Sem Filhos

Crítica


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Sinopse

Em Sem Filhos, Gabriel está separado há quatro anos. Desde então, Sofia, sua filha de oito anos, é o centro de sua vida. Sem querer tentar uma nova relação amorosa, Gabriel volta toda sua energia para ela e seu trabalho. O amor terno entre pai e filha fica abalado com a chegada de Vicky, amor platônico da adolescência dele, que virou uma mulher linda, independente e corajosa. Frente à iminência do romance, ela impõe uma condição: não se envolveria por nada desse mundo com um homem que tem filhos. Comédia romântica.

Crítica

É engraçado como nós brasileiros, especialmente críticos e público que frequenta salas fora de shoppings, costumamos exaltar o cinema argentino como extremamente superior e praticamente infalível na qualidade de suas produções. Não que seja uma mentira no que diz respeito às comédias, já que boa parte do que é produzido nacionalmente no gênero se apresenta como algo descartável. Porém, é bom que um filme como Sem Filhos chegue aos cinemas tupiniquins para termos a noção de que nem tudo que vem de fora deve ser ovacionado. O longa não é ruim, mas desfila por clichês e apresenta um resultado simpático, no máximo.

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Esta comédia romântica tem uma ideia bem simples: Gabriel (Diego Peretti) é um quarentão perdido na vida que só sabe cuidar da filha de nove anos, Sofia (Guadalupe Manent), após a separação da esposa. Sem encontros há anos, seu único assunto gira em torno do que acontece com a menina. Isto até Vicky (Maribel Verdú), uma antiga paixão, reaparecer e mexer com seus sentimentos. O grande problema: ela tem fobia de crianças. A solução é um jogo de esconde-esconde para que ele não revele a presença de Sofia em sua vida. Obviamente, algo que vai gerar mais dor de cabeça para o protagonista.

O filme de Ariel Winograd sofre de graves problemas que remetem à própria gênese das comédias românticas, não apenas à desgastada fórmula “homem se apaixona por mulher, tem um conflito com ela, o problema estoura e a resolução é simples”. São piadas prontas, correrias e palhaçadas físicas e até aquele machismo predominante de que mulheres sempre querem ter alguém. Mesmo que Maribel Verdú tente ultrapassar estas linhas delimitadoras com seu imenso talento, atuação enérgica e ativa, no final seu personagem é mais raso do que a atriz pode sustentar. O bobo alegre interpretado por Diego Peretti até pode fugir à regra por ser um homem sensível, mas isto parece estar mais ligado à sua falta de atitude na vida (exemplo é como ele chega a repetir mais de uma vez, com uma bela diferença de anos, que faltam três disciplinas para concluir seu curso) e seu jeito atrapalhado. Ou seja, como se um romance fosse elevar o espírito do rapaz em todos os níveis.

Neste samba desconexo, quem se sobressai é a mais do que carismática Guadalupe Manent, apresentando uma personagem já extremamente madura para sua idade, com bons conhecimentos sobre a natureza humana, mas nem por isso sisuda e sem jeito de criança. É graças a ela e suas ideias malucas que o roteiro começa a realmente ficar divertido a partir da metade do filme, garantindo, se não gargalhadas, bons sorrisos da plateia. Sua primeira solução para estar no mesmo ambiente que Vicky, durante uma janta do casa, é genial. Sua presença é tão importante para o bom andamento da história e divertimento do público, que a própria direção parece ficar perdida quando ela não está em tela.

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Ainda que o diretor faça um bom uso dos planos abertos, mostrando várias vezes as ações de segundo plano que acontecem (como a cena em que Sofia “canta” uma ofensa para Vicky, que está concentrada no seu tablet), a falta de um roteiro mais interessante e menos previsível (guardadas as devidas proporções do gênero), torna a experiência de Sem Filhos algo risível. Ainda que comparado a muitas comédias televisivas esteja acima da média, a trama já foi contada outras vezes e de forma mais original. Uma pena que não foi este o caso, deixando o filme com um sabor agridoce quando as luzes se acendem.

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é crítico de cinema, apresentador do Espaço Público Cinema exibido nas TVAL-RS e TVE e membro da ACCIRS - Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul. Jornalista e especialista em Cinema Expandido pela PUCRS.
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