Crítica
Leitores
Onde Assistir
Sinopse
Em Almoço em Agosto, Gianni, homem de meia-idade, mora com a velha mãe viúva em Roma. Suas contas se acumulam, e o tradicional feriado de 15 de agosto se aproxima. Sabendo de sua dificuldade financeira, o proprietário do apartamento lhe faz uma proposta: se Gianni hospedar a mãe dele no feriado, perdoará parte de suas dívidas com o aluguel. Ao saber disso, seu médico e um de seus amigos também lhe pedem que fique com suas mães. Subitamente, o pequeno apartamento de Gianni se vê repleto de senhoras e ele assume a contragosto o papel de babá. Drama/Comédia.
Crítica
O circuito comercial brasileiro sempre esteve relativamente aberto aos destaques da produção européia – mais do que com a latino-americana, por exemplo. E um dos destaques deste ano foi Almoço em Agosto, um longa de origem italiana que é tão simples quanto bem-sucedido
. Com estrutura teatral, poucos atores e dois ou três cenários – o filme se passa quase que inteiramente dentro de um único apartamento, no decorrer de um dia – sobrou pouco espaço para criar e, assim, correr o risco de errar. Atendo-se ao seu argumento inicial, temos como resultado algo ao mesmo tempo compacto e interessante, despertando uma simpatia junto ao público desde o início até a sua conclusão, após meros 75 minutos.
Ferragosto é um importante feriado italiano que acontece no mês de agosto, no auge do verão. Roma está incandescente, e todos os que podem aproveitam para correr e aproveitar o feriadão no litoral. O mesmo não acontece com Giovanni (Gianni de Gregorio, que além de atuar também escreveu e dirigiu este projeto, marcando sua estréia como realizador), um solteirão que mora com a mãe septuagenária. Ele está passando por uma fase complicada, a pensão atrasada e os recursos escasseando. Mas, mesmo em tempos difíceis, ainda sobra um pouco para o vinho e a boa mesa. Sabendo disso, alguns conhecidos – o médico, o dono do prédio – resolvem perdoar parte da dívida dele em troca de um simples favor: cuidar da mãe (ou, em alguns casos, até mesmo da tia) durante estes dias em que estarão ausentes. No final, Giovanni se vê no meio de um grupo de senhoras, preparando pratos da típica cozinha italiana enquanto tem que lidar com as manias e as vontades das hóspedes.
Almoço em Agosto pode parecer, pela sinopse, como algo sem grandes surpresas ou inovações. E realmente assim o é. Porém sua grande qualidade está justamente nessa simplicidade, nas pequenas coisas, nas descobertas do cotidiano que só mesmo a experiência e a convivência podem nos oferecer. Este filme é como um restaurante discreto, uma cantina, que não chama muita atenção, mas conquista clientes fiéis e defensores ardorosos que a tratam como um tesouro nacional, uma preciosidade de poucos afortunados. Como uma reunião familiar de domingo na casa materna, em que sabores até então esquecidos retornam ao nosso paladar nos presenteando com valores e lembranças que não podem nem devem ser apagadas.
Impressionante sucesso de público na Itália, Almoço em Agosto pode ser encarado como uma aposta que deu certo. Feito quase que amadoramente, foi um exercício de lazer e relaxamento de Gregorio após o intenso e polêmico Gomorra (2008), seu trabalho anterior como roteirista (e também assistente de direção). E sem grandes pretensões nem ousadia, conquista até os mais desavisados, nos colocando novamente frente a um cinema que já soube cuidar do principal – uma boa história e a satisfação do público. É aquela sobremesa que não enche a barriga, mas deixa qualquer um pedindo por mais.
Últimos artigos deRobledo Milani (Ver Tudo)
- A Cor do Sol :: “Passei a vida tentando descobrir onde pertenço”, afirma Xavier Tera - 27 de outubro de 2026
- A Morte Não Tem Dono :: “A Venezuela passou por uma transformação radical, que veio acompanhada de muita amnésia”, afirma Jorge Thielen Armand - 26 de outubro de 2026
- Cão Sem Plumas :: “É uma combinação de poesia, geografia, cinema e dança”, afirma Camila Valença - 22 de outubro de 2026



Deixe um comentário