Com a retomada do cinema nacional em pleno curso, aos poucos a produção brasileira foi se dividindo em duas correntes: as comédias ligeiras e os épicos históricos. E, na última, poucos foram tão grandiosos quanto este dirigido por Sergio Rezende e estrelado por um time impecável de atores: Cláudia Abreu, José Wilker, Paulo Betti e Marieta Severo. Se a primeira é a cara do filme, o elo com os espectadores e a que dá início aos acontecimentos vistos em cena, e o segundo aparece como ninguém menos do que Antonio Conselheiro, o beato que liderou uma revolução, estava na união de Betti e Severo, como os pais da protagonista, a verdadeira força do filme. Zé Lucena e Penha eram um casal tímido, acostumado a baixar a cabeça e a obedecer a tudo que lhe era dito. No entanto, a rebeldia juvenil da filha aos poucos vai contaminando eles, e Pena tem papel fundamental em toda essa mudança. Longe da exuberância e do autoritarismo que por muito tempo parecia ter sido sua marca principal, Severo surge aqui de modo cabisbaixo, tímido até, e quando menos se espera já conquistou não apenas a atenção do espectador, mas também de todos aqueles ao seu redor na trama. Com quase três horas de duração, este foi um dos filmes mais caros já feitos no país na época do seu lançamento, e se até hoje perdura como um trabalho irrepreensível, muito se deve à excelência do seu elenco.
Últimos artigos deRobledo Milani (Ver Tudo)
- Criadas :: “Grande parte dos sabores do Brasil foi construída por mulheres negras”. Confira nossa entrevista com as atrizes Mawusi Tulani e Ana Flavia Cavalcanti - 12 de junho de 2026
- Paixão de Escritório - 9 de junho de 2026
- Labirinto dos Garotos Perdidos :: “O cinema queer também pode ocupar territórios fantásticos”, defende Matheus Marchetti - 9 de junho de 2026