Crítica


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Sinopse

Desesperado por um trabalho, Eduardo, ex-veterano de serviços especiais, acaba aceitando ser segurança de um shopping em uma área perigosa. Logo em sua primeira noite ele encontra uma garota perturbada, que é o principal alvo de uma gangue.

Crítica

Os shoppings já serviram de cenário para um tanto de filmes, das comédias aos terríficos, daqueles que funcionaram muito bem aos que são um completo desastre. Security fica em algum ponto no meio disso. Nada criativo no uso dos sets, o longa se apoia basicamente no carisma de seus personagens para funcionar – e com Antonio Banderas à frente do elenco, e Ben Kingsley na outra ponta, como vilão, a experiência acaba não sendo tão insossa quanto poderia se ali estivessem outros atores menos talentosos.

A trama começa apresentando o capitão do exército norte-americano, Eddie (Banderas), tentando um emprego de qualquer tipo, pois desesperado para voltar à sua família. A situação faz com que o homem aceite uma vaga de segurança noturno num shopping isolado, começando imediatamente durante uma madrugada chuvosa. Enquanto isso, Jamie (Katherine Mary de la Rocha), menina perseguida por mafiosos, vai parar no lugar sob os cuidados de Eddie e seus colegas. O grupo terá de impedir que Charlie (Kingsley) e seus capangas bem treinados invadam o lugar e matem a garota, testemunha de seus crimes.

O bom é que o filme não dá muita brecha para o espectador questionar por que diabos os gangsteres movem tantos esforços para acabar com a menina, uma vez que toda a sua ameaça está no depoimento – o que dificilmente seria levado como prova cabal num julgamento. Mas, enfim, o que importa é que eles estão ali fora e a garota lá dentro, e entre eles o militar aposentado – barbudo como só um Antonio Banderas consegue ficar, sem perder o carisma, algo sempre presente no seu olhar bondoso. Taciturno e autoritário, o ator faz jus ao capitão Eddie, jamais permitindo que seus modos austeros o tornem menos acolhedor.

Não que Banderas esteja cercado de idiotas – quer dizer, ele está, mas ainda bem, o insulto se limita aos personagens. Vance (Liam McIntyre), por exemplo, que, primeiramente, soa como um bullie em potencial, logo se converte numa figura nobre por quem vale a pena torcer. Aliás, é interessante que, mesmo aprofundando absolutamente nada sobre qualquer um dos outros personagens, o diretor Alain Desrochers consiga, ao menos, estabelecê-los como pessoas com quem é fácil se importar. Assim, quando um deles morre, isso é estranhamente marcante, o que serve para deixar o público tenso sobre o destino dos demais.

Entretanto, o projeto é especialmente prejudicado por um roteiro gradualmente mais burocrático, que parece se cansar a cada nova cena, ansiando pelo desfecho. E embora seja ambientado dentro de um shopping repleto de lojas, corredores e dos mais diversos acessórios e equipamentos, Security volta e meia investe na tediosa troca de socos e tiros intermináveis – perdendo a chance de se converter num Esqueceram de Mim (1990) um tanto mais violento, algo que ele quase chega a ser no início. Salvo, então, apenas pelos recorrentes embates de gato e rato entre Banderas e Kingsley, que compram seus personagens cegamente. Não era a mais inovadora das ideias, mas poderia ter sido um filme bem mais divertido com um pouco mais de inventividade.

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é formado em Produção Audiovisual pela PUCRS, é crítico e comentarista de cinema - e eventualmente escritor, no blog “Classe de Cinema” (classedecinema.blogspot.com.br). Fascinado por História e consumidor voraz de literatura (incluindo HQ’s!), jornalismo, filmes, seriados e arte em geral.
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