Crítica


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Sinopse

Kate Bowman é uma assistente social que está investigando uma misteriosa série de casos em que as pessoas morreram enquanto dormiam. Pouco antes das mortes, as vítimas relataram que uma força sobrenatural apareceu enquanto sofrem paralisia do sono. À medida em que se aprofunda no caso, Kate abre espaço para a fúria da criatura, fazendo com ela e sua família sofram com um antigo mal.

Crítica

O mundo dos sonhos é um terreno fértil para filmes de horror, vide os inúmeros exemplares já lançados que dele se valem. A Hora do Pesadelo (1984) é e sempre será uma produção-referência nesse quesito. Qualquer título lançado posteriormente deve muito ao longa de Wes Craven. Freddy Krueger era o vilão perfeito àquele universo, encabeçando uma franquia que, mesmo com seus altos e baixos, tem lugar cativo na memória dos fãs. Com isso em mente, podemos logo encontrar o principal pecado deste Sono Mortal, longa-metragem dirigido por Phillip Guzman: o antagonista. A figura que assombra os sonhos dos personagens dessa história é genérica demais, bebendo na fonte de qualquer vilão visto nos cinemas nos últimos vinte anos, pelo menos, que se esgueira nas penumbras. Sem ter um monstro forte para que os protagonistas combatam, a produção gera mais bocejos que arrepios.

O paralelo entre Sono Mortal e A Hora do Pesadelo tem mais força quando sabemos que o roteirista Jeffrey Reddick tentou emplacar um prelúdio do filme de Wes Craven no começo de sua carreira. Embora o estúdio não tenha aceitado o tratamento do roteiro, Reddick ficou no radar e, posteriormente, criou a história do megassucesso Premonição (2000). Difícil saber o que o roteirista fez com aquela ideia para Krueger, mas não seria muito estranho pensar que ele usou alguma coisa aqui.

Na trama, as irmãs gêmeas Kate e Beth Bowman (Jocelin Donahue) têm um relacionamento distante. Beth sucumbiu à bebida e está passando por um período de sobriedade, voltando a viver com os pais e namorando o artista plástico Evan (Jesse Bradford). Ultimamente, algo tem a incomodado com certa regularidade: seu sono. Quando acorda, não consegue se mover, estando desperta, mas num estado de paralisia estranho. Não bastasse isso, Beth tem visões de uma criatura misteriosa que a sufoca em seu sonho. Ela tenta buscar ajuda de uma médica especialista e de um sujeito que estuda distúrbios do sono. Um dia, Kate tem o mesmo sonho de sua irmã e desperta desesperada. O que teria acontecido a Beth? Ela corre até a casa dos pais e descobre algo terrível, o que fará com que ela vá ainda mais fundo nesse mundo onírico.

São poucas as boas ideias em Sono Mortal. O fato de acompanharmos a trajetória de Beth de início, para depois Kate tomar o protagonismo para si é interessante. Não chega a ser novidade, mas é uma pequena surpresa que funciona no todo. De resto, temos um festival de mesmices. A doutora que não acredita nos relatos da irmã de sua paciente, o homem misterioso (e com aparência de louco) que tenta ajudar os protagonistas, os amigos que servem apenas para preencher a cota de vítimas, etc. Tudo isso seria perdoável caso tivéssemos uma ameaça arrepiante. Um ser que deixasse qualquer um tremendo na poltrona. E não é o que acontece aqui. A figura que se esgueira nas sombras tem uma face disforme, que pode assustar os mais impressionáveis, mas seu modus operandi é tão repetitivo e pouco aterrorizante que, em sua terceira aparição, os bocejos logo se sucedem.

Os furos de lógica na história também são sofríveis, mas são tão costumeiros em filmes ambientados no mundo dos sonhos que até podem ser perdoados. O maior exemplo é alguém querer entrar no sonho alheio. Para evitar spoilers, não vamos nos ater aos detalhes de como os protagonistas tentam se livrar da ameaça – mas a ideia é tão estapafúrdia quanto o resto. Sem um elenco forte para tentar esconder seus defeitos, Sono Mortal é um esquecível filme de terror que não deve agradar nem os entusiastas do gênero. Ninguém vai perder o sono depois de uma sessão.

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é crítico de cinema, membro da ACCIRS - Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul. Jornalista, produz e apresenta o programa de cinema Moviola, transmitido pela Rádio Unisinos FM 103.3. É também editor do blog Paradoxo.
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Grade crítica

CríticoNota
Leonardo Ribeiro
2
MÉDIA
2.5

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