Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno
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Christophe Gans
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Return to Silent Hill
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2026
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França / Reino Unido / Alemanha / Sérvia / Japão / Estados Unidos da América / Austrália / Espanha
Crítica
Leitores
Onde Assistir
Sinopse
Em Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno, uma carta enigmática leva James de volta a uma cidade marcada por sombras e lembranças distorcidas. Durante a busca pela mulher que perdeu, ele atravessa paisagens hostis, enfrenta criaturas grotescas e se depara com revelações perturbadoras. Cada passo aprofunda o confronto com a culpa, empurrando-o ao limite da razão. Horror.
Crítica
Para cada Um Filme Minecraft (2025) ou Super Mario Bros.: O Filme (2023), existem dezenas de Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno. E, no caso, nem se fala da qualidade dos projetos em si – afinal, são todos bastante rasos, limitados em suas ambições e de alcance restrito. A relação se dá por serem todos baseados em videogames bastante populares, e enquanto poucos conseguem romper as barreiras dos nichos nos quais se inserem – dos aficionados mais radicais – e se comunicar com públicos mais amplos, a expressiva maioria se mostra definitivamente condenada e ficar restrita a estes mesmos círculos. Exatamente o que acontece com o longa dirigido pelo francês Christophe Gans, que retorna a um universo que já não tinha lhe rendido bons frutos antes. Ou seja, insistência parece ser uma marca pessoal.

Gans chamou primeiro atenção em sua terra natal com o envolvente O Pacto dos Lobos (2001), que contava com o então casal Vincent Cassel e Monica Bellucci no elenco e mereceu quatro indicações ao César, tendo sido premiado como Melhor Figurino. Foi o suficiente para se aventurar por Hollywood, e o resultado foi Terror em Silent Hill (2006), sua primeira visita à cidade fantasmagórica criada pela japonesa Konami em 1999. Apesar do seu declarado comprometimento em transpor a saga dos games para a tela grande, o resultado foi frustrante (não chegou a cobrir os custos de US$ 50 milhões do orçamento com a bilheteria norte-americana), e como consequência o diretor foi excluído da sequência Silent Hill: Revelação (2012). Mas o mundo dá voltas, e como esse título teve repercussão ainda mais tímida – investiu-se menos do que a metade do anterior, e mesmo assim não chegou a se pagar nos cinemas dos Estados Unidos – Gans recebeu livre acesso para voltar. Não que isso signifique, no entanto, um ganho de qualidade no conjunto.
Pois apesar de se tratar de uma continuação – afinal, o subtítulo é Regresso para o Inferno, está dito se tratar de uma retomada – o que se vê é praticamente uma nova adaptação, bastante independente das anteriores vistas no cinema, e atenta apenas ao que de mais básico a sequência pensada para os consoles – Silent Hill 2, de 2001 – tinha em sua trama. O protagonismo não está mais em uma mãe em busca de sua filha doente, mas em um artista tendo que lidar com seus vícios após ter perdido o amor da sua vida. Uma mensagem inesperada o leva até a misteriosa cidade de Silent Hill, um lugar que parece estar constantemente envolto por névoas e penumbras, com acesso limitado e que, uma vez lá, descobre-se ser quase impossível fugir. Ainda mais por estas fumaças encobrirem seres monstruosos capazes de atacar qualquer coisa que se mova diante deles, tanto no plano físico, como também em sonhos, ilusões e por meio fantasias da mente.
O personagem principal é interpretado por Jeremy Irvine, que sob o comando de ninguém menos do que Steven Spielberg, quando tinha apenas vinte anos, até fez um bom trabalho em Cavalo de Guerra (2011), mas desde então tem registrado mais tropeços do que acertos. Sua participação no equivocado Stonewall: Onde o Orgulho Começou (2015) por pouco não acabou com sua carreira, e mesmo sucessos como Mamma Mia: Lá Vamos Nós de Novo (2018) dependiam mais de outros elementos do que necessariamente da sua participação. Em Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno ele faz do seu James Sunderland um tipo absolutamente genérico, do qual o espectador não apenas terá dificuldade em se aproximar, como sequer chegar a se importar. Sem uma mínima identificação, como torcer pelo mocinho? Por mais rasas que sejam as motivações presentes, o público deveria ao menos ter algum envolvimento com a história, o que não chega a acontecer por aqui.

Há portas que poderiam ser percorridas, como a relação do protagonista com sua psicóloga (seria tudo fruto da imaginação do rapaz?) ou mesmo a identidade da moça pela qual ele estava apaixonado e o fato dela fazer parte de uma suposta seita ligada aos fundadores do vilarejo, mas nada disso chega a ser desenvolvido com profundidade pelo cineasta no comando. Assim, o que se verifica é um percurso frágil, de reviravoltas débeis e de fácil antecipação, que geram mais bocejos do que sustos. Pode ser esta a terceira incursão pelo mundo de Silent Hill, mas Regresso para o Inferno se confirma tão descartável quanto as tentativas anteriores, irrelevante enquanto dura e fatalmente esquecível assim que as luzes se acendem.
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Grade crítica
| Crítico | Nota |
|---|---|
| Robledo Milani | 2 |
| Francisco Carbone | 3 |
| Alysson Oliveira | 2 |
| Pedro Strazza | 6 |
| MÉDIA | 3.3 |

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