciável talvez esteja justamente na ansiedade de querer abraçar vários temas ao mesmo tempo. Obsessão pela magreza, traumas familiares, body horror e elementos sobrenaturais disputam espaço sem que nenhum deles encontre desenvolvimento. A narrativa perde foco e começa a repetir situações, se instalando naquilo que a crítica de cinema se acostumou a chamar de “barriga”: o filme fica andando em círculos enquanto parece procurar desesperadamente um final. Nem mesmo o terror consegue brilhar. Ao invés de provocar medo ou sustos, funciona mais como drama psicológico pontuado por momentos que jamais alcançam potência.

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Insaciável possui ingredientes suficientes para integrar esse interessante movimento recente do terror. Há boas ideias espalhadas pelo caminho, atuação comprometida de Midori Francis e imagens que, aqui e ali, despertam um desconforto genuíno. Mas, quando os créditos sobem, fica a impressão de oportunidade desperdiçada. Em tempos em que o cinema tem encontrado maneiras tão criativas de discutir nossa relação doentia com a aparência, este acaba escolhendo o caminho menos interessante. 

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Fanático por cinema e futebol, é formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Feevale. Atua como editor e crítico do Papo de Cinema. Já colaborou com rádios, TVs e revistas como colunista/comentarista de assuntos relacionados à sétima arte e integrou diversos júris em festivais de cinema. Também é membro da ACCIRS: Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul e idealizador do Podcast Papo de Cinema. CONTATO: [email protected]

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