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Sinopse

Um corretor de imóveis egocêntrico vive tranquilamente até que o filho, com quem não fala há anos, pede que cuide da neta por um tempo. Sem a menor ideia de como proceder com uma criança que mal conhece, pede ajuda a vizinha.

Crítica

O que dois vencedores do Oscar como Michael Douglas e Diane Keaton fazem em uma produção tão rasteira e descartável quanto Um Amor de Vizinha? É difícil apontar para uma resposta definitiva. Talvez tenham querido apenas se entreter com algo leve e passageiro – buscando a diversão que o espectador não irá encontrar no lado de cá da tela. Piadas mais comuns, como se estivessem ‘precisando de uns trocados para pagar o aluguel atrasado’, não devem se aplicar, uma vez que o longa naufragou vergonhosamente nas bilheterias, tendo arrecadado aproximadamente a metade do valor do seu custo. E isso que este é um projeto voltado exclusivamente para o público, pois os personagens são os mais convencionais possíveis, sem representar em momento algum um desafio para seus intérpretes. Algo que, sem sombra de dúvida, foi feito com uma – ou até duas – mãos nas costas, e deve cair no esquecimento com a mesma rapidez que provavelmente permanecerá em cartaz.

Assumindo de vez as (muitas) rugas do rosto, Douglas aparece como o ranzinza Oren Little, um corretor imobiliário que precisa fazer apenas mais uma grande venda para garantir uma aposentadoria decente. A casa em questão é de sua propriedade, aquela na qual morava com sua família – a esposa, já falecida, e o filho, um rapaz viciado em drogas com o qual não possui contato atualmente. Pois não é que esse decide aparecer de uma hora para outra, e com um presente para o pai: a filha, uma garota de dez anos que deverá ficar com o avô durante o período em que ele permanecer na prisão, vítima de um esquema fraudulento de negócios. Num filme tão chapa branca quanto esse, é claro que o presidiário não é culpado, que o avô resmungão tem seu lado sensível e que a menina será, literalmente, um doce.

Acompanhando de perto esse imbróglio familiar, há Leah (Keaton), a senhora que mora ao lado de Oren. Também viúva, ocupa suas noites cantando profissionalmente num bar próximo e faz da tarefa de amolecer o coração do vizinho intransigente um desafio a ser superado. Há outros personagens secundários, como o casal grávido, a mãe de duas crianças hiperativas e o pianista galanteador de peruca. Um grupo que serve apenas para formar cenário aos protagonistas, dois tipos tão antagônicos que somente na ficção poderiam ficar juntos do jeito que aqui iremos presenciar.

O maior problema de Um Amor de Vizinha é a artificialidade das relações que vão, aos poucos, se estabelecendo. Douglas e Keaton apoiam-se quase que exclusivamente nos clichês dos estereótipos que estão defendendo, enquanto que os demais pouco se esforçam para irem além da estampa que defendem. Mais triste, no entanto, é perceber que tudo isso é responsabilidade de Rob Reiner, diretor de títulos interessantes como Conta Comigo (1986), Harry e Sally: Feitos Um para o Outro (1989) e Louca Obsessão (1990). Nos últimos anos, o único trabalho de razoável destaque de Reiner foi como ator, ao aparecer como o pai de Leonardo DiCaprio em O Lobo de Wall Street (2013). Talvez seja o momento de rever suas prioridades e deixar de lado suas atividades como realizador, assumindo outros talentos que, talvez, sejam melhor explorados.

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é crítico de cinema, presidente da ACCIRS - Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (gestão 2016-2018), e membro fundador da ABRACCINE - Associação Brasileira de Críticos de Cinema. Já atuou na televisão, jornal, rádio, revista e internet. Participou como autor dos livros Contos da Oficina 34 (2005) e 100 Melhores Filmes Brasileiros (2016). Criador e editor-chefe do portal Papo de Cinema.
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