Crítica
Leitores
Onde Assistir
Sinopse
Em Adorável Pecadora, Jean-Marc Clement é um milionário, dono de uma empresa poderosa, que reina a bolsa de Nova Iorque. Ele descobre que vai ser satirizado nos palcos e resolve ir ao teatro, onde conhece a atriz Amanda Dell. O diretor da produção acredita que Jean-Marc é um ator de verdade e resolve selecioná-lo para representar a si mesmo. Ele aceita o papel para ficar perto da atriz e esta conquista vai mudar a sua vida. Romance.
Crítica
O penúltimo trabalho completo de Marilyn Monroe nos cinemas é uma obra menor dentro da sua filmografia, na qual ela repete pela enésima vez a mesma personagem que a eternizou como ícone pop. Em Adorável Pecadora – título nacional que tem mais a ver com o mito que se criou em torno da atriz do que com o filme em si – ela é uma atriz que vira objeto de cobiça de um playboy milionário. Ele, com o objetivo de conquistá-la, esconde sua verdadeira condição e passa a cortejá-la disfarçado como se fosse apenas mais um dos atores da peça teatral que estão ensaiando. Pronto, esse é o resumo do filme, e nada muito além destes parâmetros se passa com os dois personagens e com aqueles que estão ao seu redor. Mesmo assim, foi um grande sucesso, aplaudido pelo público e pela crítica como um dos seus momentos mais encantadores na tela. Sinal da força do mito, que supera até papéis menos vantajosos.

George Cukor, diretor premiado com o Oscar pelo musical Minha Bela Dama (1964), foi também responsável por demitir Marilyn Monroe do set de Something’s Got to Give, filme de 1962 que permaneceria inacabado devido à morte prematura da estrela. Em Adorável Pecadora, no entanto, ele aparece apenas como instrumento para um projeto feito especialmente para ela, que inclusive chamou o marido Arthur Miller para reescrever o roteiro, dando mais ênfase no seu personagem. Isso não foi suficiente para tornar o projeto diferenciado, e o que se tem é um genérico da trama clichê do apaixonado que mente apenas para se aproximar do seu objeto de desejo, mas com o passar do tempo essa mentira vai adquirindo proporções além do controle, colocando suas próprias intenções iniciais em perigo. Nada de novo, mas ainda assim charmoso o suficiente para justificar um interesse ocasional. Se fosse um dos seus primeiros trabalhos, talvez o apreço fosse ainda maior.
Com todos os holofotes em Monroe, é compreensível que nenhum ator de prestígio já estabelecido tenha aceitado ser seu par em cena. Nomes como Gregory Peck, Rock Hudson, Charlton Heston, Cary Grant, James Stewart e Yul Brynner recusaram o convite. Isso acabou abrindo espaço para o francês Yves Montand, que havia defendido um texto de Miller (As Bruxas de Salem, 1957) e que era, de fato, a escolha inicial da atriz. Quem deve ter se arrependido dessa escolha, no entanto, foi o roteirista, pois mesmo casados Marilyn e Montand tiveram um caso durante as filmagens. Isso, ao menos, colaborou para fortalecer a química entre os dois, um dos pontos fortes da produção. Eles funcionam, e quando estão juntos em cena até esquecemos das limitações da obra como um todo.

Adorável Pecadora foi indicado ao Globo de Ouro como Melhor Filme em Comédia ou Musical e ao Oscar como Melhor Trilha Sonora, além de ter concorrido também ao Bafta (o Oscar inglês) como Melhor Filme e Ator (Montand). Outro ponto curioso da produção é a presença, mesmo em participações mínimas e muito especiais, de astros como Bing Crosby e Gene Kelly, que aparecem como tutores (de canto e de dança, respectivamente) do protagonista em seu projeto de disfarce. Mas, fora estes detalhes, é um filme fácil de ser esquecido, que até diverte enquanto dura, mas que não possui uma pertinência maior. Sinal que pode ser interpretado de diferentes formas: ou de que Marilyn Monroe estava cansando de buscar uma diversificação, ou de que o público e os chefões dos estúdios estavam obtendo o que queriam, ou seja, tê-la enquadrada dentro de um estereótipo, sem chances de variações. Como qualquer limitação é perigosa, ainda mais diante de um espírito inquieto como o dela, talvez aqui se anuncie o início do fim – que, como todos sabemos, foi trágico e deixou muitas lembranças.
Últimos artigos deRobledo Milani (Ver Tudo)
- Pressão - 3 de setembro de 2026
- Muito Prazer :: “O desejo não pode ser organizado por um algoritmo”. Confira nossa entrevista com Luisa Arraes e Daniel de Oliveira - 3 de setembro de 2026
- Sobrenatural: Agora Entre Nós - 3 de setembro de 2026
Grade crítica
| Crítico | Nota |
|---|---|
| Robledo Milani | 6 |
| Ailton Monteiro | 7 |
| MÉDIA | 6.5 |

Deixe um comentário