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Sinopse
Em Abduzido, Sr. Chiba acorda amarrado e envolto com um plástico dentro de um container. Ele é um perdedor de marca maior que desperdiçou sua vida e foi abandonado pela família. Dentro deste container, existe uma pedra misteriosa que em nada ajuda a esclarecer quem o está abduzindo ou qual será o seu destino. Enquanto seu container vai sendo transportado, Sr. Chiba descobre que é apenas um dentre mais de 200 abduzidos. Ele tenta conversar com pessoas de outros containers e percebe que aparentemente sua filha e esposa também foram abduzidas. Horror.
Crítica
Desde que foi anunciado pelo XI Fantaspoa, Abduzido, de Yudai Yamaguchi, tornou-se um dos filmes mais esperados do festival. A história de um homem que acorda dentro de um contêiner em movimento, sem saber como chegou lá, para onde está indo e por qual motivo era no mínimo intrigante. O longa cumpre com a expectativa – pelo menos até pouco antes do seu final.
Chiba (Jiji Bû), um artista de mangá, desperta amarrado e com a cabeça coberta por um saco plástico dentro da caixa de ferro. Com ele, apenas uma mochila com seus pertences, como celular, caderno, lápis e chaves. Há também uma rocha misteriosa, que ele nunca havia visto. Desesperado, consegue se libertar. No entanto, não há como sair do contêiner, onde se passam todas as cenas.
O transporte da caixa que leva o protagonista é violento, passando por rodovia, navio e trem sem o menor cuidado com a carga. O contêiner sacode muito, batendo em outras estruturas. O barulho é ensurdecedor. Chiba é jogado para todos os lados. Os movimentos de câmera criam na própria audiência a vertigem experimentada pelo personagem. A única luz interior é uma lâmpada fluorescente que falha a todo momento. A sensação claustrofóbica é grande. Assim como o protagonista, o público também fica ansioso e perdido.
Chiba logo percebe que há mais contêineres ao lado do dele. Aos poucos, consegue falar com outros sequestros. Ninguém sabe o que está ocorrendo, embora vários tenham suas próprias teorias, da abdução alienígena ao tráfico humano. Um homem sugere que todos estão em direção da mina onde saíram as pedras misteriosas, em algum lugar na China ou na Coréia do Norte.
Juntos, descobrem que há cerca de 100 pessoas presas, e que todos tem em comum o fato de terem participado de um acidente de avião no passado. Chiba imagina que sua filha adolescente também deve estar presa. De fato, consegue contatá-la.
Ao chegar perto do local de destino, as rochas começam a brilhar – e aí o filme começa a degringolar. Ao tocá-la, Chiba descobre que ganhou poderes. Ficou mais forte. Com socos, fura a parede dos contêineres para salvar a menina, que também havia tocado a pedra que estava com ela.
Ao mesmo tempo, a garota é telepaticamente contatada pelo responsável pela abdução, uma figura mística deformada que informa que pai e filha, agora modificados pelas pedras, não podem mais manter contato físico. Ignorando o aviso, tocam-se e acabam morrendo. Ao final, o místico anuncia suas mortes e faz a contagem dos sobreviventes…
O filme acaba deixando a impressão que o mundo fantástico japonês, seja em filmes ou mangás, pode ser tão enigmático quanto decepcionante. Um pouco mais de pé no chão não faria mal algum a Abduzido.
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