Escrito e dirigido pelo venezuelano Jorge Thielen Armand, A Morte Não Tem Dono nos apresenta Caro (Asia Argento), uma mulher que viaja à Venezuela para vender a plantação de cacau de seu falecido pai, mas encontra a mansão da família ocupada por antigos funcionários, determinados a permanecer ali a qualquer custo. Ao decidir fazer justiça com as próprias mãos para reivindicar a herança que acredita lhe pertencer, ela dá início a um conflito que traz à tona a violência enterrada naquelas terras e sua memória.
A obra – que é uma coprodução Venezuela, Canadá, Itália e Luxemburgo – estreou na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes 2026. Agora, desembarca no Brasil através da seção Perspectiva Internacional da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. E para falar mais sobre o longa, o Papo de Cinema conversou com Jorge Thielen Armand. A seguir, fique com um trecho em texto e, em seguida, com o bate-papo, na íntegra, em vídeo:

A MORTE NÃO TEM DONO :: ENTREVISTA COM O DIRETOR JORGE THIELEN ARMAND
Ao explicar como equilibra o discurso político e a construção narrativa, Jorge destaca que seu método não parte de um planejamento rígido. Embora trabalhe com um roteiro, ele deixa espaço para que situações inesperadas influenciem o resultado. “Na verdade, é um processo intuitivo. Claro que tenho um roteiro, mas não é um plano de mestre que é executado perfeitamente. Trabalho muito com o que a realidade me dá, com o que o acaso me dá, com o que o caos me dá”.
Essa abertura também aparece na maneira como o diretor constrói seus personagens. Em vez de seguir uma narrativa centrada em vítimas, ele prefere colocar o espectador diante de figuras cujas atitudes nem sempre permitem julgamentos simples. “Estou interessado em fazer filmes sobre perdedores. Por isso, no meu filme, não é tão claro quem é o ruim e quem é o bom, de quem você deveria se afastar. Você não deveria gostar de Caro. Você não deveria gostar de Sônia. É complicado. São muitas perguntas complicadas que não têm respostas fáceis”.

Jorge explica que queria evitar o que considera um modelo recorrente no cinema social contemporâneo: a narrativa das vítimas. Em A Morte Não Tem Dono, ninguém ocupa de maneira evidente o lugar do herói, e os personagens se aproximam mais da figura do anti-herói. Para o cineasta, essa escolha também tem uma dimensão política.
“Eu queria fazer um filme em que todo mundo é um perdedor, em que não há um herói claro nem um vilão claro. Se existe alguma coisa, todo mundo é um tipo de anti-herói. Acho que, no momento político em que estamos vivendo no mundo, é importante tentar entrar no lugar daqueles que pensamos que estão errados. Isso é mais desafiador.”
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