O mangue beat, movimento musical e estético que nasceu em Pernambuco nos anos 1990, mudou a visibilidade das periferias e das manifestações culturais da região metropolitana de Recife e colocou o estado na rota do mercado musical mundial, após o lançamento de bandas como Chico Science e Nação Zumbi e Mundo Livre S.A.
Tudo isso está em Manguebit, de Jura Capela, filme que experimenta a liberdade do pensar do mangue por meio de uma linguagem multifacetada, que reúne ideias e ideais, refletindo a ousadia que deu vazão ao grande símbolo do movimento: uma antena parabólica enfiada na lama dos estuários.
O documentário, que fez sua première no Festival do Rio 2021, terá sessão especial gratuita no Circuito Spcine: Centro Cultural Olido, em São Paulo, na próxima sexta-feira, 05, às 18h30. Os ingressos serão distribuídos uma hora antes da sessão na bilheteria do cinema, respeitando a lotação da sala.

E para falar mais sobre a aposta, o Papo de Cinema conversou, remotamente, com Capela. A seguir, fique com um trecho em texto e, em seguida, com o bate-papo, na íntegra, em vídeo:
ENTREVISTA :: JURA CAPELA, DIRETOR DE MANGUEBIT
Ao recordar sua convivência com os integrantes da cena ainda na adolescência, Jura revelou que acompanhou de perto o surgimento daquele movimento cultural, mesmo sem imaginar que, décadas depois, aquele material serviria de base para um documentário: “eu era bem pirralho. Quando tinha 12 ou 13 anos, assistia a essa turma que já estava na casa dos 23. Mas eu era um pirralho meio metido, porque andava com essa galera mais velha. Eu lembro muito do Chico na praia. O pessoal apontava e dizia: ‘esse cara toca numa banda maravilhosa’. Aí eu começava a acompanhar os shows e os ensaios”.
Na sequência, o diretor explicou que sua aproximação com os artistas aconteceu de forma bastante espontânea, movida mais pela curiosidade e pelo desejo de estar próximo daquele ambiente criativo do que por qualquer intenção profissional: “eu saía de Olinda para Piedade para assistir aos ensaios abertos do Mundo Livre. Na real, eu tinha uma câmera VHS-C e nem sabia qual era a minha função ali. Eu simplesmente gostava de estar com a galera, gostava de ver a turma tocar. Então eu filmava”.
Foi apenas muitos anos depois que aquelas imagens passaram a ganhar um novo significado. Segundo Capela, o processo de digitalização do acervo acumulado ao longo das décadas revelou um material que acabaria servindo como ponto de partida para o filme: “depois de quase 30 anos, quando comecei a pensar no projeto, eu tinha perto de 40 caixas de fitas. Elas ficavam ali me olhando e perguntando: ‘não chegou a hora de digitalizar?’. E eu sempre ignorava. Mas, aos poucos, fui digitalizando e percebi que ali tinha um filme”.
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