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Premiado como Melhor Direção de Documentário no Festival do Rio 2026, e agora selecionado para a 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Cão Sem Plumas é assinado por Camila Valença. Trata-se de um filme de estrada onde performance, corpo e poesia são combustíveis. Camila acompanha o processo de criação do espetáculo homônimo da coreógrafa Deborah Colker, inspirado no poema de João Cabral de Melo Neto. Entre dança, poesia e geografia, o documentário registra uma residência artística em Pernambuco e a aproximação dos bailarinos com os territórios e as pessoas que vivem às margens do rio Capibaribe.

E para falar mais sobre o longa, o Papo de Cinema conversou com Camila Valença. A seguir, fique com um trecho em texto e, em seguida, com o bate-papo, na íntegra, em vídeo:

CÃO SEM PLUMAS :: ENTREVISTA COM A DIRETORA CAMILA VALENÇA

A diretora conta que o cinema já fazia parte do projeto antes de sua entrada, pois Deborah havia convidado Cláudio Assis para desenvolver as imagens que integrariam o cenário do espetáculo. “Então o cinema já estava acontecendo, eu estava ali de observadora daquilo. Acho que a minha camada é a camada em cima da camada, das camadas”.

Cão Sem Plumas, de Camila Valença
Cão Sem Plumas, de Camila Valença

O processo de montagem também transformou a relação de Camila com a obra. Ao rever as imagens, ela passou a compreender melhor a combinação entre os movimentos dos bailarinos, a poesia e os espaços percorridos. “Eu fui aprendendo muito no processo de montagem, porque é quando você vê e revê, vê e revê, e acaba decorando a poesia. Aí você entende os movimentos, por que eles estão procurando aquilo. Era realmente uma combinação de poesia, geografia, cinema e dança”.

A aproximação com Deborah aconteceu por meio de Cláudio Assis, durante as primeiras visitas da coreógrafa a Pernambuco para realizar sua pesquisa. As duas já circulavam por ambientes próximos, mas a conexão se fortaleceu durante a residência artística. Cláudio também teve uma participação ativa nas filmagens, que reuniram uma equipe reduzida e várias atividades acontecendo simultaneamente, em diferentes cidades.

“Foi um processo um pouco confuso, porque a gente tinha poucas pessoas de produção e de direção. Então, meio que fazíamos um pouco de tudo. Em muitos momentos, pedimos até para a pessoa que estava fazendo o som fazer as perguntas para algumas pessoas, porque não conseguíamos estar em todos os lugares ao mesmo tempo.” Camila explica que Cláudio se envolvia em diferentes etapas e insistia em entrevistar Deborah. “Foi um processo bem coletivo, na verdade, naquele momento de filmagem. Depois que acabou, tive que centralizar para poder finalizar, senão filme com outros donos às vezes não consegue andar”.

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Cão Sem Plumas, Camila Valença

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é crítico de cinema, presidente da ACCIRS - Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (gestão 2016-2018), e membro fundador da ABRACCINE - Associação Brasileira de Críticos de Cinema. Já atuou na televisão, jornal, rádio, revista e internet. Participou como autor dos livros Contos da Oficina 34 (2005) e 100 Melhores Filmes Brasileiros (2016). Criador e editor-chefe do portal Papo de Cinema.

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