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Sinopse
Em Águas Mortais, um voo entre Los Angeles e Xangai cai no Oceano Pacífico, deixando um grupo de passageiros à deriva após sobreviver ao acidente. Enquanto aguardam uma chance de resgate, eles descobrem que o mar ao redor esconde uma ameaça ainda maior. Suspense.
Crítica
Hollywood anda vivendo uma fase crítica. Quanto maior o orçamento, maior parece ser a dificuldade de contar uma boa história. Águas Mortais, de Renny Harlin, talvez seja um dos exemplos mais didáticos desse momento. Estamos falando daquele típico projeto-isca: reúne estrelas conhecidas, orçamento robusto – cerca de US$ 40 milhões – logística que atravessa Espanha, Nova Zelândia, Estados Unidos e China, além de uma premissa vendida como espetáculo. Tudo parece calculado para chamar atenção antes mesmo da estreia. O problema surge quando tanta estrutura serve apenas para empilhar clichês que o cinema-catástrofe e os filmes de tubarão já reciclam há décadas. Afinal, a produção quer ser levada a sério ou abraçar de vez o absurdo? Em momento algum parece decidir.

Os gatilhos tomam pouco tempo. Ainda nos primeiros minutos, um voo doméstico mergulha no caos quando – acreditem se quiser – um celular sofre superaquecimento dentro da bagagem, provoca um incêndio e desencadeia a queda da aeronave em alto-mar. A suspensão de descrença já é exigida logo na largada, mas o roteiro guarda novas surpresas a partir do momento em que poucos sobreviventes descobrem que o oceano onde caíram está infestado de tubarões. Não daqueles que a biologia conhece – animais que raramente atacam seres humanos sem motivo – mas criaturas que parecem nutrir apetite especial por passageiros traumatizados. O desastre aéreo rapidamente dá lugar a um jogo de sobrevivência onde cada nova sequência precisa ser mais desesperadora do que a anterior.
Problemas não faltam nessa engrenagem. Há personagens construídos apenas para desaparecer poucos minutos depois, diálogos recheados de platitudes e uma trilha sonora, assinada por Fernando Velázquez, que parece incapaz de confiar na inteligência do espectador. Se a cena é triste, a música avisa que é triste. Se a ação acelera, a orquestra faz questão de acelerar junto. Tudo precisa ser sublinhado. Tudo precisa explicar como devemos reagir. Como se não bastasse, o roteiro ainda apela para crianças chorando, dramas familiares instantâneos e situações desenhadas unicamente para arrancar alguma emoção rápida. Não importa se ela foi conquistada ou apenas empurrada.
Porém, talvez o maior problema seja outro. Águas Mortais jamais descobre qual filme deseja ser. Oscila entre a seriedade de Tubarão (1975), de Steven Spielberg, e o delírio assumido da saga Sharknado, sem encontrar identidade própria em nenhum dos extremos. Resultado: permanece em território morno, onde coincidências absurdas se acumulam apenas para movimentar a narrativa até que apareça, naturalmente, um salvador da pátria. O curioso é que esse quebra-cabeça foi escrito por nada menos que sete roteiristas. Sete. E nem assim a história encontra equilíbrio. No comando, Harlin, responsável por projetos nostálgicos, como Duro de Matar 2 (1990) e A Ilha da Garganta Cortada (1995), volta a esbarrar em tubarões depois de Do Fundo do Mar (1999). Desta vez, entretanto, com resultado ainda menos inspirado.

Se a intenção era produzir um thriller convincente, falta coerência. Se a ideia era abraçar o humor involuntário, talvez funcione melhor do que seus realizadores imaginavam. Afinal, uma das situações mais engraçadas é ver Sir Ben Kingsley, vencedor do Oscar, tratado como um dos grandes atrativos do elenco apenas para desaparecer da história na primeira oportunidade possível. É quase como se olhasse para a equipe e dissesse: “amigos, foi um prazer. Meu contrato termina aqui. O naufrágio é com vocês. Boa sorte”. Resta a Aaron Eckhart tentar dar alguma gravidade ao conjunto, mas nem ele consegue sobreviver à avalanche de frases feitas e soluções improváveis. Águas Mortais, curiosamente, já havia afundando antes de qualquer tubarão aparecer.
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Grade crítica
| Crítico | Nota |
|---|---|
| Victor Hugo Furtado | 3 |
| Alysson Oliveira | 2 |
| MÉDIA | 2.5 |

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